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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Um pequeno passeio pela cidade

23.01.08 | Fer.Ribeiro

 

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Os bairros novos da cidade são todos iguais. Amontoados de betão com ruas na vertical onde as pessoas mal se conhecem, ou então, amontoados de vivendas, com jardins simpáticos, muros ou sebes altas, onde as pessoas se conhecem, se cumprimentam e pouco mais, a não ser que já haja amizades de outros tempos e os putos que lá vão trocando algum convívio. É a vida moderna em que os pais trabalham, os filhos estudam e apenas os avós vão tendo algum tempo para desfrutar. Na cidade moderna de Chaves também já é assim.
 
São assim várias as razões pelas quais me gosto de perder pelas ruas do nosso Centro Histórico, principalmente por aquelas que ainda vão tendo vida, em que há vizinhos e pormenores do modo de vida que deixa ainda algumas saudades. Infelizmente também já há poucas dessas ruas, mas ainda as vai havendo com vida onde descubro alguns desses pormenores. A Rua do Sol, com todos os seus contrates, ainda é uma delas.
 
Gosto de vez em quando passar pela Rua do Sol, geralmente subi-la em direcção ao coração do nosso Centro Histórico. Vou apurando o olhar para ir descobrindo um ou outro pormenor interessante, quase sempre entalado entre outros pormenores com menos interesse, mas nem há como puxar um bocadinho pela imaginação ou então, quando consigo ver uma nesga da muralha por entre o casario, puxar ainda mais pela imaginação e sonhar com o quão interessante deveria ser a nossa cidade se tivesse todas as suas muralhas, intactas e bem visíveis sem qualquer tipo de construção adossadas a elas.
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E assim vou andando, vendo, observando, imaginando e sonhando. Chegado ao fim da rua, temos o Postigo. Aqui há que optar em subir a Travessa das Caldas para o tal coração da cidade, continuar a contornar as muralhas (que a custo ainda se vão vendo ou imaginando) em direcção ao Castelo ou por último decidirmo-nos por um passeio pelo Tabolado com o Tâmega por companhia. Qualquer um dos itinerários é interessante e recomendável, desde que feito nos vagares de um passeio ou de uma companhia também interessante.
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Do Largo do Postigo gosto de lançar um olhar até ao espreitar do Castelo. É uma daquelas imagens de marca de Chaves. Uma imagem quase igual há de 100 anos atrás, pelo menos idêntica àquela que ficou registada nas velhas fotografias. Tudo continua lá e até a recuperação e intervenção no velho Hospital da Misericórdia foi feliz e não destoa e, bem pode ser incluída como uma obra exemplar no roteiro da arquitectura moderna e das intervenções do Arquitecto Manuel Graça Dias em Chaves. Um dia fazemos um roteiro pelas “arquitecturas” de Chaves. Fica a promessa.
 
Entretanto resolvo-me seguir o caminho do Castelo pela Rua Joaquim José Delgado e terminar nos Jardins do Castelo onde do cimo da muralha gosto de lançar um olhar para as traseiras da ilha do Cavaleiro, outro para o Tabolado e para as Caldas, um mais longe para um pouco da veiga, outro para o Brunheiro e quando a vista começa a esbarrar com os mamarrachos, dou-me conta das horas e finalizo o meu passeio.
 
Até amanhã, em Chaves.