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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Discursos Sobre a Cidade

16.05.08 | Fer.Ribeiro

 

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Chaves, o lúcio e as vanguardas científicas

 

um poema de José Carlos Barros

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

Muito particularmente propícias lhe são ao lúcio as fracas correntes

e a existência de vegetação e obstáculos

por ser à má fé quase sempre com voracidade que ataca

as suas inúmeras e diversificadas presas. Onde chega

 

desinça. Menos de quinze dias demoram

em cada um dos mais de vinte mil ovos da postura

de uma única fêmea de quilo as novas crias a eclodir

havendo de atingir as mais vorazes delas e menos lorpas

 

o tamanho impressionante de metro e meio. Tendo chegado

ilegalmente introduzido às albufeiras de Chaves aqui há uns tempos

cedo começaram as discussões sobre a arte de pescar o lúcio

parecendo certo que o seu comportamento

 

preferencial de emboscada recomendaria um isco vivo

contrastante com o verde vegetal dos fundos e das margens.

Uma e outra técnica foi sendo apurada. Mas ninguém como Manuel G.

trazia ao fim da tarde e ao fim de semana

 

exemplares assim em dimensão e impressionante

número. Em vão se foi tentando conhecer o segredo do sucesso

que Manuel G. guardava pescando sozinho e rejeitando grupos

como de resto solitários não sendo tempo de reprodução

 

vivem os lúcios. Ora como não há espécie autóctone

que não sucumba aos alienígenas predadores

de poderosas barbatanas propulsoras

também não há segredo que sempre dure. E por um neto

 

de seis anos e depois por de facto se confirmar nas lojas

respectivas da cidade se descobriu o segredo

concomitante a mais este valioso contributo científico

do burgo de Flávio para o conhecimento da ecologia das espécies.

 

E sabe-se agora portanto que não apenas em Chaves

o lúcio desinça um por um quantos exemplares

de quantas espécies povoam as pequenas albufeiras da envolvente

como também desinçou levando ao respectivo

 

esgotamento de stock nas três lojas da cidade

os peixinhos vermelhos que as criancinhas

gostavam tanto que os papás lhes comprassem para depois verem

a nadar em casa dentro dos aquários de vidro.