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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Do Entrudo de Chaves ao Entroido de Verin

05.02.08 | Fer.Ribeiro

 

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Já sabemos que a tradição do Carnaval em Chaves não existe. Bem se tenta por os miúdos das escolas primárias e infantários a desfilar pela cidade nas sextas de Carnaval, mas além da alegria das crianças, não passa de uma correria pela Rua de Stº António e muito transtorno para os pais. Vale como uma festa para as crianças, e 15 minutos de amostra de Carnaval, mas apenas isso. Se alguma tradição ainda vai havendo, essa é de Entrudo e só à mesa se nota, principalmente no Domingo de Entrudo e no próprio Entrudo, em que o melhor do reco, grelos, couve e boa batata, regada com bom azeite e tudo bem abafado com um bom tinto encorpado, fazem a diferença e um bom Entrudo ou não.
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Tenho conhecimento que numa ou outra aldeia do nosso concelho vai havendo algumas manifestações de Entrudo, que no entanto não passam de tradições caseiras para consumo próprio e cuja divulgação não chega até à cidade.
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Definitivamente, tirando a tradição das iguarias do Entrudo à mesa, Chaves não tem tradição de Entrudo, muito menos de Carnaval.
 
Mas até nem estamos muito preocupados com isso, pois bem aqui perto, mesmo à porta, temos um dos melhores Entrudos e Carnavais da Península Ibérica, o Entroido de Verin. Uma prova disso, são os milhares de pessoas que os festejos do Entroido juntam em Verin todos os anos, vindos de toda a Espanha e também com umas largas centenas de flavienses. Só a título de exemplo do valor da festa, a Televisão Galega, durante a noite das comadres que se realiza sempre na Quinta-Feira antes do Entrudo, esteve a transmitir em directo e sem interrupção durante horas desde Verin.
 
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Há no entanto gente cá da terra que tem alguns preconceitos em aceitar este nosso povo irmão. Não entendo muito bem este tipo de preconceitos, mas aceito-os. Da minha parte, vejo no povo Galego um povo irmão de identidade igual à nossa identidade transmontana. Aos meus olhos falar do interior galego e de Trás-os-Montes, é falar do mesmo povo e em termos de identidade, estou muito mais identificado com eles do que com o nosso Portugal Sul. Não leiam nestas palavras qualquer tendência político-independentista, ou movimento, ou outra qualquer politiquice. Falo-vos da realidade e da identidade de um povo que não há fronteiras ou nacionalidades que o separem. Digamos, e olhando à história, que é o velho espírito da Galaécia que ainda está presente, mas apenas isso, pois não luto por uma Galaécia hoje impossível, embora sinceramente tenha pena que não exista, pois dos “mouros” de Portugal, com sede em Lisboa e que nos olham de longe apenas como paisagem, já há muito que me comecei a fartar e até enjoar. Inclua-se nesses mouros, alguns infiltrados na nossa terra e outros que enviados de cá, chegados a Lisboa depressa se convertem em mouriscos. Para terminar repito em maiúsculas que este sentimento é PESSOAL e além disso, um desabafo daquilo que me vai na alma. Talvez este sentimento esteja incarnado em mim por me terem concebido na raia. “Mi cage em diós” em como isto é puro e sincero.
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Ontem avisei. O dia de hoje é o único dia em que este blog sai da fronteira do concelho de Chaves e vai até Verin. Até ao Entoido e não o troco por nenhum dos Carnavais portugueses, sejam eles os políticos, ou os da Madeira, de Torres Vedras, Ovar, ou seja ele qual for, pois seja onde for, não há cigarróns ou peliqueiros.
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E sobre o entroido de Verin, e de Laza (mais puro ainda) não digo mais, se quiserem saber mais alguma coisinha sigam este link: http://chaves.blogs.sapo.pt/tag/entroido , do post do último ano, pois lá está tudo que há para dizer.
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Quanto às fotos de hoje, são as possíveis e são de arquivo, pois o tradicional desfile de domingo este ano não se realizou por causa do mau tempo. Vamos esperar que hoje às 16 horas galegas, 15 horas portuguesas o desfile de Entroido engrandeça como de costume as ruas de Verin. Eu lá estarei.
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Até amanhã de regresso a Chaves e à feira sem gado. Anda triste o nosso povo.
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