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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

S.Gonçalo da Ribeira - Chaves - Portugal

23.03.08 | Fer.Ribeiro


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E como hoje o dia é santo, vamos até um santuário.

 

Santuário de S.Gonçalo da Ribeira, é assim o nome do nosso destino de hoje. Santuário em si mas também um santuário de montanhas, de beleza, de tranquilidade, de natureza, de verde, de água, em suma, um autêntico santuário, ou quase – já lá vamos!

 

Primeiro vamos à sua localização.

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.Vista desde Parada da Castanheira


 

Ali mesmo onde o pequeno Rio Mousse desagua no o Rio Mente (afluente do Rio Rabaçal) encontra-se o S.Gonçalo, ou seja, bem lá no fundo, entre um amontoado de montanhas e montanhas de perder de vista, tantas, que entre por vários concelhos adentro e passam a fronteira para terras da Galiza. É um espectáculo de amontoado de montanhas onde se percebe bem o significado do nosso ser Transmontano.

 

Como já compreenderam S.Gonçalo fica mesmo no limite do concelho de Chaves com o concelho de Vinhais, não fizesse o Rio Mente a separação entre os dois concelhos.

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Como o tempo não dá para tudo e infelizmente a literatura sobre o nosso concelho é escasso, não consegui apurar a que freguesia pertence o S.Gonçalo. Fisicamente (o lugar) parece-me pertencer a duas freguesias. A Stª Cruz da Castanheira e a S.Vicente. Mas é apenas uma suposição. A realidade é que o acesso a S.Gonçalo pode ser feito quer por uma ou outra freguesia, através de Parada (da Castanheira) ou Orjais (de S.Vicente). Entre os dois acessos e como popularmente se costuma dizer, venha o diabo e escolha, pois se não tiver um todo o terreno, dificilmente chegará lá, e mesmo assim, cuidados recomendam-se. Mas vale a pena.

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Chegados a S.Gonçalo, chegamos ao Santuário e ao paraíso. É daqueles locais que quando se chega lá, não apetece sair nunca mais.

 

Infelizmente não conheço a história do local. Exceptuando a capelinha de S.Gonçalo, vestígios de construções antigas não há.

 

E quanto à vida de S.Gonçalo!?

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Vida natural há concerteza aquela que a natureza nos dá. Não deu para apreciar, mas concerteza que será muita e variada, principalmente a animal, pois quanto à vegetal, um incêndio de há uns anos atrás, pouco deixou. Mas a natureza concerteza que se encarregará de dotar de novo aquelas montanhas com um manto verde. Fora isso, vida humana residente não há, tirando uns fins de semana ou umas semanas de verão, entre amantes da natureza e outros que nem tanto.

 

Tenho conhecimento que anualmente se festeja por lá o S.Gonçalo e se fazem umas boas merendas. Pelo menos foi essa uma das razões que levou a Câmara Municiapl, há uma dezena de anos atrás, a fazer por lá um parque de merendas, onde não falta o coberto do grelhador e um bom forno, muitas mesas e bancos de pedra plantados à beirinha do Mousse e a desfrutar da sombra das árvores. Foi feito com gosto e concerteza que enriquece o local e convida qualquer um a fazer por lá umas boas merendas.

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Condições que concerteza serão aproveitadas como ponto de apoio e de refúgio por  caçadores e pescadores ousados, suponho!

 

Mas nem tudo são rosas por S.Gonçalo. Estamos chegados aos mas das coisas e das belezas naturais, onde a mão humana quando chega, em vez de cuidar e tratar, estraga.

 

Começando pela recuperação da capelinha, pois estou certo que foi objecto de uma recuperação recente, que concerteza até foi feita com carolice e boa vontade dos vizinhos e amantes do local. Mas a carolice e a boa vontade não perdoa pequenos erros (que até nem são tão graves). Imperdoável o revestimento do chão da capelinha, pois se o material até é do bom (mosaico hidráulico sarapintado), ficaria melhor numa cozinha e não no chão da capela. Quanto às portas da capela, e embora ao longe até disfarce bem, o alumínio não lhe assenta muito bem. Quanto ao sino e embora o brilho de novo chame a atenção, nada a dizer, o tempo encarregar-se-à  de o envelhecer. No conjunto, a capelinha até nem destoa do ambiente. Nota positiva para a recuperação, embora não muito alta.

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Quanto ao resto já não podemos dizer o mesmo. Claro que o S.Gonçalo chama a atenção de qualquer um que passe por lá ou que o descubra. É concerteza convidativo a fazer por lá coisas e a arranjar por lá um poiso ou um abrigos para bons momentos em contacto com a natureza e beleza. E se não critico que escolheu o local para fazer lá um poiso para os seus devaneios com a natureza, já critico os barracos ou barracas que lá fizeram e que embora ainda não estraguem o ambiente, já destoam e muito pela negativa.

 

Exceptuando uma construção que segue as características das construções tradicionais daquela pequena região e das aldeias envolventes (com maior significado nas aldeias da Aveleda e Parada, para além das de Vinhais), onde o xisto já é rei e senhor, quase tudo o resto são barracas de puro mau gosto.

 

Ao todo existem construídas no local, para além do alpende do grelhador e forno (perfeitamente integrado), mais 7 construções. Uma tem nota positiva, ou seja a que está construída em xisto e segue as regras do tradicional. Das outras, pelo menos três são autênticos barracos onde o mau gosto impera. As restantes, pela sua localização e vegetação, embora nada tenham a ver com o local, têm a vantagem de estar disfarçadas pela vegetação. Há uma que ainda se esforça em revestir com um pouco de xisto e que com um bocadinho de esforço ainda chegava à nota positiva, mas fica pela negativa também.

 

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Concerteza que é tudo construção clandestina, pois no local nem sequer há qualquer tipo de infra-estruturas, mas para além dos donos das barracas, não quero aqui culpabilizar ninguém, mas uma vez que por lá já se gastaram alguns dinheiros públicos e que aquelas construções são do conhecimento das pessoas da freguesia (pelo menos dos que vão à festa e às merendas), também são do conhecimento da Junta de Freguesia e logo também o será por arrastamento da Câmara Municipal. Se não o é deveria ser e ter também medidas preventivas para o local, pois S.Gonçalo merece-o.

 

Pessoalmente não sou contra as construções no local. Eu próprio, se tivesse por lá um pedaço de terreno, também gostava de ter lá um poiso paradisíaco. Mas uma coisa é construir com respeito e sem destruir a paisagem e o ambiente, e outra, é encher o paraíso de barracos. Bom senso e respeito precisam-se. Estes locais, pela sua beleza natural, são património da humanidade e não de alguns, poucos, que por lá se lembram de fazer as coisas ao seu belo prazer… se ao menos tivessem bom gosto!

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Mas tirando estes pequenos pormenores de falta de gosto e falta de respeito pelo ambiente, o S.Gonçalo da Ribeira é um local que ainda recomendo, ou aliás, é obrigatório conhecer por todos os amantes da natureza, da beleza, da tranquilidade, das montanhas, dos rios, do verde , do natural, das merendas. Claro que mais uma vez recomendo a visita conduzido por um todo o terreno. Carros ligeiros, disseram-me em Parada, que ir lá, vão, mas é só se não tiver amor ao carro. Comungo da sabedoria deles. Se gostar de montanhismo e andar, também lá chega num par de horas. Para lá é sempre a descer e bem, pois quer desde Parada ou desde Orjais, desce pelo menos uns bons 300 ou 400 metros em altitude. Pode parecer coisa pouca, mas basta chegar a Parada e olhar lá para o fundo, para verificar que a coisa não é para brincadeiras.

 

Uma Santa Páscoa para todos e não se engasguem com o folar. Convém ter sempre o copo à mão para empurrar.

 

Até amanhã de regresso à cidade.

 

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