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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Curalha - Chaves - Portugal

20.01.08 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje vamos até Curalha.
 
Curalha fica a 7 quilómetros de Chaves, é aldeia e freguesia, tem 518 habitantes residentes, 171 famílias e 295 alojamentos (dados Censos 2001) e 7,6 Km2. Faz fronteira com as freguesias de Valdanta, Soutelo, Redondelo, Vilela do Tâmega e S.Pedro de Agostem. É servida pelo rio Tâmega, pela E.N 103, ao longo da qual se desenvolve a aldeia e por um nó da auto-estrada A24 e em tempos, foi servida por uma estação de caminhos-de-ferro, que ainda existe, propriedade de particulares.
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Curalha é uma aldeia que sai fora dos padrões das aldeias típicas do concelho de Chaves, pois é uma aldeia com muita vida e muita actividade(s) onde não se nota a desertificação, antes pelo contrário, pois nas últimas dezenas de anos nasceu um grande bairro de novas construções e actividades ligadas à agricultura, floricultura e horticultura, contribuindo para isso os seus terrenos férteis e com regadio, graças a barragem que tem o nome da freguesia (Barragem de Curalha) que curiosamente fica junta à povoação de Valdanta, por onde é feito também o acesso até ela.
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Sai fora dos padrões também no seu povoamento construtivo, pois além do núcleo histórico e mais antigo que se desenvolve à volta da igreja, tem o tal bairro novo de construções novas que forma um segundo aglomerado e um outro um conjunto de construções que se desenvolvem ao longo de 3 ou 4 Km da Estrada Nacional 103, ou seja, quase desde o nó da auto estrada e limite da freguesia, até ao limite da freguesia oposto.
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Os 6 ou 7 “cafés” da aldeia, demonstram bem a vida que ela tem, que mesmo assim, também é terra de muitos emigrantes e uma prova disso, está na sua festa, a festa do emigrante que se realiza todos os anos nos inícios de Agosto. No entanto a festa oficial da aldeia, realiza-se em 30 de Novembro em honra do seu padroeiro Santo André.
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E já que falamos em festas e santos, fale-se também do seu património religioso constituído pela Igreja paroquial, pela Capela do Senhor das Almas, pela Capela de Nª Senhora do Pilar e por um conjunto de cruzes dispersas ao longo do núcleo histórico da aldeia, que tudo me leva a crer serem de um conjunto mais completo que teria existido e que formariam uma via sacra. Existe um exemplar de cruz (não sei se deste conjunto que acabei de focar) que é digna de realce pelo interesse artístico e pela configuração bífida dos seus braços e que se localiza em frente da igreja, abrigada no vão de uma casa onde ela se apoia. Pena que algumas das cruzes que mencionei estejam partidas e a sua envolvente não tenha o tratamento que merecem.
 
Falei no início deste post da antiga estação dos caminhos de ferro, que quando tínhamos comboio, tinha a sua importância, não só como estação de passageiros mas também como de mercadorias, virada para servir os concelhos de Boticas e até de Montalegre, com ligação à carreira regular de Chaves-Braga. Com o abolir da linha do Corgo a estação foi desactivada e mais tarde vendida a particulares. Felizmente caiu em boas mãos e honra seja feita ao seu proprietário, pois além de ter mantido a velha estação, recuperou-a e manteve parte da linha onde criou uma espécie de museu, com um vagão de mercadorias e uma locomotiva do nosso velho Texas, esta adquirida recentemente e que embora em muito mau estado, perpetua para sempre a memória do comboio em Curalha. Um bem-haja ao proprietário pela sua sensibilidade e por nos permitir a imagem e recordação do Comboio.
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E o comboio é sempre um dos meus lamentos e também um dos meus sonhos.
 
O Lamento - Não houve a sensibilidade de ninguém responsável, entre políticos e entidades turísticas, de manterem a linha do corgo. A CP/Governo decidiu fechá-la à circulação em 31 de Dezembro de 1989 e a partir de aí começou a alienar todo o património da linha. Não houve uma única voz que se tivesse levantado contra o seu encerramento definitivo, nem sequer houve de parte de ninguém em ver o interesse turístico que esta linha poderia ter para a região do Alto-Tâmega, principalmente na ligação entre Vila Pouca de Aguiar e Chaves, de paisagens lindíssimas, algumas ao longo do Tâmega e a ligar aquilo que temos de melhor, ou sejam, as nossas unidades termais de Chaves, Campilho, Vidago, Salus, Sabroso, e Pedras Salgadas. Uma linha, que qualquer mente minimamente inteligente, teria mantido como um museu vivo do comboio de linha estreita a carvão e que tantos amantes tem pelo mundo inteiro. Seria um ponto de atracção turística e permanente para a região. Mas não, pura e simplesmente desprezou-se e, mesmo antes de ser alienada, a linha entrou a saque, com carris, estações e apeadeiros roubados.
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O Sonho – Penso que com alguma visão e vontade, ainda seria possível termos um troço de linha activa, pelo menos entre Curalha e Vidago ou, ampliando o sonho, entre Curalha e as Pedras Saldagas. Terá ou melhor teria (porque isto não passa de um sonho) os seus custos que,  poderiam ser repartidos entre o Governo, as Câmaras de Chaves e Vila Pouca e privados. O traçado existe, locomotivas também e penso que ainda há carruagens. Falta mesmo, além da vontade, um pouco de visão e até inteligência para que este sonho seja possível. Um ou dois quilómetros de TGV deveriam chegar para pagar este sonho…
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Mas voltemos a Curalha e às suas riquezas, e uma delas passa pelo Rio Tâmega, as suas margens, pontão e ponte e os seus moinhos. Dois moinhos lindíssimos que se houvesse dos tais iluminados turísticos, já há muito que estavam aproveitados como pontos de interesse turístico, histórico, etnográfico e tradicional. Museus das farinhas e do pão por excelência que apenas estão abertos para o olhar curioso de um ou outro que os descobre por acaso, embora a um deles “O Moinho”, já esteja associado um café, restaurante, ou bar, ou uma coisa do género.
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Qualquer um deste moinhos merece uma visita e são de fácil acesso.
 
E para terminar vamos à história de Curalha, começando pelo seu nome, antiguidade e alguns tesouros que ainda por lá existem.
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Diz a lenda que o termo Curalha poderia ter sido atribuído à aldeia por ser o nome de uma "rica dona" que aí viveu nos tempos remotos da fundação do lugar.
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Na realidade a sua origem remonta à época celta.
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Essa sua antiguidade está bem patente nas ruínas do castro que se aninha à sombra de um centenário pinheiro manso, muito copado, que se avista de posições bem longínquas. Este castro também é vulgarmente designado por castelo. São ainda visíveis partes de muralhas, ruínas de casas e algumas pedras fincadas. Vários materiais aqui recolhidos (moedas, objectos de bronze e cerâmica, etc) foram recolhidos para o Museu da Região Flaviense. Está implantado numa colina rochosa, com cerca de quatrocentos metros de altitude. A seus pés corre o rio Tâmega que abastecia de água os habitantes do castro, que aí desenvolveram as suas actividades, num específico estilo de vida castrejo, provavelmente desde o século VII ou VIII  a.C. até ao século II  ou III d.C. As sociedades indígenas castrejas, primeiro celtizadas, a seguir romanizadas e depois cristianizadas, constituíram a base nuclear em que entroncou sólida e firme a nacionalidade e a cultura portuguesa. Associado a cada castro existe sempre uma ou mais lendas. Este também tem uma. Diz ela que, deste castro partiria um túnel cuja boca de saída era uma gruta profunda situada em Bóbeda, na margem esquerda do Tâmega. Esta mitológica gruta é impenetrável não havendo mesmo quem tente essa ousadia, porquanto, numa curta distância, desce abruptamente, enterrando se numa profundidade terrosa que existe debaixo daquele curso de água, onde corre o rio subterrâneo Candallogo, nas profundidades, entre fragas e penhas.
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Era também por Curalha que passava uma das mais importantes via romanas, a Via Augusta XVII, que teria o traçado da actual E.N.103.
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E para terminar vamos até ao sítio oficial de Curalha na net e que está em:
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Por andar distraído, só hoje descobri a página de Curalha. É uma página simpática, bem organizada e estruturada, onde há toda a informação sobre a aldeia e a freguesia. Vale a pena uma visita, pois não é concerteza tempo perdido e é até um bom exemplo a seguir pelas restantes freguesias do concelho.
 
Claro que a partir de hoje terá link neste blog.
 
Quanto às fotografias, haveria muito mais para mostar, mas hoje ficamos por estas, mas fica a promessa que um dia o Rio, os moinhos, pontões e pontes de Curalha, passarão por aqui outra vez.
 
Até amanhã, na cidade de Chaves.
 

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