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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Agrações - Chaves - Portugal

23.02.08 | Fer.Ribeiro


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Agrações.

 

Agrações, fica a cerca de  25 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Póvoa de Agrações, aldeia que passou por aqui no último fim de semana. Aliás tudo que há para dizer sobre Agrações, já foi mais ou menos dito no Post da Póvoa, mas com uma grande diferença, é que Agrações é uma aldeia muito mais pequena que a sede de freguesia e, quanto a população, está praticamente deserta. Apenas oito pessoas ainda resistem a habita-la por inteiro.


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Construções novas também não há. Tudo leva a crer que quando esta diminuta população e envelhecida morrer, a aldeia morrerá com eles, aliás grande parte das suas construções já estão moribundas.


 

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Agrações é um bom exemplo do mal que tomou as aldeias de montanha. Embora seja terra rica na cultura da castanha onde até se admiram imponentes exemplares de castanheiros seculares, em tudo o resto é a pobreza que reina na aldeia.


 

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A grande maioria das construções são um misto de pedra solta e madeira, com poucas aberturas e simples. A própria capelinha é de linhas muito simples e pequena. É de devoção a Nossa Senhora da Conceição, cuja celebração se faz no dia 8 de Dezembro apenas com a realização de uma missa. Já não há festa, pois também já não há gente para festejar ou com vontade de festejar.


 

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Já foi aldeia com gente, com crianças e até com escola. Ainda há poucos anos a escola tinha 5 alunos. Não eram muitos, mas iam fazendo a alegria do largo e da Rua, pois além da estrada de acesso à Povoa, aldeia resume-se a uma rua estreita apenas interrompida por breves instantes pelo único largo, o da capela.


 

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E que mais há para dizer sobre Agrações!? – Talvez falar das panorâmicas vistas que por entre os castanheiros alcançam montanhas e montanhas até às serras do Barroso, ou seja, vistas que atravessam todo o concelho de Chaves.


 

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Tudo o resto é triste e, mais que triste, revoltante.

 

Já atrás disse que Agrações eram um bom exemplo das aldeias de montanha desertificadas. É também um bom exemplo do Portugal profundo, esquecido, isolado e pobre, onde com certeza a electricidade e a estrada asfaltada chegaram tarde demais e nada são ou pouca força tiveram para reter a sua população. É uma pequena aldeia, quase um lugar, mas que sempre o foi, e que, com certeza também, é habitado desde há centenas de anos, senão milenar.


 

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Não há politicas, nem qualquer interesse por parte de quem pode e manda para manter estas aldeias de montanha. Para Lisboa, e refiro-me sempre a Lisboa porque infelizmente é desde lá que se vê todo o país e que se decidem todas as política para Portugal, aldeias destas não existem e já há muito que são a apregoada paisagem. Há outras preocupações e prioridades que todas estão relacionadas com números e estatísticas daqueles que sempre puderam e mandaram. Querem ser igual à Europa dos TGV’s, dos grandes aeroportos, das pontes maiores da Europa, dos grandes eventos como as Expo’s, Europeus de futebol, agora já se fala no Mundial e, não tarda nada, são candidatos a uns Jogos Olímpicos. Afinal ainda somos o Portugal das grandes descobertas, o Portugal dos grandes feitos, onde toda a gente estuda até à licenciatura com disponibilidade até da alta tecnologia ou de pelo menos um PC portátil por aluno. Inventam-se até licenciaturas que muitas delas nem se percebem muito bem para que servem, além de irem servindo para engrossar os números dos desempregados e se não somos os maiores, queremos fazer figura como os grandes.

 

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Entretanto e enquanto os de Lisboa andam entretidos com os grandes feitos e com as figuras que fazem nas televisões com as aldrabices que nos tentam impingir, há todo um povo, uma cultura e tradições centenárias que vão morrendo como os poucos velhos das aldeias e com as próprias aldeias.

 

Como diria O’Neil, “Velhos, meus queridos velhos” que são humildes e vivem até felizes e contentes nos seus velhos lugares, porque os de Lisboa lhe dão uma reforma com a qual não chegam a viver, mas apenas sobreviver e que nem se quer lhes chegar para pagar um táxi das suas doenças. Uma reforma que para muitos dos senhores de Lisboa apenas chegaria para pagar um jantar com dois ou três gajos porreiros.

 

“Velhos, meus queridos velhos” que estão eternamente agradecidos às reformas que lhe caem de Lisboa, reformas que nem sequer esmolas são.

 

Falo dos de Lisboa, mas os de cá também não estão isentos das culpas e dos males das nossas aldeias. Às vezes a electricidade, o alcatrão, a água nos canos ou a merda nas fossas, não chegam para manter as nossas aldeias abertas e vivas, enquanto que na cidade também se vai fazendo figura (à escala provinciana) do grande que somos ou pretendemos ser (ou aparentar).


 

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Claro que mais uma vez me estou a meter em coisas para as quais não fui chamado e das quais até nem percebo nada. Os iluminados de Lisboa (ou não) é que sabem e,  até nem gostam de ser contrariados. Depois, claro que também há os que vão atrás do homenzinho da frente e ficam contentes com apenas dizerem méeeeeeeee! Enquanto vão deixando o chão sarapintado de bolinhas.


Claro que hoje até é para para falar de Agrações. Agrações que em vez de Agraciada é Agredida...

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Até amanhã noutra aldeia do nosso concelho, entretanto se estiver pela cidade, não pecar mais um grande evento a acontecer hoje e amanhã no Espaço Adrat, a Feira de stok's, onde irão participar, varias lojas do Centro Histórico da Cidade de Chaves tal como: LOOK OPTICA,  SISLEY,  BENETTON, PATELA,  TRIMPH,  PARFOIS,  MIKEDAVIS, CASA, DECOR,  MUNDIAL SPORT, BOM PÉ, ENTRE OUTRAS…

 

A vida na cidade sempre foi mais colorida!

 
Diz a Procentro para não perder esta oportunidade, e aproveitar os 'PREÇOS'  fantásticos.

 

Infelizmente os “nossos queridos velhos” estão encerrados para balanço nas suas aldeias, mas pela certa lamentam não poder vir à cidade gastar algum, Óh! Se lamentam!

 

Claro que, não sei se perceberam, que todo o texto deste post foi inventado para apenas arranjar lugar para as fotos de hoje. Pois tudo vai bem por aqui… nada disto é real…Olá então como vais!?

 

Eu, definitivamente, fico-me por aqui, mas apenas por hoje!

 

Até amanhã!

 

 

 

 

 

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