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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Agrela de Ervededo - Chaves - Portugal

22.03.08 | Fer.Ribeiro


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Acho que foi por aqui que há tempos pediram a Agrela. Pois então vamos lá.

 

Já não é a primeira vez que este blog passa pela Agrela, mas sempre o fizemos superficialmente e nunca entramos dentro dela. Pois hoje, no formato alargado temos Agrela de Ervededo.

 

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A Agrela localiza-se a Norte da cidade de Chaves, a 15 quilómetros desta, a dois passos da Torre de Ervededo e do Couto de Ervededo  e com a Galiza mesmo ao lado.

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Para chegarmos à aldeia (a partir de Chaves) podemos tomar dois caminhos. Via Seara (Sanjurge) até às Campinas, vira-se à direita em direcção ao Couto, atravessa-se estes e logo a seguir é a Agrela. O outro caminho é via Outeiro Seco, Vilela Seca, Torre de Ervededo e logo a seguir Agrela. Aliás este circuito (por um ou outro lado) faz parte das “volta dos tristes” dos Domingos de muita gente e, diga-se, que se pararem e entrarem nas aldeias com olhos de ver, há muita coisa interessante para ver. È um dos itinerários que este blog recomenda para uma tarde ou manhã em que não tenha nada que fazer.

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Mas entremos em Agrela. Infelizmente, como em todas as aldeias, o casario do núcleo e mais antigo, está desabitado ou em ruínas. Mas até nem é das aldeias piores neste aspecto. Como em todas, também aqui é mais fácil fazer construção nova na periferia da aldeia, do que recuperar o antigo casario. Mas, diga-se a verdade, também há recuperações de construções na aldeia, o que desde logo significa que é uma aldeia com vida.

 

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Claro que os velhos tempos com muitas crianças nas ruas já lá vão. Mas também aqui me dá a impressão que a ausência de crianças não se deve a uma desertificação da aldeia, mas à tal baixa taxa de natalidade e também à sua população um pouco envelhecida. O tempo dos 6,7,8 e mais filhos já lá vai. Agora e tal como se costuma dizer, um é pouco, dois são demais, que a vida não está para brincadeiras.

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Nestes últimos dois anos que tenho andado em recolha de fotografias para o blog tenho constatado que todas as aldeias são diferentes e têm a sua identidade, mas todas são iguais, principalmente no que toca à sua população e aos seus lamentos. Lamenta-se principalmente “a vida do campo que já não dá”. Antigamente (dizem-me) tudo isto era cultivado, agora está de poulo, porque a terra já nem para viver dá. Gasta-se mais em cultivar as terras (continuam a dizer-me) do que aquilo que ela dá.


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É uma realidade das nossas aldeias esta dos campos abandonados e tudo graças as tais políticas (quanto a mim erradas) que convidam toda a população jovem a abandonar as suas aldeias. As aldeias estão condenadas. “Quando nós morrermos, a aldeia fecha” tal qual ainda ontem me diziam numa outra aldeia.

 

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Mas voltemos à Agrela e pelo que vi, estou em crer que é uma das aldeias que não vai “fechar” tão cedo. Os bons, ou razoáveis, acessos à cidade, as suas terras férteis, a água, e até pelas boas condições físicas e geográficas, ainda vai prendendo alguma população, que embora alguma dela não faça vida de campo a tempo inteiro, ainda têm os seus melhores campos verdejantes e bem tratados. Em suma, Agrela de Ervededo ainda é uma aldeia.

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Quanto à sua história, temos que regressar até (pelo menos) à Idade Média. No início não teria passado de um pequeno campo designado Ager.  Em 1836 foi integrada no concelho e freguesia de Ervededo.  Entre Agrela e o Couto corre ribeiro da Manganhosa. Ao lado da margem esquerda deste riacho passava a estrada real, atravessando-o na tosca ponte de Santiago, que serviu de travessia a grande número de peregrinos que percorriam os medievais Caminhos de Santiago. Nas proximidades ficava o mosteiro de S. Paio de Oso, da Ordem de Cister, construído provavelmente no século XI, que estava situado no caminho dos peregrinos, era centro de apoio espiritual e material dos mesmos. Deste mosteiro nada resta para além do fontanário e de uma epígrafe situada no exterior de uma casa referindo que "acabou o Oso". Isto teria acontecido por volta do século XVI, quando os beneditinos começaram a trocar o campo pelos centros urbanos.

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Agrela (como todas as aldeias) é também terra de emigrantes, que como todos, não dispensam a vinda à terrinha nos meses de verão e se possível, à festa da aldeia que todos os anos se realiza em honra de Santa Marinha, que deveria ser a 18 de Julho, mas que graças aos tais filhos que andam lá fora a lutar pela vida, a grande festa só se realiza em finais de Julho, em data incerta (conforme tocam os Domingos – disseram-me).

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E por hoje vai sendo tudo. Cumpri a minha promessa de passar um bocadinho de tempo pela Agrela e concerteza que continuaremos a passar por lá de vez em quando.

 

Espero que gostem das imagens. Havia concerteza muito mais para mostrar.

 

Amanhã, e embora seja Domingo de Páscoa, cá estaremos de novo com mais um motivo rural. O contrato é para cumprir até ao fim.

 

Boa Páscoa e até amanhã!

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