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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Escariz - Chaves - Portugal

16.02.08 | Fer.Ribeiro


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Em 16 de Dezembro de 2006 este blog passou por Escariz e dizia eu então:

 

“Escariz é uma das 10 aldeias da freguesia de S.Pedro de Agostém. Fica a 10 quilómetros de Chaves, bem no meio da montanha. É uma daquelas aldeias em que para a conhecer é mesmo necessário ir até lá, pois não fica na passagem para lado nenhum. Passa-se ao lado, bem ao lado na Estrada Nacional Nº 311-3, que liga Loivos ao Peto de Lagarelhos. Estrada que é um autêntico miradouro sobre a pequena aldeia, pois esta encontra-se bem lá ao fundo numa cota inferior à estrada. Vale a pena parar um pouco que seja para apreciar as vistas sobre a aldeia e o encontro de montanhas que se prolonga para lá de Loivos.

Quanto à aldeia em si, é mais uma aldeia de montanha que lhe segue todas as características e que tal como se pode ver na foto, se resume a meia dúzia de casas e talvez menos famílias.”

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Se em relação ao primeiro parágrafo mantenho tudo o que disse então, em relação ao segundo tenho que fazer uma correcção.

 

Acontece que quando escrevi o post de 2006 não desci à aldeia e a última vez que o tinha feito teria sido há mais de 20 anos. Da estrada deu-me impressão que a aldeia seria uma das muitas que sofria do mal da desertificação das aldeias de montanha, muitas casas velhas em apenas três ou quatro se notava edificação recente ou tratada. Puro engano. Há que descer ou subir às aldeias, entrar por elas adentro, falar com as pessoas, assistir às suas vivências, beber da sua água das fontes…enfim, entranharmo-nos nas aldeias para a ficar minimamente a conhecer.

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Embora a proximidade da Estrada Nacional e da cidade, Escariz vive habituada a poucas visitas, pois não fica à mão para nada. Quando um estranho como eu entra aldeia adentro, ainda para mais de máquina fotográfica na mão, logo ali começa um inquérito aos nossos propósitos e, se não começa, sentimo-nos na obrigação de dizer ao que vamos. Geralmente os primeiros por quem somos recebidos é pelos cães. Primeiro ladram, depois aproximam-se, depois cheiram-nos e de seguida vão-se embora à sua vida ou então fazem questão de nos acompanhar na visita. Geralmente, cumprimento-os, falo com eles e logo compreendem que vamos por bem. Quanto às galinhas, essas, não nos ligam e lá seguem na sua vida do esgaravato à procura de qualquer coisa que lhes encha o papo. Os gatos são por natureza ariscos e geralmente também não são de grandes conversas. Preferem ver-nos de longe ou então são tudo o contrário e pegam-se a nós enquanto vão desenhando oitos entre as nossas pernas.

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Depois do inquérito do costume, lá fomos entrando na conversa e na aldeia. Surpreendeu-me, pois nunca esperei ver tanta gente jovem e tanta vida nas ruas, ou na rua, pois quase se resume a uma. Vida com crianças nas suas brincadeiras e vida própria dos trabalhos da aldeia e do campo. O rebanho, o tratar dos campos, a lenha… fez-me lembrar as antigas aldeias povoadas de gente em que cada qual vai aproveitando a luz do dia para os seus afazeres que só dão descanso ao corpo pela noite. Felizmente para o descanso que as noites de Inverno são longas, já para os afazeres os dias são curtos.

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Reponho então a verdade quanto a esta aldeia e não são meia dúzia de casas habitadas e outra tanta gente, mas segundo apurei ainda são à volta de dezassete as casas habitadas, outras tantas famílias, gente jovem e algumas crianças, mas não o suficiente para terem direito a escola na aldeia. Emigrantes, também os há.

 

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Claro que esta vida de aldeia, do Sábado à tarde, não se repete durante a semana, pois as crianças têm que abalar para a escola de outra aldeia e os pais lá vão fazendo pela vida como podem, na cidade ou/e nas suas profissões por outras paragens, mas sempre fica o guardador de rebanhos e os resistentes. Claro que à noite todos regressam, pois há que dar descanso ao corpo para um novo dia.

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Na minha documentação e nas minhas pesquisas sobre a aldeia apenas encontrei o seguinte: “Escariz, topónimo de origem franco germânica, é uma pequena aldeia com algumas casas desabitadas. Tem uma capelinha da devoção a Santa Catarina”.


Além da devoção, Santa Catarina tem direito a festejos, claro que são festejos ajustados à “grandiosidade” da aldeia, que todos os anos lá se vai realizando no 25 de Novembro.

 

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E Escariz serviu-me de lição ou de muitas lições, e uma delas, talvez a mais importantes, foi a de nunca julgar as aldeias pela aparência e nunca às definir à distância.

 

Até amanhã, por aí, numa outra aldeia de Chaves.

 

 

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