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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Românticas, resistem às cidades. Chaves - Portugal

27.03.08 | Fer.Ribeiro


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Tal como nas aldeias só os velhos resistem à modernidade do tempo, também na cidade há resistentes, mas aqui os resistentes, ou as resistentes, são outras, também velhas, ou melhor, antigas construções resistem à modernidade agressiva dos tempos de hoje.

 

Quase no coração da cidade há pequenos recantos românticos resistentes aos novos dias. Estas casas, ainda lares de família, convivem assombradas no interior e entre muralhas de betão. A agressividade do mercado imobiliário em quem um palmo de terra no centro da cidade quase vale ouro, desde que (claro) nesse palmo de terra seja permitida mais uma rua na vertical, faz com que se desrespeitem todas as leis naturais do que está historicamente estabelecido, para não falar pelo desrespeitos da verdadeira Lei. Havia por aí uma anedota que ilustra bem esta situação e que, resumidamente, dizia que os óóóóóóóóóós pequeninos tinham que obedecer aos ÓÓÓÓÓÓÓs grandes. Nesta cidade, como na grande maioria, também são os ÓÓÓÓÓs grades que mandam nos óóóós pequeninos. O dinheiro é que manda, continua a ser assim, ainda ontem tivemos um bom exemplo disso em que os 2,6% são festejados pelo “nosso” Governo graças ao sacrifício imposto sem piedade aos mais pobres enquanto no mesmo dia se anunciava que a banca portuguesa continuava a somar lucros que se podem considerar astronómicos. Um aparte que custa na bolsa e dói no passar dos dias!

 

Continuo a pensar que no planeamento das cidades falta inteligência a quem detém o poder e o poder de planear. O crescimento das cidades é inevitável, mas podia crescer com regras e respeito pelo património existente. É mais fácil e barato estudar e planear as cidades do que autorizar sem regras. Já diz o ditado popular (e os ditados têm sempre razão), “mais vale prevenir que remediar”, mas em questões de urbanismo vive-se num constante remediar e, com avultados custos para todos. Mas o lucro rápido e fácil, aliado a falta de inteligência, falta de amor (também) pelas cidades e as inevitáveis doenças do sistema e da democracia em que as “coisas” se rentabilizam por financiamentos pouco claros e pelos votos que valem, levam-nos a verdadeiros pecados mortais e monstruosidades praticadas nas cidades. É caso para dizer, a bem dizer, que já não há respeito.

 

O que mais dói no amor, são as traições, pois nunca se perdoam!

 

Até amanhã com mais um discurso sobre a cidade.