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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Alerta Amarelo - Continuação...

27.12.07 | Fer.Ribeiro

 

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Ainda ontem deixava aqui um post “azedo” por causa do frio e dos custos da nossa interioridade, bem como pelo convite constante à partida para os grandes centros e para o litoral. Pois o azedume continua e hoje não é por causa do frio, mas por causa das notícias que ontem vieram a lume na imprensa nacional e das políticas penalizantes de Lisboa para com o nosso interior e a nossa região.
 
Fiquem com a notícia publicada no « Público – On Line» de ontem.
 
 
Bloco de partos de Chaves encerra à meia-noite de quinta-feira
 
26.12.2007 - 18h13 Lusa
 
O bloco de partos do Hospital de Chaves encerra à meia-noite de quinta-feira, disse hoje fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. A partir desta data o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro conta apenas com um bloco de partos, instalado no Hospital de Vila Real.

No mesmo dia encerram também os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) - no período nocturno entre as 00h00 e as 08h00 - nos centros de saúde de Alijó, Murça e Vila Pouca de Aguiar, e o serviço de urgência do Hospital D. Luíz I, no Peso da Régua.

Com o encerramento do bloco de partos de Chaves, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, que agrega os hospitais de Vila Real, Peso da Régua, Chaves e Lamego, passa a dispor de um único bloco de partos, no Hospital de Vila Real.

As previsões para 2008 apontam para cerca de 2000 nascimentos em Vila Real. De acordo com dados, disponibilizados pelo Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, a maternidade de Vila Real encerra este ano com um registo de 1760 partos.

Em Chaves nasceram este ano 390 crianças, 60 por cento das quais através de cesariana, um número considerado como "inadmissível" pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, no decorrer de uma visita na semana passada àquela unidade hospitalar.

O encerramento do bloco de partos ocorre depois de estarem garantidas as condições de acessibilidades e de serviços pré-hospitalares prometidos, nomeadamente a conclusão da A24, entre Vila Real e Chaves, e a colocação de uma ambulância SIV, em Montalegre e de uma ambulância de suporte básico de vida, em Chaves. Entre Fevereiro e Março será também instalado um helicóptero em Macedo de Cavaleiros.

O presidente da Câmara de Chaves, o social-democrata João Baptista, já se manifestou totalmente contra o encerramento do bloco de partos pois considera que a "qualidade dos serviços tem intrínseca em si a proximidade".

Os SAP que vão encerrar são os únicos do distrito que até agora ainda funcionavam 24 horas por dia.

Cerca de 200 habitantes de Alijó saíram à rua no domingo, em protesto contra o encerramento nocturno do SAP, alertando ainda para a inexistência de uma ambulância do INEM no concelho e para a distância a percorrer até ao hospital mais próximo - 47 quilómetros até Vila Real.

O presidente da Câmara de Alijó, o socialista Artur Cascarejo, defendeu a "criação de uma urgência básica no concelho". De acordo com o autarca, também em Montalegre vai ser criada uma urgência básica e as justificações são, na sua opinião, as mesmas, ou seja, a distância ao hospital mais próximo.

O autarca sublinhou ainda que, com o encerramento de todas aquelas estruturas, o hospital de Vila Real poderá mesmo "entupir".

O responsável adiantou que a autarquia estudará parcerias "público-privadas", tendo em vista a criação de uma unidade hospitalar de qualidade no concelho, à semelhança dos hospitais privados que estão a ser construídos em Mirandela e Vila Real.

Também o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar (PSD), Domingos Dias, considerou "lamentável que por razões economicistas não se ouça a população" daquela região transmontana.

O autarca considera que o Ministério da Saúde, numa "atitude de prepotência", não apresentou qualquer medida compensatória dos serviços que agora esvazia", admitindo ainda que, a médio prazo, o SAP poderá encerrar mais cedo, às 22h00.

Uma urgência básica era também a reivindicação do município do Peso da Régua, que não foi atendida pelo Ministério da Saúde.

Em contrapartida ao encerramento da urgência, o ministério vai criar o sistema de consulta aberta no hospital de D. Luíz e implementar consultas de especialidade.

Também em funcionamento, desde 1 de Dezembro, está a ambulância SIV no Peso da Régua.

No entanto, o presidente da autarquia local, Nuno Gonçalves, considerou hoje que o encerramento da urgência "é uma decisão irresponsável e irreflectida que vai prejudicar os utentes" daquele hospital. O autarca defende que o sistema a implementar "não vai funcionar" porque, na sua opinião, vai "sobrecarregar os médicos do centro de saúde" da Régua.

Correia de Campos já considerou que o serviço de urgência da Régua "não é de qualidade", sustentando que os cuidados de saúde são efectuados por uma empresa que não está relacionada com o hospital e que custa 500 mil euros por mês.
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Claro que a notícia já nem surpreende e até já tinha sido anunciada, mas as razões de proximidade com Vila Real que nos trouxe a A24, não são tão reais nem válidas assim, principalmente de Inverno quando a A24 fecha com a neve ou embora aberta, é um autêntico ringue de patinagem sobre gelo, como foi o caso da noite passada, ou seja, em dias de neve ou gelo, que nenhuma mulher se lembre de parir, senão o mais provável é que a filha venha a chamar-se “Maria das Neves” ou no caso de ser rapaz, sai-lhe um “João Neves” por exemplo, pois de Vila Pouca não passa.
 
E assim vão indo por aqui as nossas vidas e não tarda nada a saúde (pública) fica centralizada em Lisboa e Porto e o resto do país aberto aos privados e, com as reduções sucessivas nas comparticipações, não tarda nada e estamos por nossa conta.
Estamos chegados às políticas da geração rasca em que as pessoas não importam, mas sim os números…
 
E só mais um lamento, este sentimental, com o encerramento da maternidade perde-se também o orgulho de se nascer flaviense e daqui a umas dezenas de anos deixamos de ter quem diga: - Eu nasci em Chaves! . Mas claro que isto não vai acontecer, pois não tarda nada e temos por aí uma maternidade privada.
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Foto de arquivo da manif de Fev.07 contra o fecho das Urgências
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Viva Lisboa! Viva Portugal!
 
Até amanhã, em Chaves, já sem maternidade.

5 comentários

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