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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - As Freiras da esquina do Lopes ao Aurora

27.09.06 | Fer.Ribeiro
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Quem não tem passado, não existe.

Há dias, um visitante do blog deixou estas palavras no comentário a um post aqui publicado: “todo o homem que não se volta para trás no caminho da sua vida para ver suas raízes é um homem perdido”. São palavras sábias que me deixaram a reflectir…

Mas vamos ao post de hoje, ao qual o intróito não poderá ser alheio.

Infelizmente legendo a fotografia com: Chaves – Freiras, pois o tempo do jardim já lá vai. Mas, infelizmente também, já começo a dar a perda do jardim como consumada, uma perda ao qual está ligada muito do passado de Chaves.

Já várias vezes o disse aqui, que as freiras sempre foram um lugar emblemático da cidade, principalmente nas últimas (largas) dezenas de anos ou melhor, desde que o Jardim das Freiras foi construído. Tudo que existia à sua volta, faziam das Freiras o coração da cidade. Os Correios, a Caixa Geral de Depósitos, a GNR, os Bombeiros, o Liceu, a padaria da esquina, o barbeiro Inácio, o pronto a vestir, o café Sport, a esquina do Lopes, a loja das peças e o Aurora. Mas era à noite que as Freiras ganhavam toda a sua grandeza, principalmente de verão.

Mas deixando de parte toda a vida das Freiras, hoje quero mesmo e falar do pormenor, de dois em concreto que são reproduzidos em imagem na foto de hoje: o Aurora e a esquina do Lopes.

O Aurora
Curiosamente o Aurora é o que mais se assemelha às Freiras, acompanhando-as em toda a sua vida, decadência e morte. Embora hoje ainda exista, o Aurora está longe dos seus períodos áureos e de um café de referência na cidade de Chaves. Mas tem o seu passado, um passado rico por onde passaram todas as personagens locais e as que eram visita da cidade. Personagens intelectuais, políticas, das artes, do jornalismo, da cultura, do negócio. Era local de conversa de tertúlia e até de poesia:

“ Assapado de nariz levantado
Erguido o olho no mesmo sentido
Aí vai o que sai
Aí se assenta o que entra
E os que estão, fazem questão de fazer serão

A toalha na mesa tem certa beleza…
Parece que assim o sente a adolescente, contente
Que já é gente naquele ambiente
E as que maneiam o cu nas freiras
E entram lá dentro com tantas peneiras
E o intelectual das águas, bica e jornal…
E o caixadóculos RB? – ah!...
E os que enganados lá vão e saem corados

No aurora não nascem auroras
E é às alumias que servem os dias”

“in Família de Palavras”

A esquina do Lopes

Para quem não sabe, o Lopes era o nome do pronto a vestir que existiu no rés-do-chão da esquina (que curiosamente nunca foi em esquina) entre as Freiras e a Rua de Stº António. Lopes era o apelido do proprietário (que faleceu prematuramente nos anos 70) e que era filho do proprietário da Casa Lopes, outra loja do mesmo género situada na Rua de Stº António.

No entanto a esquina do Lopes ficou conhecida por aí se concentrarem alguns jovens “críticos” da vida das Freiras e da vida flaviense ou como hoje seriam chamados - um grupo da “má-língua” e da provocação. Eram um terror, principalmente para as jovens mais modestas passarem por lá e um desafio às que mais ousadas também por lá passavam em tom de provocação. Havia também quem apelidasse a esquina por “esquina dos tristes”. Fosse como fosse, da esquina do Lopes ninguém saía ileso.

E hoje foi assim, um regresso ao passado recente das freiras dos anos 70 e 80, pois ainda é assim que recordo este cantinho das Freiras.

Amanhã, cá estarei de novo noutra esquina da cidade.

Até amanhã!

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