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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Fev08

Mosteiro - Chaves - Portugal



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Eu sei que prometi que todas as aldeias do concelho passariam por aqui e, estou em falta para com algumas, mas se Deus quiser, todas hão-de passar por este blog. Entretanto e como o Inverno não é lá muito amigo da fotografia, vou-me valendo daquilo que tenho em arquivo e recorrer mesmo a algumas aldeias que já são aqui repetentes, como é o caso da nossa aldeia de hoje, mas nunca é demais trazer aqui a beleza do nosso mundo rural e também os seus lamentos.

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Mosteiro é a nossa aldeia de hoje e aplica-se bem o que acabei de dizer: Uma bela aldeia que se lamenta a cada passo percorrido nas suas calçadas.

 

Mas vamos a um bocadinho da sua história e beleza para entendermos o lamento.


 

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Tudo indica que o topónimo corresponde à existência de um morgadio criado em 1702 por Francisco de Sá Pereira, com fins religiosos, o Morgadio do Mosteiro. Nos arredores da aldeia apareceram pedras trabalhadas, colunas e capitéis que evidenciam ter havido aqui edifícios importantes, alguns ainda existem, como o documentado nas fotos, com capela, uma sepultura no seu interior, uma imponente chaminé e bonitos pormenores de estilo e de casario (em tempos) importante. Todos na aldeia o apontam como parte do antigo mosteiro que deu nome à aldeia, mas (estamos chegados aos mas…) pois pelo continuar do estado ruinoso em que a construção se encontra, não tardará muito e dele apenas restará mesmo o nome.


 

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O estado desta nobre construção é tão ruinoso que além de meter dó, revolta.


Aquilo que de melhor temos nas nossas aldeias está pura e simplesmente abandonado, esquecido e desprezado. Todo um património, um rico património rural de construções de arquitectura tradicional de granito à vista e estruturas de madeira, tradições (nobres) de um povo e o próprio povo está esquecido, abandonado e moribundo.


 

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Mosteiro é uma aldeia pequena, mas do mais bonito e tradicional que há de entre as nossas aldeias rurais do concelho e de Trás-os-Montes.


 

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Claro que tudo isto é resultante da desertificação das aldeias que se vem registando de há quase 50 anos para cá. Nada nestas aldeias prende os seus habitantes naturais para além do seu amor e sacrifício, pois viver numa aldeia e viver duma aldeia com estas características, com esforço, é ter apenas condições para sobreviver.


 


Já sei que os meus lamentos de nada valem e continuo e insistir que tudo é culpa de um amontoado de más políticas ditadas desde Lisboa. As causas são conhecidas, mas ninguém faz nada para alterar este resto de Portugal que ainda vai sendo paisagem, mas que (a continuar assim) não tardará a seu uma paisagem deserta.


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Mil desculpas para Mosteiro por servir de mote a um lamento, sentido, por mim e por quem os habita, mas revolta-me ver aldeias como esta entregues ao seu próprio destino, onde apenas o amor e teimosia de uns poucos as mantém vivas.

 

Amanhã vamos por aí, por mais uma aldeia, concerteza bela como todas, mas com os seus mas, como quase todas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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