Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

São Cornélio - Chaves - Portugal

04.05.08 | Fer.Ribeiro


.

Então vamos até mais uma aldeia do nosso concelho – S.Cornélio.

 

De nome, é uma das aldeias que conheço há mais tempo e pela simples razão de “lá em casa” se falar de S.Cornélio desde que tenho memória, tudo graças a um familiar e meu padrinho de baptismo que por lá passou como feitor, penso que por volta dos anos 50. Pessoalmente, pensava eu que conhecia a aldeia há mais de 20 anos, pois era aldeia de passagem para as restantes aldeias do grande planalto, e sempre o foi até há uns fins-de-semana atrás.

.

 


.

 

Já há muito tempo que aprendi a não julgar as pessoas pela aparência pois, é necessário entrar no seu interior para verdadeiramente as conhecermos. Com as aldeias, passa-se o mesmo. 20 anos a passar por S.Cornélio e nunca lá tinha parado. Pensava conhecer a aldeia, mas puro engano, pois tal como as pessoas, também foi entrando dentro dela, do seu núcleo, que fiquei a conhecer S.Cornélio, e diga-se, surpreendeu-me pela positiva, quer pelo seu casario quer pelas suas gentes.

.

 


.

 

Vamos começar pelas pessoas, pois são elas que fazem as aldeias. As de S.Cornélio, são simpáticas, hospitaleiras, conversadoras, abertas e divertidas. É uma daquelas aldeias à qual vamos para passar por lá uns 15 ou 20 minutos e acabamos por ficar duas ou três horas, e não é tempo perdido, pois com o pessoal de mais idade, aprende-se muito e descemos ao pormenor da identidade dos sítios, das ruas, das casas, das gentes e da vida. Alguns são um enciclopédia não editada, com pormenores, nomes e datas precisas. Gente que já passou por guerras e revoluções, por africas e europas, por tempo de fome e e dias melhores, até por Reis e muitas Repúblicas e que descendo na genealogia dos conhecimentos, acaba-se uma conversa como se fossemos grandes amigos de sempre.

.

 


.


Quanto ao casario do seu núcleo, tem muito do tradicional em granito das nossas aldeias. Não há casario senhorial e a aldeia também não é grande, mas tem pormenores preciosos e dignos de serem apreciados. Construções novas e novas intervenções, também há algumas, mas mais na periferia da aldeia, mantendo quase intacto o seu núcleo.

.

 


.

 

Geralmente, quando entro nas aldeias, já levo na ideia um ou dois pontos de interesse, principalmente quando já estão referenciados. Para S.Cornélio não levei nenhuma referência, pois mais uma vez o meu destino não era esta aldeia, mas já que passava por lá resolvi entrar no seu núcleo para dar uma vista de olhos com a intenção de uma visita futura. Acabei por ficar por lá e claro que tive de ir perguntando o que havia por lá de interessante. O Carvalho, foi-me apontado por todos, e com razão, pois é um imponente carvalho, que segundo me disseram os mais velhos, já na casa dos noventa anos, já se lembram dele assim desde que são pequeninos. Ou seja, tudo indica que seja um carvalho que irá para além dos 150 ou 200 anos de idade e por isso, merece o respeito e admiração de todos. Nas aldeias, graças a Deus, ainda há respeito e admiração por aquilo que é antigo.

.

 


.

 

Mas, e depois deste longo intróito, vamos lá “oficialmente” para S.Cornélio.


 

Fica a 18 quilómetros de Chaves, mesmo ali onde o grande planalto começa a descer para o vale de Chaves. Desde a aldeia avista-se quase todo o vale, incluído a cidade, terras de Monforte, de barroso com o Deus Larouco a espreitar ao fundo e terras da Galiza.  Aliás a riqueza das vistas compara-se à da riqueza da terra, não de muitas culturas, mas rica em batata de qualidade e centeio, culturas que se prolongam por todo o planalto.

.


 

.

 

S. Cornélio pertence à freguesia de Travancas e o acesso pode-se fazer (a partir de Chaves) pela E.N. 103 ou pelo seu ramal E.N 103-5, ou seja, por Faiões, até a Bolideira, ou por Vila Verde da Raia, Curral de Vacas e Mairos. Pessoalmente, vou sempre por um lado e regresso pelo outro, é indiferente por onde se começa.

.

 


.

 

É uma aldeia que não foge à regra da desertificação, com muita gente envelhecida, emigrantes, casario do núcleo também envelhecido e apenas três ou quatro crianças em idade escolar.

.

 


.

Quanto à sua história, até 31 de Dezembro de 1853 pertenceu ao extinto concelho de Monforte de Rio Livre. Eclesiasticamente pertenceu à diocese de Miranda do Douro e depois a Bragança até 1922, data em que foi criada a diocese de Vila Real.


 Entre o casario rústico é de destacar a fonte e o forno comunitário do povo que ainda continua a funcionar, menos que antigamente, claro.

.

 


.




A capela é da devoção a S. Cornélio. Tudo leva a crer que o seu povoamento remonte ao século IX. sob o nome e invocação deste santo que foi papa e condenado à morte em 14 de Setembro do ano 252.


Além da capelinha, possui também uma Igreja recente, curiosamente ambas pintadas de branco e na periferia da aldeia.

 .


 

.


E sobre S.Cornélio pouco mais há a dizer, a não ser agradecer ao pessoal de S.Cornélio a simpatia e a recepção e fica também cumprida a promessa das tais fotos para serem vistas em França e para recordar uma boa tarde passada na terrinha.

 

Até amanhã de volta à cidade.

25 comentários

Comentar post

Pág. 1/3