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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Verificação dos Marcos de Origem - Chaves - Portugal

23.04.08 | Fer.Ribeiro


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Tal como o Miguel Torga que de vez em quando passava pela fronteira para ver se os marcos estavam no sítio, também eu durante esta semana andei a fazer alguns registos fotográficos dos marcos da minha infância, começando pelo Brunheiro.

 

Claro que ao Brunheiro, qualquer flaviense presente o tem debaixo de olho todos os dias, pois é impossível viver em Chaves e não ver a nossa serra maior, seja de onde for. Pode-se nunca ter entrado por ela adentro, mas entra ela em grande parte dos nossos olhares. Mas o meu relacionamento com o Brunheiro já não é de hoje, acho mesmo que é desde o tempo em que nasci e, que o tinha mesmo ali ao lado por companhia. Era nele que projectava também o cenário de grande parte das estórias de lareira, era a serra dos lobos e também das grandes aventuras de exploração, mesmo que em puto pouco mais fosse além do seu sopé, aliás, acho mesmo que a grande descoberta do Brunheiro só a fiz em adulto, quando comecei a percorrer os seus caminhos e a inverter os olhares, ou seja, em vez de olhar desde a cidade para o Brunheiro, passei a olhar a cidade desde a serra. Curiosamente uma das minhas fotos preferidas de sempre e que até serve de cabeçalho ao meu blog de fotografias, foi tomada num nascer do sol por entre carvalhos em plena intimidade da Serra.


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Um dos meus caminhos de infância que levava até à serra era o caminho da Casa Azul, até ao Sr. da Boa Morte, e por aí fora até à Quinta da Condeixa. Caminho que, penso eu, segue o mesmo traçado da antiga calçada romana, uma das Vias Augustas. Pois a meio deste traçado, e desde que tenho memória, existia a casota do pastor, estrategicamente colocada junto à boa sombra de uma oliveira. Passei por lá para ver se tinha ainda todas as tábuas no sítio. Espanto-me sempre, pois está sempre lá. Garanto-vos que esta casota habita este sítio há mais de 30 anos, mas parece sempre ter sido acabadinha de estacionar. As tábuas estão todas lá, como novas. Para o ano, passo por lá novamente para ver se tudo continua até aqui.

 

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O meu ponto de origem só tinha dois lados – o da serra e o da cidade. No meu tempo de puto, quando íamos “lá baixo” à cidade, havia quatro passagens para a outra margem. A Ponte Romana, a mais utilizada, a Ponte Nova, as poldras do Caneiro e a Barca. Curiosamente na altura, as poldras tinham muito trânsito pedonal, principalmente do pessoal do Caneiro, pois era o caminho mais directo para o bairro. Também eu muitas vezes trocava a Ponte Romana pelas Poldras, mesmo que para isso tivesse de fazer um desvio da minha rota ou do meu traçado oficialmente aceite lá por casa. Mas era um gosto passar o rio pelas poldras. Gosto que era partilhado por muitos dos meus colegas e amigos de escola primária, principalmente naquele ano de 68/69 em que por motivo de obras na escola do Caneiro íamos receber aulas à escola do Stº Amaro. Ainda por cima as poldras tinham o encanto de desaguar num Jardim do Tabolado, novinho em folha, bancos branquinhos, candeeiros em forma de cogumelo … sem dúvida alguma os melhores tempos daquele jardim.

 

Claro que para chegar até às poldras havia um caminho, que ainda existe, mas que tem os seus dias contados, pois as obras POLIS em curso do arranjo da margem esquerda não

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contemplam esse caminho, e é pena, pois é um caminho com muita história e muitas estórias para contar e até poderia ser perfeitamente integrado nos actuais arranjos, nem que fosse como um troço de caminho romântico a lembrar caminhos de outros tempos. Mas ao que parece as novas tendências da arquitectura não contemplam romantismos nem passados e muito menos as suas estórias. Tenho pena de não entender muito bem as novas tendências.

 

Claro que tinha que deixar por aqui uma foto do caminho das poldras e mesmo demolido, ficará para todo o sempre em registo fotográfico, para além do imaginário de criança, muitas crianças pela certa.

 

Até amanhã de novo em Chaves cidade.

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