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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Em Chaves há árvores que não morrem de pé

29.09.06 | Fer.Ribeiro
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Dizem que as árvores morrem de pé, pois esta é uma excepção à regra – morreu deitada.

Ao que sei, os entendidos na matéria, aquando do arranjo da envolvente do Forte de S.Francisco não deixaram retirar esta árvore por ser de uma espécie protegida. Na altura, a árvore embora já tombada ainda estava viva. No entanto, com o decorrer das obras a árvore acabou por, definitivamente, morrer. Admito que a ideia inicial de a proteger (enquanto viva) e até de a aproveitar como elemento decorativo, tinha um certo interesse, mas com a sua morte tudo mudou.

Em principio (acho eu) deixou de ser protegida porque está morta e assim, embora continue a achar que ainda pode ter um certo interesse decorativo, a árvore deixa de ter uma razão legal de existir no local e até de ter o seu interesse inicial. Além da razão legal, ou do possível interesse decorativo, há o perigo da existência de uma árvore morta num local público. Não que ela venha a cair, porque já está caída, mas sim porque é um convite às crianças das duas escolas próximas (Esc. Sec. Dr. Júlio Martins e Esc. Sec. Fernão de Magalhães) e outras crianças de visita ao jardim, para sobre ela darem liberdade ao seu imaginário e às suas brincadeiras. Como morta que está, os galhos da árvore deixaram de ter a resistência (estão podres) coisa que as crianças no seu imaginário nunca colocarão em causa, o que transforma a árvore num de atracção sim, mas perigoso.

Há largos meses que tenho o registo fotográfico desta árvore e também há muito que queria publicar este post, mas só hoje o faço porque acho que já passou o tempo suficiente para publicar este post a frio.

Acontece que neste cenário e nesta árvore ocorreu um acidente grave com uma criança há uns meses atrás, que por pura sorte não foi mortal, embora grave. A criança em causa, por mero acaso, é meu sobrinho, com ele estava o meu filho e mais meia dúzia de amigos que num intervalo de aulas brincavam inocentemente nesta árvore. Graças a Deus tudo terminou em bem. O meu sobrinho recuperou e aparentemente as lesões não deixaram mazelas e, serviu-lhe de lição, a ele, ao meu filho e aos amigos.

E tudo poderia terminar em bem. Mas hoje, mais uma vez senti um “arrepio na espinha” ao passar por lá e ver outras crianças que inocentemente se penduram e brincam nos galhos desta árvore morta, que sem saberem do perigo que correm, podem estar a arriscar a própria vida e surgiu-me de novo a pergunta:

- Não seria já tempo de esta árvore ser retirada? Digo eu, que nada percebo do assunto, mas que sou pai, tio e amigo dos amigos dos meus filhos.

Até amanhã, numa aldeia do concelho, onde as árvores quando morrem só servem para arder numa lareira.