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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, à descoberta de pormenores...

11.02.08 | Fer.Ribeiro


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Já sabem que eu às segundas-feiras não atino muito bem. Talvez seja das visitas às aldeias de fim-de-semana ou pelo regresso às lides da cidade. Não o regresso à cidade, que esse faço-o sempre com gosto e é sempre uma descoberta constante de um ou outro pormenor que até hoje me tinha passado despercebido ou ao qual nunca lhe dei a atenção devida.

 

Pois como as segundas-feiras são como são, vou deixar de me preocupar com elas, pelo menos aqui no blog.

 

Aos pouco este blog vem dedicando os dias a um tema. Fins-de-semana, para as aldeias, sextas para discursos sobre a cidade, terças para olhares diferentes e agora as segundas para pormenores da cidade. Ainda restam as quartas e quintas para um ou outro dos meus devaneios e para o resto da cidade além dos pormenores.

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Pormenores não faltam em Chaves, nos sítios, nas casas, nos nossos monumentos, nas nossas maravilhas e também nas pessoas.

 

Hoje dedico-o, para começar, a nossa Igreja Grande, à Matriz de Stª Maria Maior e começo precisamente pelo pormenor da nossa Santa Maria Maior e da sua envolvente. Hoje apenas três pormenores das dezenas ou até centenas de pormenores que esta igreja nos oferece. Todos os dias descubro nela um novo pormenor e sinto que ainda há novos pormenores para descobrir.

 

“Estou sempre pela primeira vez em todos os lugares”, dizia Torga e na realidade é assim que vou vivendo esta cidade, repetidamente vivendo-a todos os dias de novo, como novas descobertas e novos pormenores.

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E mais uma vez Torga.


Não sou Torgomano como Fernão de Magalhães Gonçalves o foi em vida e, claro, continua a ser na obra que deixou (1), mas também (como na cidade) continuo a descobrir em Torga pequenos pormenores na sua obra de uma vivência da cidade de Chaves como ninguém viveu. Estou certo que também Torga nas suas visitas a Chaves partia todos os dias pelas ruas da cidade ao encontro e descoberta de pormenores.

 

Chaves, 1 de Setembro de 1988

 

O que me salva nesta existência repetitiva é a minha capacidade de renovar incessantemente a visão das coisas. Nunca esgoto a realidade. Tanto a perscruto, que, como no amor, que nenhuma aparência satisfaz e vai sempre além do que vislumbra, acabo por descobrir nela um pormenor que a torna inédita ao olhar e à imaginação. Estou sempre pela primeira vez em todos os lugares.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

Amanhã, quando passar pela Igreja Matriz, descubra também um pormenor à espera de si. Pela minha parte, estarei aqui com um novo olhar, diferente, sobre a cidade ou talvez não!

 

Até amanhã, com um olhar de alguém que nos visitou.

 

(1) - Há dias num comentário, um dos meus antigos prof.s do Liceu, chamava a atenção para Fernão de Magalhães Gonçalves. Fica hoje a referência, que já não é a primeira, a esse Torgomano que conheceu a obra de Torga melhor que ninguém. Uma referencia a um flaviense de Jou que permaturamente nos deixou. Mais um pormenor que tinha de trazer aqui.

Definitivamente, até amanhã!

 

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