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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Carvela, Chaves, Portugal

24.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje como o dia é dedicado às aldeias, vamos mais uma vez até Carvela, freguesia de Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal, quase profundo ou profundo mesmo, mas lá no alto, bem o alto da serra do Brunheiro.
 
Sobre as aldeias, tudo que se diga, não é demais, mas Carvela já é aqui repetente e hoje quero privilegiar a imagem que, diga-se desde já, é de arquivo.
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O frio, o verão, as gentes de Carvela, os seus artistas e pormenores. Claro que por muito que traga aqui, nunca conseguirei trazer a aldeia de Carvela no seu todo, mas pode ajudar um pouco.
 
Carvela é terra de montanha pura, bem lá no alto, já no planalto do Brunheiro, ou seja, as terras mais altas do Brunheiro e ingratas, principalmente os Invernos, frios e secos às vezes ,mas também húmidos, frios e debaixo de nevoeiro intenso, daqueles que entram nas entranhas do corpo. Por seu lado, os verões são quentes e luminosos. Tudo isto é Carvela. Carvela aldeia que tem gente, simpática por sinal e que sabe receber.
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Da última vez que Carvela passou por aqui, deixei um pequeno texto e uma senhora a lavar no tanque público. Desta vez, e para o cenário ficar completo, deixo aqui um homem de Carvela, sorridente e a caminho do campo, fez o jeito para a fotografia, mas também era homem de conversa e quis o destino, curioso destino, que do registo humano que fiz de Carvela fotografasse marido e mulher, em locais distintos e nas distintas tarefas da aldeia.
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Também referi da última vez que Carvela é terra de artistas-artesãos. Da madeira talhadas e esculpidas na escuridão total, não só dos dias, mas também do seu autor, que embora cego, ensina o melhor vidente na arte de bem talhar a madeira. Curiosamente, encontramos também outro artista, este da pedra, que com material bem mais rude e difícil que a madeira, consegue também uma arte mais tosca, com menos pormenores, mas que é arte, uma arte de tempos livres à qual dedica o tempo em que deveria descansar.
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Também nas aldeias a realidade de cada um é uma realidade diferente da do vizinho. Todos iguais na sua rusticidade, que comungam os mesmos frios e ares, mas diferentes na, também arte, de viver a vida.
 
Situada a 874 metros de altitude, Carvela é por excelência zona de pastos e carvalheiras e também batata da boa, e deveria ser por aí que a sua maior importância haveria de se fazer sentir, mas é terra de montanha que é sinónimo de abandono de gentes mais novas e como as outras, é aldeia envelhecida e é pena, pois possui um importante casario tradicional que dadas as circunstâncias também está maioritariamente abandonado. Não é aldeia de grandes casas senhoriais, mas antes do mais tradicional que temos. Na entrada da aldeia encontra-se se a capela de Pardelhas, de razoáveis dimensões, dedicada à devoção da Senhora da Natividade. Está envolvida por um amplo adro, com um coreto, onde se realiza a festa da aldeia em 8 de Setembro, festa esta realizada em conjunto com a aldeia de Maços. Nesse perímetro, dizem os entendidos, que foram encontrados restos de cerâmicas romanas, testemunhos bem evidentes de que terá sido povoada, pelo menos, desde a povoação romana das nossas terras.
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Mas beleza mesmo é subir ao topo do Brunheiro e espraiar as vistas pelo vale de Chaves, por terras da Galiza e pelo Barroso, com o Deus Larouco a espreitar lá ao fundo e a mostrar um pouco da sua imponência, que nos dias mais frios de Inverno se vê sempre vestido de branco.
E sobre Carvela por hoje é tudo, mas sinto que vai ter mais visitas minhas, pois ainda há muitos e precisos pormenores para registar em fotografia. É uma daquelas aldeias que encanta quem gosta de fotografar o que de mais típico há nas nossas aldeias.
 
Até amanhã, por aí, numa outra aldeia de Chaves!
 

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