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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ecos do Planalto - Um livro de Estórias

04.02.08 | Fer.Ribeiro

 

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Tal como prometi no último post vamos então dar a conhecer esse tal filho do Planalto e o seu livro recentemente publicado “ Ecos do Planalto”.
 
"Ao correr da pena e escrevendo como quem fala, soltam-se as palavras no Planalto como as castanhas dos ouriços. E na mais ingénua das intenções, convoca-se um tempo esquecido, para que dele escorra a virilidade da alma transmontana.
 
Servindo à mesa da nostalgia uma panóplia de sabores perdidos, moldam-se as palavras ao recorte dos sentimentos que os seus Ecos cristalizem como as navalhas de sincelo do Planalto.
 
Perceba-se que no Planalto mais profundo ainda é o homem que manda no seu destino!".
 
 
São palavra que constam na contracapa do livro de estórias do planalto, todas vividas na primeira pessoa do seu autor, um regresso às origens, ao tempo de criança e de juventude.
 
Estas estórias fizeram-me companhia e foram as leituras nos dias do passado Natal. Fiquei encantado com a pureza e realidade das estórias contadas. Nelas se entende um pouco do tal rigor de viver na montanha e no planado do Brunheiro. Palavras que se vão transformando em imagens no decorrer da sua leitura.
 
Mas vamos até ao seu autor.
 
Gil Manuel Morgado dos Santos nasceu na freguesia de Santa Leocádia, neste concelho de Chaves a 19 de Maio de 1957. Frequentou a Escola Primária de Adães onde completou a 4ª classe em 1966. Frequentou o seminário de Vila Real até 1969 de onde saiu para frequentar o Liceu Fernão de Magalhães em Chaves. Aí completou o (antigo) 7º ano em 1978. Ingressou na Escola do Magistério Primário de Chaves tendo concluído o respectivo curso em 1980. Casou em Braga em 1981, onde fixou residência.
 
Licenciou-se em Administração Pública na Universidade do Minho em 1993, onde adquiriu o grau de Mestre também em Administração Pública em 2003.
 
Actualmente é Professor Titular do grupo de Economia do quadro da Escola Secundária de Caldas das Taipas em Guimarães.
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Ainda sobre o autor, nem há como deixar aqui a nota de abertura do seu livro:
 
NOTAS DE ABERTURA
 
Guardo do Planalto o gosto doce de uma infância livre!
Cresci aos ninhos!
Senti o cheiro do feno e da carqueja!
Aprendi a assobiar com o melro e o rouxinol!
Provei o fresco das manhãs claras!
Fiz-me gente à força dos nevões!
Senti o uivo do vento norte cortado por navalhas do sincelo!
Fabriquei os meus brinquedos!
Insultei o vento suão!
Construí-me amante da natureza e dos espaços livres!
Fiz dos dias infinitos escola e das noites estreladas sonhos!
Conheci a galinha ainda penada e cacarejante à volta dos pintainhos!
Vi parir a reca e a burra e a vaca!
Botei a cria ao monte e fui cá botá-la!
Jungi parelhas bois galegos e atrelei-os ao arado!
Senti o cheiro do esterco e da terra lavrada!
Cortei estrume nas touças!
Vi raposas e lobos e texugos!
Aparelhei cavalos e galopei na poeira dos caminhos!
Capei grilos e apanhei saltões e lagartixas!
Observei a vida das formigas e das abelhas e das vacas loiras!
Armei pescoceiras e fiz magustos com giestas húmidas!
Rasguei as calças a subir às cerdeiras!
Abri buracos em penedos de granito para fazer vinho de amoras. Bebi-o com trigas palhas!
Senti nos pés descalços a força telúrica do Brunheiro!
Adoeci e sarei com rezas e mezinhas!
Provei o gosto do mel e o amargo do fel!
Cresci a chamar pelos nomes próprios as plantas, os animais, os lugares, as pessoas e os caminhos!
Aprendi palavras que já não se usam e expressões que já não se ouvem!
Conheci a cor do alcatrão, do betão, da cidade e o reboliço do trânsito, o conforto da televisão e do gás J;cra electricidade e do hipermercado, felizmente quando já era crescido!
É daquele gosto da minha infância, vivida no Planalto que vos quero falar. Daquela limpidez espero impregnar as palavras das estórias que aqui vos deixo!
A semelhança com lugares e pessoas é mera coincidência. É que o Planalto, mais do que um lugar real é um sonho que, apesar de tudo, ainda povoa a memória colectiva!
O Planalto do Brunheiro é afinal a mesa onde vos quero servir uma lauta ceia transmontana!
 
Mas o melhor mesmo é ler as suas estórias e ouvir os Ecos do Planato.
 
O livro está à venda no sítio: http://ecopy.macalfa.pt no catálogo on-line em on-demand.
 
Quanto ao Gil Santos pela certa que irá passar por este Blog muitas mais vezes, não só com ecos do Planalto frio do Brunheiro, mas contamos com ele também para discursar sobre a cidade de Chaves.
 
Até amanhã, excepcionalmente fora de Chaves. 
 

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