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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Santiago do Monte, Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal

13.01.08 | Fer.Ribeiro

 

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Quando este blog vai até às aldeias de montanha, geralmente menciono o frio e o rigor dos Invernos. Mas uma coisa é falar do frio e outra é vivê-lo, senti-lo nas faces, entranhar-se no corpo, doer-nos nas unhas, cortar-nos os lábios…tanto, que à distância apenas se pode imaginar e, acreditem, que mesmo imaginando-o, ficarão muito longe da realidade. Diz-se e apelidam-no de frio de cortar à faca e corta mesmo.
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Pois no meio deste frio há vida e gente que o vive e lhe resiste, vencendo-o conforme pode, atiçando o lume à lareira com uma boas achas de carvalho ou freixo, lenha de boas brasas, e uma montanha de cobertores na cama.
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Mas melhor que as palavras, nem há como a imagem, pois penso que dizem tudo.
 
São imagens de Santiago, aldeia do Brunheiro, da freguesia de Nogueira da Montanha. Imagens que são comuns à maioria das aldeias do planalto do Brunheiro.
 
Deixando o frio de parte, pois Santiago também tem verão (dos tais de inferno), vamos um bocadinho até à aldeia e ao seu ser.
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Santiago fica a 13 quilómetros de Chaves e o acesso é feito a partir da EN 314 (Chaves-Carrazedo de Montenegro) e neste sentido, logo após Peto de Lagarelhos, à esquerda, toma-se a o Caminho Municipal 1079, que nos dias de gelo, deve ser tomado com os devidos cuidados.
Raramente se menciona, mas o seu topónimo completo é Santiago do Monte, que bem poderia ser da serra, pois situa-se na parte alta do Brunheiro, a uma altitude de 809 metros. Há dias, num texto perdido na minha documentação, lia ao respeito da aldeia: “ …apresenta um aglomerado habitacional com ruas desertas e totalmente desabitado” Retirando-lhe o totalmente, o resto aplica-se, e não é difícil compreender os porquês, ale de a aldeia sempre ter sido pequena.
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À entrada da aldeia ergue-se (recentemente reconstruído) um nicho de São Miguel e na saída para a Alanhosa um outro representando em pintura o Senhor do Bom Caminho onde se poderá também presenciar a Capela de devoção ao Apóstolo Santiago, que é festejado em 25 de Julho de cada ano.
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A poente da aldeia, mesmo nas cumeadas da serra, persistem evidentes vestígios da cultura castreja proto históricas. As Crastas, assim designado popularmente. O ambiente castrejo, é um conjunto fortificado onde se observam vestígios de dois muralhados de cercados castrejos e de uma sepultura antropomórfica. Segundo rezam alguns documentos, deste local, classificado de Interesse Público, foram retirados para o Museu da Região Flaviense, uns interessantes cornos de vaca e o selim de um cavalo, em granito, além de cerâmica variada. Seria também interessante saber onde param essas peças e outras, que frequentemente em documentação dispersa aparecem como estando no museu da região flaviense, e lá, ninguém lhes põe a vista em cima (apenas um aparte). Mas associado a este castro abundam as lendas de tesouros enterrados debaixo da pedras fincadas, diz-se que muitas vezes procurados pelos "caça tesouros", mas segundo consta, nunca nenhum foi encontrado.
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E por este fim de semana é tudo, mais duas aldeias passaram por aqui, Santiago pela primeira vez.
Amanhã estaremos de regresso à mui nobre cidade de Chaves pelo Tâmega beijada.
       

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