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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

"Ponte Romana!" - "a pedonal já!" ou "politiquices" - escolha o título...

21.05.08 | Fer.Ribeiro

 

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Nem sei por onde começar. A página em branco à minha frente, já por si, aterroriza, mas quando o assunto sobre o qual queremos falar tem tanto de delicado como de estupidez, a coisa complica-se, ainda para mais quando é da nossa donzela e Top Model Ponte Romana que se trata.

 

A questão da ordem dos últimos dias em Chaves é se a Ponte Romana vai ou não abrir ao trânsito automóvel após as obras em curso. Pelo que oiço, à excepção de três ou quatro comerciantes da Madalena (apenas isso), do Presidente da Junta e, por motivos particulares de um ou outro cidadão, toda a população vê com bons olhos o fecho definitivo e permanente do trânsito na Ponte, que aliás é ou seria uma decisão de bom senso, pelas mais e variadas razões. Mas quando a política (partidária) e a contabilização dos dividendos que se pode tirar da polémica são postos em cima da mesa, o caldo entorna-se e o bom senso é pura e simplesmente esquecido ou posto de lado.

 

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Se por um lado até posso tentar compreender as situações particulares (embora comodistas) de alguns cidadãos e a situação de alguns comerciantes da Madalena (embora sinceramente pense que estão errados, pois lucram mais com os peões do que com os carros), o que não entendo é a posição do Presidente da Junta da Madalena, dos representantes do PSD na Câmara Municipal e do Partido Socialista, pois quanto aos outros partidos não conheço a sua posição oficial.

 

Então é assim: O Presidente da Junta da Madalena defendeu há tempos numa entrevista a um jornal local, que resumindo, dizia (mais ou menos)  que por várias razões válidas e importantes como tratar-se de um monumento nacional,  até estava de acordo que a ponte fechasse ao trânsito, mas que por não existir uma ligação directa e aceitável entre a rotunda da Av. Dr. Mário Soares (localizada entre a Adega Cooperativa e a Ponte de S.Roque) e o núcleo da Madalena, não poderia estar de acordo com o fecho do trânsito na Madalena. Embora discutíveis as suas razões, ganharia muito mais poder reivindicativo para as suas pretensões com a ponte sem carros, do que com carros, pois com estes, a tal ligação (com a qual concordo plenamente) deixa de ser prioritária, embora considere que para quem tem carro, tanto faz andar mais 100 metros como menos 100, já que a Madalena é servida pelas duas outras pontes. Já o mesmo não acontece com quem anda a pé. Além disso, a Madalena (freguesia), não se resume ao núcleo do Bairro da Madalena, pois estende-se até ao Seixal, Ribeira das Avelãs, Caneiro, Campo da Fonte, Casa Azul, Sr. da Boa Morte, etc.

 

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Quanto à posição do Partido Socialista, soube ontem pelo Jornal de Notícias que na próxima reunião de Câmara (que penso será hoje) vai propor um referendo local para decidir se a Ponte Romana deve ou não ficar encerrada ao trânsito. Sinceramente nem sei se chore ou se ria com tal proposta que (na minha opinião) tem tanto de absurda como de ridícula e leviana, que só demonstra inexperiência política dos seus proponentes, e por variadíssimas razões. Todos sabemos que a Constituição da República prevê no artigo nº 240 o Referendo local, que a meu ver, deverá ser um instrumento a utilizar (tal como o referendo nacional) em questões relevantes, neste caso, do interesse do concelho. Embora a questão do trânsito na Ponte Romana seja importante para a sua preservação e vida, ou qualidade de vida da cidade, para a mobilidade dos peões, para o turismo, respeito por 2000 anos de história, para o comércio tradicional (embora alguns comerciantes não o entendam assim) e ainda como abertura a uma série de eventos que poderão ser desenvolvidos no seu tabuleiro, daí e embora todas estas razões e mais algumas, não é uma questão relevante para o concelho e se o é, então muitos referendos ficaram por fazer e, se terão de fazer nesta cidade. Eu proponho e avanço já com um, e este é bem sério, que é o de saber se a população flaviense concorda ou não que sejam demolidos todos os mamarrachos construídos no centro histórico.

 

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O referendo é uma coisa séria que deve ser encarada com seriedade e não banalizada ao jeito de cair no risco de anedota do gato fedorento (é a minha opinião e leitura que faço do referendo).

 

Outra das razões pela qual o Partido Socialista deveria ficar caladinho, é porque quando foi maioria na Câmara Municipal, teve muitas oportunidades para ter fechado a Ponte Romana ao trânsito e, com esse pretexto até foi construída a Ponte de S.Roque, mas nunca o fez, talvez por causa das mesmas pressões e argumentos que o actual executivo sofre e utiliza para não a fechar definitivamente ao trânsito. Como disse há dias, é aqui que entram as questões da fruta que cada um tem….

 

E quanto ao Partido Socialista estamos conversados.

 

Quanto à maioria PSD, que é que decide, digamos que fiquei feliz quando se propuseram efectuar as obras em curso com a intenção (segundo consta em todas as notícias que têm vindo a lume) de fechar o trânsito na ponte. Claro que só poderia ser uma opção com a qual nos congratulávamos e que há muito era ansiada, estou em crer, pela maioria da população flaviense. Mas mal começaram as obras começaram também os zunzuns e as movimentações por parte de meia-dúzia de comerciante (ao que consta) e logo todas as boas intenções em relação à ponte caem por terra e ao que apurei pela tal publicação de ontem no Jornal de Notícia, que passo a citar: «"Aquilo que está previsto, quando a ponte reabrir, é mantê-la encerrada ao trânsito das 20 às 8 horas, durante os dias da semana, e todo o dia aos sábados, domingos e feriados",  revelou, ao JN, o presidente da Câmara, João Batista, lembrando que esta solução tem em conta o facto de estar já em obra a construção de outra travessia pedonal sobre o Tâmega».

 

Pessoalmente até concordaria se o horário de abertura ao trânsito automóvel fosse ao contrário, ou seja, o trânsito automóvel estar aberto entre as 20 e as 8 horas, pois já todos sabemos que durante esse período (com a desertificação habitacional do centro histórico) o centro histórico não tem movimento.

 

Ou seja, se era para manter aberto ao trânsito automóvel a ponte romana, as actuais obras não tem qualquer justificação, antes pelo contrário, pois com a abolição dos passeios, fica posta em causa a segurança dos peões, além de, todo aquele novo pavimento de granito branco, em dois tempos ir à vida, pois não é preciso ser engenheiro (basta ser pedreiro) para perceber que este tipo de granito é macio, poroso ou seja, pouco resistente a cargas, além de, no melhor pano cair a nódoa, pois naquele branquinho, os óleos e borrachas dos pneus dos carros, vai cair a matar.

 

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E aos que me acusam de só falar mal das coisas que se fazem na cidade, fica o recado: Eu bem queria falar bem, mas assim, lamento, mas não posso.

 

Resta-me a consolação de durante uns largos meses gozar e ver a ponte romana fechada ao trânsito, pois parto do principio que enquanto a nova ponte pedonal não estiver pronta , a romana não abrirá ao trânsito automóvel.

 

 

Só lamento mesmo é que o fecho ao trânsito automóvel da ponte romana, que não passa de uma questão de bom senso e respeito, seja mais uma vez transformada numa questão e luta política e partidária, e mais grave que isso, de favorecimento de meia-dúzia de comerciantes, em detrimento da maioria da população, que diga-se também a verdade, tem aquilo que merece, pois assiste impávida e serena à decisão que lhes cair em sorte.

 

Da minha parte e para os devidos efeitos como cidadão português em uso de todas as suas faculdade e direitos e,  já que a coisa cai para o referendo e tal… também uso o direito que a constituição da república me dá no seu artigo 37º (Liberdade de expressão e informação), ponto 1 e 2, em que todos têm o direito de exprimir e divulgar o seu pensamento pela palavra, pela imagem, ou por qualquer outro meio……. Onde está pela certa incluído o da indignação, pois é assim que me sinto – Indignado!

 

Até amanhã!

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