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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Coisas Flavienses

03.12.07 | Fer.Ribeiro

 

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E cá estamos de novo de regresso à cidade. Segunda-feira, é sempre complicado, mas tentarei fazer o melhor, em duas partes, ou talvez três, para variar.
 
Primeira parte
 
Pensei deixar-vos por aqui, mais uma vez, a nossa Top Model a viver os dias actuais, de muito frio e nevoeiro. Dias de fim de Outono, bem flavienses por sinal, em que as noites de nevoeiro se transformam em autênticos cenários de filmes londrinos cheios de mistério, embora o único mistério seja não se ver uma nesga à frente do nosso nariz. Dias e noites estranhas que entranham no corpo e faz doer os ossos. Curiosamente e estranhamente (ou não) gosto destes dias (e noites) assim, excepção para quando está mesmo cerrado e vou ao volante, que aí sinto-me simplesmente perdido e desesperado.
 
Deixando o nevoeiro e o frio, vamos até à …
 
Segunda Parte
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Já começa a cheirar a Natal, e como tal, chegou a iluminação natalícia das ruas. Deveria dar os parabéns pela iniciativa, mas não dou, aliás estou mesmo desiludido.
 
Nesta quadra todos somos crianças, e embora o Natal se repita anualmente, esperamos sempre por ele, quer pela alegria das crianças e pela reunião da família e também pelas novidades de Natal. Pois também na iluminação das ruas se esperava alguma novidade, qualquer coisa diferente, mas não, tudo ficou igual ao ano passado e até para pior, com iluminações incompletas e algumas falhas. Enfim, nada de novo e um manifesto falta de interesse pela novidade e pela atracção. Até parece que para as velhas mentes iluminadas, os papalvos comem qualquer coisa, e depois, lamentam-se as grandes superfícies comerciais, que essas sim, zelam por atrair os nossos euros. Novas mentes precisam-se para ver gente nas ruas. E fico-me por aqui.
 
Terceira Parte
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Afinal não há duas sem três e acabei por me ver “às voltas” nas Freiras. Disse às voltas, quando nas Freiras já não há voltas para dar, mas ainda vão persistindo as voltas às recordações do passado. Pois esperando por lá, às escuras ou quase, fazendo tempo para que o puto saísse do Liceu, encontro o Cabanelas. O Cabanelas é um velho amigo e colega dos meus tempos de Liceu, um habitante da cidade em todo o sentido da palavra, sempre em cima do acontecimento e um resistente das Freiras. Sentado num dos bancos inventados, esperava pelas voltas de quem não passa na praça escura que até lhe falta a luz própria de um jardim. Provoquei-o recordando-lhe os bons velhos tempos do jardim e surpreendeu-me.
Diga-se desde já que o Cabanelas é um especialista em coisas da cidade, principalmente desde o Arrabalde até às Freiras, ou seja, o coração de Chaves. Vive-o intensamente…e surpreende-me com as resposta à minha provocação quando me diz que o Jardim das Freiras ainda é possível, não como antigamente (está claro) mas que, se tirarem aquela pedra que veio do Alentejo, já partida e suja, escorregadia de Inverno e quente de verão e, “para não gastarem muito dinheiro” a substituírem por um jardim com plantas e flores, relva e árvores, é possível um novo Jardim das Freiras.
 
É sim senhor, é possível e concordo inteiramente com o Cabanelas, mas só isso, pois lamento não ser ninguém para lhe dar razão e, dar razão à razão, além de nada poder fazer para perdoar pecados do passado, resolvendo os problemas com uma reza de umas ave-marias ou uns pais-nossos, que as Freiras bem precisam, para terem vida e a dignidade que tiveram no passado.  
 
Mas como hoje não é dia de lamentos, deixou aqui algumas penas e uma foto (para os amigos de Lisboa) do Cabanelas, que à luz de um candeeiro aponta soluções para que se faça luz nas Freiras e, creiam, que é são soluções de um especialista na vida da cidade.
 
Até amanhã com um olhar diferente sobre a cidade.

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