Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vale do Galo - Chaves - Portugal

01.06.08 | Fer.Ribeiro

 

.

 

E já que ontem andamos por Santa Ovaia, subimos mais um bocadinho, quase até à “crôa” do monte e eis que estamos em Vale do Galo, a nossa aldeia de hoje.

 

Desde a primeira vez que ouvi o nome da aldeia que tinha curiosidade em conhecê-la, coisa que aconteceu há pouco mais de 20 anos aquando numa deslocação profissional à Dorna, e diga-se, que foi uma dor de cabeça para chegar lá, pois em pleno Inverno chuvoso, caminhar pelos caminhos de então, era uma autêntica aventura.

.

 

.

 

Hoje, felizmente, já tem bons acessos e simpáticos, daqueles em que apetece parar a todo o momento para se apreciar e fotografar a paisagem.

 

Vale do Galo é uma pequena aldeia, eu diria mesmo que das 140 aldeias do concelho, só a extinta Vila Rel, Nogueirinhas e S.Domingos são mais pequenas que Vale do Galo, mas nem por isso deixa de ser uma aldeia com vida. Embora pequena e, segundo os Censos de 2001, possuía apenas 27 habitantes, mas relativamente à sua dimensão, não se pode falar em despovoamento, mas antes, só e apenas, em envelhecimento da população.

.

 

.

 

À sua escala é uma aldeia que também tem os seus emigrantes, alguns que já regressaram e que hoje se dedicam a outras lides. No Inverno passado (que parece  resolveu ficar por cá) conheci o “guarda” da ovelha e do burro que aparece numa das fotos. Conversei um bocadinho com ele, inicialmente pensei tratar-se de um dos resistentes que tinha ficado pela aldeia, mas tratava-se de um ex-emigrante regressado à terrinha que sempre teve no coração. Por curiosidade perguntei-lhe em que país tinha estado emigrado e pasmei de espanto com as palavras do “pastor”. França, Alemanha, Suiça, Itália, e grande parte dos actuais países de leste, incluindo a Rússia, pois a empresa para a qual trabalhava tinha interesses em todos esses países.

.

 

.

 

Conto esta pequena passagem deste ex-emigrante, igual ou semelhante à vida de muitos dos nossos emigrantes,  pela simples razão de muita gente das cidades, principalmente das grandes,  olhar (ainda hoje), para o pessoal das nossas aldeias de província, como uns parolos que nunca saíram de trás das fragas, quando na realidade os parolos são os “intelectuais” dessas grandes cidades que assim pensam, que nunca saíram delas e que nem por perto chegam aos calcanhares da vivência e experiências de muita da nossa gentinha das aldeias, principalmente dos emigrantes.

.

 

.

 

Mas regressemos a Vale do Galo, que pertence à freguesia de Santa Leocádia e fica a 18 quilómetros de Chaves,  essa pequena aldeia localizada já no limite do concelho de Chaves, ali mesmo à beirinha de terras de Valpaços (Vilarinho do Monte), aldeia rica em castanheiros e castanha, da melhor castanha que vai havendo, algum gado (ovelhas) e onde até há um jovem casal que já produz cravos (em estufa) sabe-se lá para que destinos desta Europa hoje comunitária.

.

 

.

 

Quanto aos caminhos até à aldeia, podem seguir os mesmos que vos levaram ontem a Santa Ovaia.

 

Quanto ao resto, que mais há para dizer de uma pequena aldeia!?

 

À primeira vista, quando nos referimos a Vale do Galo teremos tendência a pensar num galo de capoeira e num vale, pois ao que apurei, nenhuma das tendências pensantes são verdadeiras. Vales no cimo da montanha são pouco prováveis, embora as suas terras não sejam sinuosas quando muito podemos por lá inventar minúsculos vales. Quanto ao Galo, tudo indica que este topónimo provenha de apelido de gente, de um antigo senhor ou dono daquelas terras. Curiosamente e segundo apurei, existe na capela um São Galo, que (confesso a minha ignorância) nem sabia que existia.

.

 

.

 

Vale do Galo é também aldeia de passagem, pelo menos para a Dorna (para que vai de Chaves) ou para Chaves (para o pessoal da Dorna e outras aldeias de Valpaços), talvez por isso a padroeira da aldeia seja a Sr.ª da Boa Viagem que honram com festa no primeiro Domingo de Agosto e que este ano calha no dia 3 desse mês, com certeza alegrada com alguns dos seus filhos emigrados e dos vizinhos das aldeias, que a festas, nunca faltam. Pela certa que será também uma festa à escala da aldeia, mas o importante mesmo é que tenha gente para a festa.

 

Claro que quanto a fotografia, para além das paisagens naturais, a aldeia não tem muito para oferecer, pois as casas são poucas, mas vi mais gente em Vale do Galo que em muitas das grandes aldeias do nosso concelho.

 

Até amanhã de regresso a Chaves.

2 comentários

Comentar post