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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, Largo do Postigo e muralhas medievais, Portugal

26.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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Já uma vez referi aqui em tom de brincadeira que em Chaves havia muralhas com janelas. Pois hoje vou mais longe e digo-vos que em Chaves há muralhas com janelas, varandas, quartos, salas e até retretes, ou seja, temos muralhas com casas lá dentro. É o caso da foto de hoje em que as construções em segundo plano estão todas construídas dentro ou em cima das antigas muralhas medievais.
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Hoje vamos a um bocadinho de história, da possível, oferecida por um leigo na matéria (eu), que no período escolar sempre a detestou e que nos últimos anos tem andado por aí à procura da historia de Chaves e, diga-se, que para leigo a tarefa não é assim tão fácil.
Se hoje abordo este tema é precisamente pela maneira complicada como os historiadores apresentam a história e não a oferecem ao povo “descomplicada”, para toda a gente entender.
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Desde que iniciei este blog senti-me na obrigação de oferecer também um bocadinho da história da cidade e, diga-se também, que nas bibliotecas não falta matéria sobre o assunto, mas cada vez que se aborda um flaviense não historiador sobre a história da cidade, está a léguas de distância da nossa realidade passada.
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A maioria das pessoas conhecem as nossas muralhas (restos existentes) e as nossas fortificações de S.Neutel e S.Francisco, mas quando se fala em muralhas medievais e seiscentistas, aí já a porca torce o rabo, pois muralhas são muralhas e são todas iguais, são muralhas e “prontos”, mas às vezes até a tiram pela pinta, pois, as medievais deverão ser da idade média e as seiscentistas talvez dos anos 600, ou 1600 ou século XI ou então XVI… sem dúvida alguma se entrarmos pelos conhecimentos da história que os flavienses Têm sobre a história da cidade, dava pela certa para mais um capítulo da “História de Portugal em Disparates”.
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Como disse no início, também eu sou um leigo nestas matérias da história e pela certa que também contribuiria com alguns disparates, mas tenho tentado informar-me e já sei quais são as muralhas medievais e as seiscentistas e para quem quer ficar a saber qual é qual há um truque simples para as distinguir – as seiscentistas são inclinadas e as medievais não. Claro que o melhor mesmo é ter acesso a uma carta antiga da cidade onde venham projectadas as duas muralhas. No blog Chaves Antiga já deixamos por lá imagens destas.
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Mas vamos a datas e à descodificação da história complicada, começando pelas muralhas medievais e pelo antigo castelo medieval. Atenção que a partir de aqui, já não sou eu a falar, mas antes a informação dispersa ou compilada que encontrarei por aí e que transcrevo, acreditando claro, em que a escreveu.
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“O castelo medieval”
“À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Chaves foi inicialmente tomada aos mouros por Afonso III de Leão (866-910), que teria determinado uma reconstrução de suas defesas. Esta primitiva edificação do castelo é atribuída ao conde Odoário, no século IX. No primeiro quartel do século X, entretanto, Chaves voltou a cair no domínio mouro.
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Afonso VI de Leão e Castela incluiu a povoação de Chaves no dote da princesa Teresa de Leão e Castela, quando a casou com o conde D. Henrique de Borgonha (1093), passando a integrar os domínios do Condado Portucalense. A tradição local refere, entretanto, que, por volta de 1160, os irmãos Rui e Garcia Lopes, cavaleiros de D. Afonso Henriques, conquistaram Chaves para a Coroa portuguesa.
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Por volta de 1221, Afonso IX de Leão e Castela, visando assegurar para a sua esposa, D. Teresa, infanta de Portugal, a posse dos castelos que o pai dela, Sancho I de Portugal (1185-1211) lhe legara em testamento, e que o irmão, Afonso II de Portugal lhe reivindicava, invadiu Portugal, conquistando Chaves. O domínio de Chaves só seria devolvido a Portugal entre o final de 1230 e o início de 1231, em virtude de negociações tratadas na vila do Sabugal (então leonesa), entre Sancho II de Portugal e Fernando III de Leão e Castela.
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Embora tradicionalmente se afirme que Chaves foi o local das núpcias de Afonso III de Portugal (1248-1279) com a infanta D. Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela, na realidade o soberano dirigiu-se a Santo Estevão de Chaves (1253). Foi este soberano quem, determinando a reconstrução de suas defesas, outorgou o primeiro foral a Chaves, em 1258, com direitos idênticos aos de Zamora, no reino de Leão. Data desta época, assim, o início da reconstrução do castelo com a erecção da torre de menagem.
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O seu sucessor, Dinis de Portugal (1279-1325), deu prosseguimento às obras, concluindo a torre de menagem e a cerca da vila. Afonso IV de Portugal (1279-1325), por sua vez, confirmou o foral à vila (1350).”
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Agora sou eu de novo a falar. Como se pode observar pelo texto que transcrevi, um dos muitos que andam por aí, as muralhas medievais são do ano de…bem…, talvez tivessem… ou melhor, facilmente se pode concluir que as muralhas medievais, são mesmo medievais e da época medieval.
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Quanto às muralhas Seiscentistas e, embora o nome possa induzir em erro, as coisas já são bem mais fáceis e mais recentes. Pois tratam-se de muralhas da Restauração, da mesma que se vai comemorar no próximo Sábado e que resumidamente são muralhas que foram edificadas por todo o nosso Portugal entre 1640 e 1668 para proteger o povo (português) do inimigo castelhano, ou seja, daqueles a quem hoje chamamos espanhóis. Quanto às nossas, reza a história que foram construídas a partir das medievais entre o ano de 1658 e 1662 (embora me pareça muito pouco tempo, pois actualmente para se reconstruir um só baluarte, demorou-se muito mais tempo…pormenores de um leigo).
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Quanto à Restauração, nisto já não somos leigos, pois todos sabemos que é dia feriado em Portugal e até é evocado em canção com os vivas do Rui Veloso … “e viva o Stº António, Viva o S.João, Viva o 10 de Junho e a Restauração…”
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A quem me aturou até aqui, um muito obrigado e desculpem lá a seca, com a promessa de que amanhã cá estarei de novo e se possível, mais breve em palavras.
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Até amanhã em Chaves!

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