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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Um passeio pelo Tabolado, Chaves, Portugal

18.06.08 | Fer.Ribeiro

 

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Dizem que Chaves é uma cidade calma, provinciana e calma, e é-o. Dizem também de Chaves, que tem qualidade de vida – discutível para o que se poderá considerar qualidade de vida, pois se toca a gastronomia, às couves e batatas, pureza do ar, qualidade (ainda) das águas, gentes e amizades, digamos que há qualidade de vida. Agora quanto a oportunidades, acesso às mais variadas actividades culturais e artísticas, ocupação de tempos livres e lazer, coisa e tal, aí as coisas já piam mais fino, e estamos encerrados e/ou limitados ao nosso provincianismo. Enfim, mesmo assim, para nós flavienses, Chaves é a nossa terrinha, e no que toca a terrinhas, o amor por elas lá vai desculpando muitos pecados e ausências, lá nos vamos conformando conforme as situações.

 

Mas em Chaves também se stressa, ou melhor, também nos cansamos, também temos falta de tempo e também isto e aquilo, afinal de contas a qualidade de vida é relativa ao nosso provincianismo. Quando assim acontece, “stressamos”, e cada um lá vai resolvendo o assunto à sua maneira. Pessoalmente, entre outras soluções, uma voltinha à beira rio, um passeio fotográfico entre Ponte Nova e Ponte Romana, sozinho ou numa boa companhia, e, entenda-se por boa companhia a minha assessora fotográfica ou alguém amigo, restituem-me  todas as forças para mais um dia ou semana de trabalho.

 

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Claro que toda a calmaria à beira rio, além de restituir forças, também dá para pensar um pouco a cidade e ver a ferocidade e monstruosidade (também relativa e provinciana) com que ela vai sendo tratada. Chaves também é rica nestes acontecimentos e até em verdadeiras (ou não) espantosas feras, até lendárias ou mitológicas (também relativas e provincianas)

 

O blog Capas e Companhia, de autor flaviense,  (link aqui), ao longo das últimas semanas, por episódios, tem vindo a contar a história da Espantosa Fera de Chaves, uma história real e, diria que, desconhecida de todos os flavienses. A história desta Espantosa Fera de Chaves já vai no VII capítulo e para os interessados em histórias de feras e monstros do passado e também na história da nossa cidade, é uma história a não perder e a acompanhar, toda ela baseada em documentos e correspondência reais. Poderá acompanhar a história da Espantosa Fera de Chaves no blog Capas e Companhia, ficando o link para o primeiro episódio aqui.

 

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Mas deixemos este pequeno aparte e retomemos o passeio à beira rio, onde se pode ter a calmaria suficiente para até pensar a cidade e onde facilmente se pode ver como o sol se pode tapar com peneiras, as de peneirar e as dos que as ostentam.

 

Agora é também um passeio que tem os seus aliciamentos, pois há obras à beira rio, e todos sabemos em questão de obras, todos os flavienses são mestres, fiscais e engenheiros, todos por conta própria e o engraçado da questão, é que até os patos “bravos” do Tâmega estão interessados nestas obras, sempre à espera que lhes caia qualquer coisinha.

 

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Pois aquela ponte que eu há tempos dizia que era um luxo que ainda por cima só servia para ir às couves do Caneiro, agora já tem alguma justificação, nem que seja a de ligar ao outro lado, aos carreiros que por lá estão a ser feitos, mas nem por isso (minha opinião) deixa de ser um luxo de uma ponte pedonal absolutamente desnecessária, pois a Ponte Romana, a nossa Top Model, já há muito que tem essa função pedonal e que agora, a grande maioria dos flavienses, quer que o seja exclusivamente (pedonal). Mas uma coisa vamos ter que admitir, é a que a nova ponte pedonal vai ser um belo exemplar de ponte e de obra de arte, daquelas que se vêm e vai dar nas vistas e, que para a inaugurar qualquer político veste o melhor fato, bota-lhe gravata italiana, chama a banda e lança foguetes para o ar (pum, pum, pum!). Mas não deixa de ser um luxo e se é que tenho direito a continuar a ter opinião, penso mesmo, que em tempo de crise em que há ainda tanta coisa para fazer na/e pela nossa terrinha, o único elogio que deixo para este luxo vai para o projecto e para o seu autor, o flaviense Engº Mário Veloso.

 

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Bem, mas já que as margens do rio estão em obras, e o Tabolado desde sempre foi e ainda é o jardim dos namorados, pode ser que alguém (responsável) repare que as poldras, como numa imitação de namoro, também se vão encostando umas às outras e algumas até já partiram de lua de mel. Poldras que, estas sim, sempre foram exclusivamente pedonais e que também têm a sua história e o seu encanto.

 

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Já agora que por aqui falo (ou desabafo) há também pequenos pormenores ou mamarrachitos que destoam de todo do bom ambiente que há à beira rio. Um deles, incomoda-me particularmente, e é um armário eléctrico, com pedestal em betão, todo enferrujado e que tapa uma das melhores poses que a nossa Top Model tem. Concerteza que há soluções para tirar dali aquele mamarrachito, assim haja vontade ou alguém que tropece com ele, mas, claro que também compreendo que a “obra” não é urgente, e que  embora não fique bem na fotografia, não dá direito a fato, gravata italiana, nem sequer uma corneta da banda ou um “únicozinho” “foguetinho” no ar, nem um pum(zinho) sequer, e nem que seja só por isso, lá continuaremos a tê-lo por companhia, este e muitos mais sem direito a pumzinho!     

 

E já que falamos em dias de festa, puns e punzinhos, alegremo-nos ao menos com o dia de hoje, quarta-feira, dia de feira na cidade, em que qualquer restaurante que se preze tem feijoada ao almoço.

 

Até amanhã!

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