Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves em Alerta Amarelo

26.12.07 | Fer.Ribeiro

 

.

 

Então vamos lá dar uma voltinha pelo nosso Centro Histórico, pela nossa cidade antiga, antiga e velha. É uma triste realidade ver a cidade com o seu interessante casario centenário e cheio de pormenores a ficar assim abandonado, envelhecido e em ruínas, ou quase. As razões, são mais que conhecidas, mas todos ficam serenamente a vê-la cair, aos poucos. Claro que há algumas excepções.
 
Mas hoje nem é por aí que quero ir, pois com a “historia” do Cambedo deixei de trazer aqui o frio dos últimos dias e semanas, tanto que até o nosso Rio Tâmega gelou, pelo menos durante os dias 18,19 e 20 de Dezembro. Dias em que o termómetro timidamente subiu um ou dois graus acima do zero durante duas ou três horas por dia e, à noite andou sempre nos negativos, bem negativos, entre os 0ºC e os -12ºC.
.
.
 
Curiosamente nestes mesmos dias a Protecção Civil pôs em alerta amarelo três distritos do país, porque segundo eles iam atingir temperaturas mínimas próximas dos 0ºC, como foi em Lisboa e se não me engano Braga e outro distrito do litoral. Engraçado que aqui pela terrinha, quase todo o mês de Dezembro tivemos noites com temperaturas bem negativas e nunca ninguém levantou alerta nenhum. Dizem os de lá de baixo que nós já estamos habituados. Pois estamos, infelizmente estamos habituados a estes maus tratos ambientais e climáticos e a outros maus tratos e raramente protestamos. Estamos habituados e prontos! Só que eu (por mim falo) já estou farto de estar habituado, e se não fosse por razões várias, já tinha agarrado na trouxa e na família e zarpado para o litoral, onde o medo de uns míseros 0ºC dão direito a alerta amarelo da protecção civil e outras regalias.
 
Quando o dinheiro e as perspectivas de futuro para nós, mas principalmente para os nossos filhos começam a faltar, estas historietas e outras da capital revoltam.
.
.
 
Em Chaves (que se poderá generalizar a quase todo Trás-os-Montes) é quase impossível viver de Inverno sem aquecimento. Por aqui todos sabemos que o combustível com que aquecemos as nossas casas,  na última meia dúzia de anos, quase quintuplicou e embora os governos baralhem os números e nos finais de anos nos mostrem sempre números simpáticos e de crescimento, todos nós sabemos também que temos, ano-após-ano, perdido poder de compra, ou seja, vão-se juntandos os inúteis ao desagradável.
 
Na grande maioria das nossas aldeias a gente jovem já há muito tempo que partiu para as cidades ou para o estrangeiro, por aqui pela cidade ainda nos vamos aguentando, mas com as facilidades que o litoral e os grandes centros oferecem, pelo menos em clima, meios de transporte, universidades, cultura e hospitais, entre outros, não admira nada que a seguir às aldeias, sejam os das vilas e pequenas cidades de província a ficarem sem gente jovem e desertas. É que ter a qualidade de vida que dizem que temos, custa caro, e depois não tarda nada e temos a ASAE à porta da corte do reco, na horta, ou atrás dos pastores e depois lá se vão os presuntos, as chouriças, as alheiras, as couves, as batatas, os cabritos e os cordeiros, para não falar do vinho da pipa que é pisado com os pés, um nojo pela certa para gentes da capital.
.
.
 
Mas como estamos habituados, vamos aguentando e depois como estamos em época de festas e Natal, vamos esquecendo estes pormenores por mais um tempo e se hoje estou assim, um pouco “azedo”, não foi porque me fizeram mal as rabanadas, o bacalhau o polvo ou o tinto, que esses caíram no estômago como ouro em azul, o meu problema é que tenho o depósito de gasóleo de aquecimento vazio e o Inverno ainda mal começou.
 
Até amanhã, em Chaves, e desculpem qualquer coisinha.

5 comentários

Comentar post