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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Samaiões - Chaves - Portugal

02.02.08 | Fer.Ribeiro

 

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Samaiões, Chaves, Portugal
 
Samaiões é sede de freguesia, localiza-se a Sul da cidade de Chaves e dista desta em apenas 6 quilómetros. Claro que estou a falar de Samaiões aldeia, porque se falarmos da freguesia, esta já entra pela cidade dentro, pois o Raio X, parte do bairro do Campo da Roda e a Avenida D.João I ou recta do Raio X, são pertença da freguesia. Pertencem ainda a Samaiões as aldeias de Izei e Outeiro Jusão. Curiosamente, pois é a única freguesia do concelho onde tal acontece, desenvolve-se de ambas as margens do Rio Tâmega, pois confronta fisicamente com a freguesia de Valdanta, mais propriamente entre o Alto da Forca e S.Fraústo.
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Segundo os Censos 2001, a população da freguesia é de 1353 pessoas, 473 famílias clássicas, 646 alojamentos e 579 edifícios, o que no ranking das maiores freguesias em termos populacionais será a 5ª maior freguesia do Concelho (excluindo Stª Maria Maior).
 
Tenho pena de não ter dados comparativos dos Censos anteriores, mas penso que a população da freguesia cresceu, ou pelo menos manteve-se, pois Samaiões é um misto de freguesia rural e urbana.
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A sua ruralidade nota-se principalmente na sede de freguesia, em Samaiões propriamente dita, pois é uma aldeia que se desenvolve ainda maioritariamente na veiga de Chaves. Aldeia de antigas grandes quintas senhoriais, pelo menos 4 ou 5 quintas, sendo uma das mais conhecidas, a Quinta do Barros e que hoje é Quinta de Samaiões, recentemente adaptada ao ramo da hotelaria.
 
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Nota-se que a aldeia viveu em tempos passados à volta dessas grandes quintas e dos grandes senhores seus proprietários. Os antigos grandes senhores morreram e embora as quintas tivessem ficado, o seu cultivo também morreu, mas não morreu a população que vivia em redor das quintas e que é hoje a população de Samaiões. Como me dizia a minha cicerone de serviço, que mais tarde apresentarei, dizia-me de cima dos seus 86 anos: - Antigamente as quintas eram todas cultivadas e trabalhávamos todos para eles. Agora estão de “poulo” e só os terrenos pequenos é que são cultivados. É uma realidade da aldeia que se repete em todo o concelho, pois embora a aldeia de Samaiões ainda seja uma aldeia habitada, os mais jovens já não se dedicam à agricultura (a tempo inteiro).
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As grandes quintas estão ainda presentes no casario senhorial, que à excepção da Antiga Quinta do Barros transformada em Hotel Rural e restaurante, estão desabitadas ou são habitadas ocasionalmente. As causas são mais que sabidas e não vale a pena repeti-las aqui, pois só quem quer é que as ignora.
 
Segundo reza alguma documentação a que tive acesso, o topónimo de Samaiões estará ligado à cultura céltica, à festividade do Sannhain, uma das quatro que esses povos celebravam. No Centro da aldeia existe uma Igreja Barroca, paroquial, dedicada à Senhora da Expectação, também designada por Senhora do O, e de relevante riqueza interior. Foi aqui pároco, desde 1906 a 1934, o arqueólogo e historiador Padre Silvino da Nóbrega, autor de assinaláveis remodelações realizadas nesta Igreja. Outra capelinha a referir é a da devoção a S. Caetano, com o seu retábulo bonito mas degradado, que faz parte da Quinta de S. Caetano propriedade dos herdeiros da família Magalhães Sampaio Rodrigues. Ostenta o brasão da família e uma epígrafe de 1678.
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A capelinha do Senhor dos Aflitos, situada na saída para Izei, é local de grande devoção, realizando-se todos os anos no mês de Maio uma grande romaria a este templo, embora segundo outra documentação a que tive acesso a festa ao Sr. dos Aflitos se realize 40 dias após a Páscoa.
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Das grandes quintas e casas, a mais importante é a Casa de Samaiões, solar com pedra de armas e capela da invocação da Senhora da Conceição do Ginzo. Era, até há bem pouco tempo, da família de Francisco de Barros Teixeira Homem onde hospedou durante largos períodos o pintor Alves Cardoso que se notabilizou pintando costumes e trechos da região flaviense.
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Se o casario senhorial e solarengo é interessante e rico na freguesia (incluindo o de Izei) e casario tradicional não é menos interessante. Mais pobre, mas rico em pormenores de autênticas casas rurais, de pedra em granito à vista ou pintado, sendo a grande maioria centenária e bicentenária, mantendo muitas delas as suas características originais. Claro que também estas estão (maioritariamente) estão desabitadas, mas algumas foram recuperadas e outras receberam intervenções mais profundas que lhe retiraram parte da sua originalidade. Construções novas também há, mas mesmo assim a aldeia mantém maioritariamente a sua integridade da antiga aldeia, ainda com muita vida no seu núcleo a até com crianças que ainda brincam na rua. Uma maravilha que já se começa a tornar rara nas nossas aldeias de montanha.
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E para terminar passo então à apresentação da minha cicerone de serviço, que simpaticamente e de cima da sua juventude dos 86 anos me foi contando algumas estórias dos senhores da aldeia, me mostrou algumas das casas bonitas e interessantes e com a qual troquei as habituais conversas das genealogias das famílias, incluindo as nossas, para saber onde a nossa flaviensidade se encontram e rara é a vez que ela não se encontra e não descobrimos um primo afastado pelas afinidades, familiares vizinhos, amigos comuns ou meros conhecidos. Da minha cicerone o que mais me surpreendeu foi a sua juventude que escondem os seus 86 anos. Quanto à simpatia, já nem falo, pois essa já vai sendo habitual em quem nos recebe nas aldeias e que ainda mantêm a arte da hospitalidade e do bem receber. Um bem-haja para a Dona Joaquina Farias que me brindou com uma pose de juventude e simpatia para a fotografia e que quero aqui partilhar convosco. Disse-me depois, quem sabe desta coisas da aldeia, que estas octogenárias mantêm a sua juventude graças a arte do saber viver e do ditar cedo e cedo erguer onde não são dispensadas muitas caminhadas e as tradicionais refeições, a começar pela do mata-bicho.
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Gostei da minha demora por Samaiões, numa aldeia que é freguesia urbana que mantém a sua saudável ruralidade. Nota negativa só para as antigas quintas abandonadas e o casario senhorial e solarengo desabitado. Excepção, para as excepções, claro.
 
Até amanhã, por aí no concelho.
 
Antes de terminar, dar conta ainda que mais logo a blogosfera flaviense (da cidade e aldeias) tem encontro marcado, à mesa, onde os bons encontros acontecem. Desta vez cerca de 20 blogues marcarão presença, além de alguns dos indispensáveis e habituais amigos da blogosfera flaviense. Isto só para justificar uma possível demora no post de amanhã.

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