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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, um livro aberto na história das cidades

24.01.08 | Fer.Ribeiro

 

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Já o disse aqui que quando comecei este blog não hesitei na escolha do tema: A cidade de Chaves. Levar a cidade aos flavienses era o pretexto que escondia o meu fascínio pelas cidades em geral e por Chaves em particular.
 
De facto a origem e história das cidades é fascinante. A cidade no seu todo, como facto histórico, geográfico e acima de tudo social.
 
Teríamos que regressar 6000 anos atrás para compreender como se chegou a toda esta teia de aglomerados urbanos actuais e ao homem urbano de hoje. Tudo começa com o fim da pré-história quando o homem começa a sedentarizar-se e se dão duas grandes revoluções, a agrícola e a urbana e a separação natural entre a agricultura e o pastoreio, as primeiras trocas comerciais entre ambos e a descoberta do uso do metal por parte dos pastores como uma arma que lhe dava força e o domínio sobre a população agrícola que ainda nas as usava. Assim, para as protegerem construíram cidades fortificadas em sítios elevados e, em troca da protecção militar, recebiam tributos e subserviência do povo agricultor.
 
As primeiras civilizações conhecidas desenvolveram-se junto aos vales dos rios. O Nilo, o Tigre e o Eufrates, respectivamente no Egipto e na Mesopotâmia dava origem às primeiras grandes civilizações, sendo conhecida como mais antiga a cidade de Ombos no Egipto, com os tais 6000 anos. Babilónia (4000 anos), as antigas cidades gregas e cretenses (4000 anos). Com estas grandes cidades  o facto social ganhava cada vez mais relevo, desenvolvia-se o comercio, a arte militar, a política …e com Hipódamos, nascia há 2500 anos o urbanista e a cidade planeada sendo-lhe atribuída a autoria a cidade de Mileto, como 90 hectares, dos quais 52 hectares eram parques e jardins e possuía um sistema viário projectado segundo o sistema de tabuleiro de xadrez.
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Há 1600 anos e graças ao grande desenvolvimento tecnológico da engenharia romana, a cidade de Roma tinha 1 milhão de habitantes, possuía 19 aquedutos de forneciam 1.000.000 m3 de água por dia à cidade, esgotos dinâmicos, ruas pavimentadas, cerca de 50.000 edifícios (alguns com 8 andares) 80 palácios nobres e toda ela protegida por muralhas. Tinha como características (entre outras) a criação das vias principais com colunatas, arcos e monumentos e a existência de luxuosas termas.
 
Com a queda do Império Romano a Europa entra em estado de guerra permanente e há 1500 anos começa a grande desurbanização que durou até há 900 anos. Guerra, pilhagens, a fuga dos povos das cidades. Viena, na Áustria, durante dois séculos chegou a desaparecer dos mapas europeus. Começam a surgir pequenos burgos de traçado irregular e pestilentos. Ruas estreitas e pavimentadas com um sistemas de esgotos estático. As casas não abriam janelas para as ruas defendendo-se dos maus cheiros. A Igreja é o centro da vida comunitária e aparecem de novo as muralhas. Estávamos em plena urbanização medieval que durou até à criação das monarquias e a expansão do mercantilismo.
 
Surge a cidade dos tempos modernos, a Renascença, a cidade clássica, a cidade barroca e com a revolução industrial, a cidade burguesa do capitalismo.
 
Em 1800 contavam-se apenas 20 cidades com mais de 100.000 habitantes. Em 1850 já existiam 4 cidades com mais de 1.000.000 de habitantes, em 1900 já haviam 19 cidades com este número.
 
As cidades actuais não são mais que o evoluir dessa cidade burguesa da revolução industrial.
 
E com esta nova cidade começam também os problemas urbanos e em meados do século XIX começa-se a falar em urbanização e urbanismo, temas que desde então têm sido a preocupação das cidades, bem como o planeamento urbanístico e principalmente os males que existem por falta destes.
 
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Tudo isto para chegar à nossa mui nobre cidade de Chaves, que é um bom exemplo da história das cidades e que passou por todas as fases atrás descritas da evolução das cidades. Claro que numa escala pequena. Mas desde os castros, à veiga e o rio, à romanização e cidade romana com as tais termas e ruas principais, às guerras do pós império romano, à cidade e muralhas medievais e das monarquias e suas defesas, até à cidade dos tempos de hoje, ainda de características burguesas e capitalistas, com mamarachos e problemas urbanísticos de falta de planeamento e interesses, somos um verdadeiro livro da historia das cidades.
 
É por isso que esta cidade tanto me fascina e às vezes me revolta e o blog é também um pouco desse sentimento, fascínio e revolta. Fascínio quando trago por aqui a história, o romano, o medieval, as monarquias, o rio, os montes e os vales e até as aldeias e, revolta e lamentos,  quando se traz a cidade de hoje, ainda burguesa e capitalista e que alguns entendem como falar mal da cidade e eu entendo como falar de problemas urbanísticos e sociais.
 
Pormenores, que os que gostam verdadeiramente da cidade e são flavienses entendem. Os outros, não! Paciência, pois eu vou continuar por aqui.
 
Até amanhã, em dias de lamentos e quem sabe se há também elogios.
 
 

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