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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ainda a República em Chaves

06.10.06 | Fer.Ribeiro
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Ontem, a respeito do 5 de Outubro, falava aqui dos Republicanos de Chaves e quando se fala em Republicanos de Chaves fala-se em António Granjo.

Pois aqui fica a estátua de António Granjo, no Largo da Estação a apontar para a avenida que tem também o seu nome, que começa precisamente neste largo e termina no Largo do Monumento. Em Chaves, existe também uma escola Secundária com o seu nome, a Escola Secundária Dr. António Granjo, localizada nos Aregos e tal como nos recordava o Joaquim Barrigas no seu comentário do post de ontem, deu também nome (ao infelizmente desaparecido) Grupo 56 dos Escuteiros AEP o Grupo António Granjo.

Para quem não sabe, aqui fica então um bocadinho da do Homem que deu pelo nome de António Granjo.

Dr. António Joaquim Granjo. Nasceu em Chaves, em 1981, e foi assassinado em Lisboa no dia 19 de Outubro de 1921. Formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, em 1907, no entanto foi como político que ficou registado na História flaviense e também de Portugal. Começou cedo a sua carreira política, que segundo os dados que são conhecidos, no ano da sua formação, fez parte de um Comité Revolucionário Académico em Coimbra e depois organizador do núcleo revolucionário em Chaves. Fez parte do Comité Revolucionário de Trás-os-Montes e das Beiras, desenvolvendo uma importante actividade na propaganda republicana (recorde-se que ainda estamos a falar de tempos da monarquia - 1907).

A sua nobreza de carácter e a inteligente sensatez com que definia os ideais políticos que processava, deram-lhe direito a conquistar um invulgar prestígio em todo o país, proporcionando-lhe logo após a implantação da República, em 1911 a eleição às constituintes sendo ainda director do jornal A República. Teve a felicidade de ver nascer a República mas também a infelicidade de viver os contorcionados primeiros anos dessa mesma República. Quatro vezes Ministro em governos conturbados e próprios de uma pós revolução, veio a ser Presidente do Governo e Ministro da Agricultura de Junho a Novembro de 1920, e também presidente do Ministério. Foi assassinado cobardemente à porta do Arsenal da Marinha, para onde fora levado pela célebre camioneta fantasma, em Outubro de 1921.

Sabe-se ainda que durante a Grande Guerra esteve em França servindo no C.E.P., como alferes miliciano e deixou obra publicada em livro, como “ A Grande Aventura”, a “Vitória de Uma Mocidade” e “O Folheto do Povo”. Foi também poeta como demonstram o livro “ÁGUAS” e o opúsculo “Carta à Rainha D.Amélia”.

E sobre António Granjo é tudo, mas não é tudo sobre os flavienses que têm o seu nome ligado à República e que ocuparam altos cargos nas Repúblicas portuguesas, curiosamente ligados aos conturbados primeiros anos dessas mesmas Repúblicas.

Se António Granjo esteve ligado à primeira República começa já a ser tempo de lembrar e homenagear os flavienses que também estiveram ligados à 3ª República, a República do pós 25 de Abril e que levou um flaviense ao mais alto cargo da mesma República, a Presidente da República. Falo claro do Marechal Costa Gomes. Acho que já começa a ser tempo de lhe ser prestada a devida homenagem, despida dos PRECONCEITOS e POLITIQUICES (e até hipocrisia) de trazer na algibeira, digo eu, como flaviense e que nada percebo de história, na mesma em que Costa Gomes consta como Presidente da República, de nome completo, Francisco Costa Gomes, que nasceu em CHAVES a 30 de Junho de 1914, tendo falecido em 31 de Julho de 2001.

Bem sei que pertence à história recente de Portugal, mas este ilustre flaviense merece uma homenagem da cidade que o viu nascer, afinal na História, além do seu nome, está também registada a cidade do seu nascimento – a cidade de Chaves.

Até amanhã, nesta terra de Romanos e Republicanos.

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