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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Elogios à cidade!

25.01.08 | Fer.Ribeiro

 

Bem sei que hoje deveria ser dia de lamentos, mas tal como ontem disse, talvez vá mesmo para os elogios. Há dias assim…
 
Nos dias assim…gosto de me refugiar na poesia dos meus poetas e, dependendo dos dias, assim, vou puxando por um ou outro de entre os meia-dúzia que a vida me ensinou a seleccionar para ter o poeta certo no momento certo. Todos eles portugueses, e conforme o tal momento assim vou puxando por Ruy Belo, por Pessoa, por Eugénio de Andrade, por Torga ou por António Aleixo. Às vezes, há ainda momentos especiais, em que outras palavras também especiais são povoadas por outros nomes, mas são momentos raros.
 
Hoje o momento é de António Aleixo, pois este homem, em tom populacho, tem resposta para todas as questões e sentimentos…
 
Digo sempre que estou bem
- Quanto mais sofro mais canto –
P`ra quê chorar?... se ninguém
Me quer enxugar o pranto!
 
Pois também eu hoje não vou chorar nem lamentar-me. Estou com o elogio e bastou-me ver as notícias das primeiras páginas dos jornais locais de hoje para ficar assim, com o elogio.
 
Começando pelo “A Vos de Chaves” que em letra garrafais nos dá conhecimento de que a “Secção Policial de Chaves pode ter os dias contados” e continua “depois do Tribunal Administrativo e de mais, recentemente, a Maternidade, a cidade de Chaves poderá estar a ponto de perder a Secção Policial de Chaves,…”. Embora pelas notícias e pelos tempos modernos se lamente que os flavienses andem distraídos no que toca a fazer filhos, já fico satisfeito que em Chaves não haja razões para se manter um Tribunal Administrativo e, muito mais satisfeito fico em saber que a polícia também não nos faz falta. Na realidade é bom saber que ainda somos uma cidade pacata, pacífica e provinciana onde sempre se soube resolver os problemas caseiros. Em Chaves raro é o dia em que há um distúrbio da ordem pública, droga não há, assaltos há poucos e geralmente é gente carenciada e, se não fosse por de vez em quando a policia andar por aí a calçar os carros de amarelo, nem dava-mos conta da sua presença. Assim aqui fica o meu elogio para quem de Lisboa tão sabiamente decide.
 
Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!
 
Outras das notícias que além de elogiar me orgulha, é a dos comerciantes tradicionais cá da terrinha.
 
Chaves – Comerciantes descontentes
 
Centro histórico necessita “medidas urgentes”
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Até que enfim que se dão conta de que o centro histórico necessita de medidas urgentes, e não só se dão conta disso como apontam medidas e soluções para a resolução de todos os problemas (ou alguns importantes) “ Abrir a rua direita ao trânsito automóvel, Parque de estacionamento no Largo de Camões com entrada pela Ladeira da Trindade e como há muito espaço, também um quiosque no largo. Não fechar o trânsito na Ponte Romana é outra das soluções apontada pelos comerciantes e dão-nos a todos um lição de cavalheirismo e civismo de respeito até, ao não mencionarem uma única vez as grandes superfícies comerciais. Portanto também não são invejosos.
 
Para reforçar esta luta pela revitalização comercial do Centro Histórico, a ProCentro – Associação para a Promoção do Centro Histórico, tem marcada para amanhã, Sábado, uma marcha de sensibilização pelas principais artérias comerciais da cidade que terminará num Workshop de capoeira e distribuição de T-shirts.
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Nem há como ter um comerciante descontente para que as soluções apareçam para o nosso centro histórico. Até fico sem palavras e se eu fosse do Dr. Marcelo, dava-lhes nota 20 pelas soluções encontradas.
 
É menos parvo, a meu ver,
O que o é, sem que se veja,
Do que aquele que, sem ser,
Se faz parvo, sem que o seja.
 
Um elogio também para o festival dos “Sabores e Saberes de Chaves”, pois fiquei a saber pelo Notícias de Chaves que o festival foi “Um sucesso em número de visitas e produtos vendidos” pois segundo a organização “Estima-se que, durante os três dias, tenham visitado o evento mais de 25 mil pessoas e sido vendidas mais de oito toneladas de fumeiro”
 
Eu também lá fui, vi e ouvi os Gaiteiros de Verin, que diga-se, gaitaram muito bem e comprei duas garrafas de vinho da Quinta de Arcossó, que é carote, mas muito bom, mesmo bom, aliás recomendo-o a qualquer apreciador de vinhos.
 
Penso que o Toy também foi o sucesso que se esperava!
 
Entretanto um elogio também para o Casino, que tal como prometia lá abriu as suas portas e segundo testemunhas, para abarrotar. Alguns dos meus conhecidos e amigos (quase todos) lá foram e, o discurso entre eles, era quase indêntico – “eu, com 20 Euros, estive lá meia hora” pois “eu com 10, estive lá 45 minutos” dizia outro. Houve no entanto quem tivesse a coragem de ter jogado 20 euros só de uma vez. Todos perderem, mas a verdade seja dita, todos gostaram e saíram de lá satisfeitos e também mais leves.
 
Os que vivem na grandeza
Dizem, vendo alguém subir:
- Há que manter a pobreza,
P`ra gente não cair.
 
Quem parece que se associou à festa do casino, foi a BT ao marcar presença numa das rotundas de regresso à cidade. Estes rapazes, como sempre, demonstram o seu sentido de oportunidade e dever ao mostrarem-se atentos a todas as movimentações da cidade. Um elogio e um bem-haja para eles.
 
Quando a noção do dever
Nos der ampla liberdade
Acabará por esquecer
A palavra «caridade»
 
E por último, outra vez as passadeiras da cidade, mas agora para dar conta aqui do que está bem feito e, por isso, fica aqui o meu elogio para os trabalhos e abolição (espero) das passadeiras da rotunda da Praça do Brasil e para as podas feitas nos arbustos que tapavam a visibilidade nas passadeiras da Escola da Estação. É um princípio.
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O que era a noite sem o dia?
E a luz sem a escuridão?...
O contrates é a razão
Por que a gente os avalia!
 
Quando os trabalhos são bem feitos, só há que elogiá-los e quando as notícias são boas, sentimos logo o enaltecer do ser flaviense.
 
 
“E prontos!”, neste último post de lamentos, pois na próxima Sexta-Feira já vai haver discursos sobre a cidade, troquei os lamentos pelos elogios, pois se Deus, que é Grande, nos deu os olhos para ver, os ouvidos para ouvir e a boca para falar e dizer, foi para realmente vermos, ouvirmos e falarmos, e daí nos lamentamos quando há que lamentar, e elogiamos quando há que elogiar.
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Também para este pensamento encontro uma quadra de António Aleixo:
 
Antes cego, surdo e mudo
Que, entre tanta gente honrada,
Ouvirmos e vermos tudo
Sem podermos dizer nada!...
 
Até amanhã, numa aldeia de Chaves próxima de si.

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