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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Janelas, Camões, Duques, Túmulos... tudo isto são pormenores de Chaves

10.03.08 | Fer.Ribeiro


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Segunda-feira, dia de pormenores da terrinha aqui pelo blog. Claro que a dificuldade do dia é escolher os pormenores de entre tanta oferta.

 

Pois lembrei-me de ir até aos pormenores das janelas. Janelas abertas, arejadas, fechadas com gente, fechadas sem gente, abertas de ambos os lados, fechadas e abertas sem vistas, enfim janelas.

 

No divagar e procura das janelas entretive-me com as da Praça de Camões, a tal que de Camões só tem o nome, pois tudo que por lá existe cheira a D.Afonso, I Duque de Bragança e, a verdade se diga, historicamente falando o Duque, embora não fosse flaviense de nascença, foi a cidade de Chaves que escolheu para viver grande parte da sua vida e também a cidade onde morreu e foi sepultado. Assim e sem qualquer pudor o digo que o Duque e tão flaviense ou mais que os flavienses que por cá nascem e tem mais direito à Praça que outro qualquer, seja ele Camões ou não.

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Mas em Chaves é assim e o hábito já é antigo, senão tomem-se as Freiras por exemplo, que desde sempre adoptou esse nome desde o antigo convento de freiras que por lá existiu. Mas mentes mais iluminadas que a minha resolveram chamar-lhe Praça General Silveira e até instalaram estátua no meio do jardim, mas do Monsenhor Alves da Cunha, que por sua vez tem praça aberta (mas sem estátua) no Cino-Chaves.

 

Enfim, e já que quem manda nada faz pela Praça do Duque de Bragança, neste blog que é meu e sou eu quem mando, a partir de hoje fica decretado que a Praça de Camões passa a chamar-se Praça de D.Afonso – 1º Duque de Bragança.

 

Mas, e para os mais distraídos e para quem não sabe, quem foi afinal o D.Afonso – I Duque de Bragança!?

 

Pois o nosso duque era filho ilegítimo de D.João I. Nasceu em 1371 e casou com D.Beatriz, filha de D.Nuno Alvares Pereira, à qual este tinha dado todo o Norte acima do rio Douro. Os pombinhos Afonso e Beatriz casaram-se em Lisboa em 1401 na presença dos nobres do reino e do próprio Rei, mas escolheram como residência a antiga Vila de Chaves, onde construíram o seu palácio, que ainda hoje existe na praça que tem o seu nome (o decreto do blog já entrou em vigor), e por aqui viveram felizes e tiveram os seus três filhos, Isabel, Afonso e Fernando. Sinto-me honrado não só por ter escolhido Chaves para viver, como por terem escolhido o meu nome para um dos seus filhos, como honrado me sinto por diariamente debitar os meus passos por onde gente tão nobre os debitou e por habitar os paços que eles habitaram (um aparte que nada tem a ver com a história do Duque nem com o meu sonho, que mais à frente entenderão).

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Mas ia dizendo que por aqui viveu a sua vida e viveu-a durante 60 anos, até 1461 quando morreu com 91 anos.

 

D.Afonso, I Duque de Bragança foi sepultado em Chaves e em Chaves se manteve sepultado durante 481 anos, ou seja desde 1461 até 1942,   ano em que nos roubaram o seu túmulo para o levar para Vila Viçosa, no Alentejo.

 

Pelos vistos os roubos à cidade já não são de hoje e sinceramente não compreendo como é que os flavienses dos anos 40 deixaram trasladar o túmulo e os restos mortais do nosso duque, porque o duque é nosso, pois foi esta a terra que ele escolheu para viver, para ter os seus filhos, para morrer e ser sepultado. Acho mesmo ser uma ofensa à história e à vontade do Duque, pois foi sua vontade ser sepultado em Chaves e tal como dizia o poeta “ a um morto nada se recusa”.

 

Para mim, além de lhe roubarem o nome à sua praça, roubaram-nos o Duque. Aliás e uma vez que as petições on-line estão na moda, mal termine a petição do Rio Tâmega, eu próprio lanço uma on-line a exigir que o tumulo e os restos mortais de D.Afonso – Duque de Bragança sejam devolvidos a Chaves, de onde nunca deveriam ter saído.

 

O engraçado da questão é que durante a Monarquia que durou até 1910 nunca houve nenhum Rei, duque, conde ou nobre que pusesse em questão a sua sepultura em Chaves e tiveram de ser os Republicanos a deixar e permitir que tal acontecesse. Não é com este desrespeito pela história que as famílias republicanas de Chaves entrarão nela, pois cá se fazem, cá se pagam, diz o povo e o povo tem sempre razão. Republicanos com o Rei na barriga e entretanto os de Vila Viçosa, republicanos também, chamaram a eles um Duque da Monarquia, e ainda contam anedotas dos alentejanos…

 

E já que hoje é para falar de pormenores, vamos até ao pormenor da escultura das chaves de Chaves colocada numa das novas rotundas da cidade (Outeiro Seco). Adivinha-se que alguém teve a ideia de pedir a devolução dos restos mortais do Duque a Chaves, mas tirem o cavalinho da chuva, pois na tal petição, será para o Duque voltar ao lugar de origem de onde foi roubado, ou seja a Igreja do Forte de S.Francisco, embora o local de origem da sua sepultura tivesse sido na Igreja Matriz.


 

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Vamos continuar ainda com D.Afonso – I Duque de Bragança ou mais propriamente o seu palácio que ocupa todo um dos lados da sua praça. Pois de vez em quando eu vou sonhando, sonhos que ainda são possíveis. Já conhecem o meu sonho do Comboio a apitar entre (pelo menos) Curalha e Vidago, pois tenho outro sonho, também bem possível, mas primeiro há que explicar o porquê do sonho.

 

Reza a história que D.Afonso – I Duque de Bragança, pelo menos a que é narrada por Francisco de Barros Teixeira Homem, que nos seus paços o Duque fundou uma das primeiras bibliotecas da Europa e um museu que foi o primeiro e único em Portugal. Pois o meu simples sonho resume-se a que os seus Paços retomem aquilo a que ele tão brilhantemente os dotou, ou seja com um museu e uma biblioteca. O Museu já existe, mas no 2º piso (em vez de gabinetes de funcionários de da Câmara) bem poderia ter uma biblioteca e um museu com a história do Duque. Atenção não leiam por aqui aquilo que não escrevo e desde já fique esclarecido que a biblioteca das Freiras está lá muito bem. Mas nos Paços poder-se-ia ter uma biblioteca/museu, com os exemplares mais antigos e da monarquia. Ou seja, a das Freiras poderia ficar com tudo que é republicano e actual e a dos Paços do Duque com tudo que é da Monarquia e antigo, a par do tal Museu do Duque, onde o Duque fosse a sua principal personagem. Será mais um dos meus sonhos a trazer por aqui de vez em quando.


 

E para terminar, para quem não o conhece, apresento-vos o Sr. Duque:

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E como hoje este poste já vai longo, fica por aqui, mas só até amanhã!

 

Ah!, só para terminar leiam e só, apenas aquilo que eu escrevo e, deixem de parte politiquices partidárias ou outras, ou guerrilhas entre monárquicos e republicanos. O mesmo é extensível aos comentários, pois a partir de hoje fica também decretado por este blog que, comentários que não tenham a ver com o blog ou com o post, serão apagados logo que detectados, e tenho dito!

 

Até amanhã!

 

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