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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Fernandinho - Chaves - Portugal

28.06.08 | Fer.Ribeiro

 

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Fernandinho vai ao vinho

Quebra o copo pelo caminho

Ai do copo ai do vinho

Ai do cu do Fernandinho

 

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Tinha de começar assim, embora a quadra nada tenha a ver com a nossa aldeia de hoje de Fernandinho, aliás nem é terra de vinho, mas antes uma das terras ricas da castanha, mas comecei assim, porque esta aldeia é uma das aldeias do meu imaginário de criança e também a quadra está ligada aos meus tempos de puto, pois muitas vezes me cantaram ou recitaram a quadra… recordações de infância aparte, vamos lá até Fernandinho sem vinho.

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Fernandinho é mais uma das aldeias de montanha, da Serra da Padrela, ali para os lados onde o concelho de Chaves segue meio indeciso por terras de Montenegro (Valpaços) ou de Vila Pouca de Aguiar, ali para os lados da boa castanha cuja qualidade é reconhecida por esse mundo fora mas que parte para ele anonimamente, sem carimbo, rótulo ou certificado de qualidade de mais um dos produtos naturais e de qualidade made in Chaves. Mais um dos produtos a juntar ao presunto, ao pastel, ao folar, à batata, às couves, ao mel, a vinho, à cereja  e a tudo de bom que por cá se faz e produz, pena é que não haja quem verdadeiramente se interesse por aquilo que temos de bom, em certificá-los, em promove-los e que,  quem o deveria fazer, ande entretido, distraído ou ensaiar novas soluções e novos futuros para o concelho, quando temos cá tudo e não é preciso inventar nada. Lamentos e contas de outros rosários mas que hipotecam o futuro de aldeias como Fernandinho.

 

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Fernandinho fica a 26 quilómetros de Chaves, pertence à freguesia de Póvoa de Agrações e é mais uma pequena aldeia de montanha com apenas 30 habitantes (Censos 2001), dos quais 4 tinham menos de 20 anos e 8 mais de 65 anos. Números curiosos, pois embora seja uma aldeia pequena, com pouca população, a sua maioria encontrava-se entre os 20 e os 65 anos, ou seja, uma aldeia que contraria as aldeias de montanha quanto ao envelhecimento da população e até quanto ao seu despovoamento, pois Fernandinho não é uma aldeia despovoada, mas simplesmente pequena e que ao contrário de aldeias grandes, com muitas casas e sem gente nas ruas, em Fernandinho há sempre gente, pouca, mas há.

 

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Quanto a crianças em idade escolar, penso que apenas há uma a frequentar a escola EB2,3 de Vidago. A escola do primeiro ciclo, ainda por lá existe, mas alunos e professores, são coisas do passado. Curiosamente na minha última deslocação à aldeia, no recreio da escola, encontrei por lá um velho “doutor”, já russo do pelo e muito distraído, pois continua à espera do professor e ainda não se apercebeu que naquela escola já não se aprende nada, aliás como acontece na maioria das escolas das aldeias do concelho. Escolas não faltam, faltam é alunos, e não me venham com a desculpa da televisão, que aqui a televisão não tem qualquer culpa.

 

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Do ponto de vista de casario tradicional de montanha em granito, não é uma aldeia interessante, pois a maioria das suas poucas casas são recentes ou com intervenções recentes, mas já o mesmo não se pode dizer quanto a vistas e paisagens naturais, pois desde Fernandinho vê-se todo o amontoado de montanhas que se perdem de vista e entram até pelo barroso e Galiza adentro, tendo em primeiro plano o muito verde do arvoredo constituído quase todo por castanheiros e mais ao longe todas as tonalidades dos azulados das montanhas, misturando-se ou diluindo-se as mais distantes, com o azul do céu.

 

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Quanto ao topónimo da aldeia, pensa-se que deriva do nome próprio de Fernandinus da idade média, mas pelas pesquisas que fiz sobre a aldeia, não há praticamente nenhuma documentação. Nota-se e compreende-se que sempre foi uma pequena aldeia de montanha, que vista do céu, como agora está na moda, praticamente é imperceptível, não só pelo pouco número de casas existentes, mas também porque todas elas se misturam ou estão envolvidas de arvoredo.

 

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Vale a pena visitar a aldeia!? – claro que sim, nem que seja pelas vistas e pelo ar saudável que se respira onde aconselho uma visita ao “miradouro” da aldeia, ou seja ao recinto da capela, onde até tem bancadas para poder desfrutar de uns minutos ou horas de verdadeira calma e natureza, com as tais vistas do amontoado mas montanhas e vistas interessantes e curiosas para as aldeias vizinhas mais próximas. Por sinal um excelente recinto para a festa da aldeia, que infelizmente (e até ao fecho desta edição) não consegui apurar se ainda se realiza e qual é o seu santo ou santa. Para terminar em beleza, bem que podia ser o S. Fernando.

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E sobre Fernandinho é tudo, amanhã cá estarei de novo, com mais uma aldeia do nosso concelho.

 

Até amanhã!

 

 

 

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