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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Capela do Senhor dos Passos

19.09.06 | Fer.Ribeiro
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A primeira vez que comecei a olhar para a cidade com olhos de ver, foi em 1990, aquando do início da feitura de gravuras sobre a cidade. Até aí passava diariamente pelas ruas que apenas serviam para isso – passar. Até aí as ruas apenas serviam para me levar da cidade até casa, ou vice-versa. Sabia em que rua havia de ir para comprar isto ou aquilo, conhecia as casas onde moravam os amigos, e conhecia os caminhos mais curtos para chegar a…. Claro que até aí sofria de um bem chamado juventude, em que as casas eram o sítio onde estava a família, onde se comia, onde curávamos as nossas maleitas, onde encontrávamos abrigo e aconchego e onde existia o nosso pequeno mundo, limitado ao nosso quarto da casa e que compartilhávamos com os nossos amigos em visita. Quando saía à rua, a rua apenas servia para me levar a outros pequenos mundos guardados nos quartos dos amigos ou para encontrar os mesmos e às vezes para conviver, mas alheios a tudo que nos rodeava.

No tempo de deixar a adolescência, comecei a descobrir outros pequenos mundos e os seus pormenores, a reparar neles, a observa-los com atenção e a interessar-me por coisas que nunca me tinham passado pela cabeça. Comecei, enfim, a descobrir a cidade e tudo que a envolve… ainda hoje ando por aí a descobrir pormenores, a descobrir história e principalmente estórias da cidade e do ser flaviense.

A capela que hoje reproduzo em fotografia, a Capela do Senhor dos Passos, desde que existo, sempre lá esteve. Passei por ela centenas de vezes, mas nunca o meu olhar lhe reservou mais que uns breves segundos de passagem e, mesmo esse olhar, foi um olhar por olhar, desprendido, daqueles que nada vê. Mas, ainda bem que despertei para a cidade, para a poder observar, para a fotografar e para hoje poder falar dela.

Trata-se, como já atrás disse, da Capela do Senhor dos Passos. Situa-se num pequeno largo, no encontro das ruas Padre Joaquim Fontoura com a Rua do Aljube e a confrontar com o Jardim do Bacalhau. De planta rectangular de massa simples com cobertura em telhado de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco. Fachada principal orientada, com pilastras de canto nos cunhais, coroadas por pinhas sobre plintos prismáticos, termina em cornija recta encimada por pano de muro, igualmente terminado em friso e cornija recta, rematada por frontão de volutas interrompido por cartela com as cinco chagas de Cristo, sobrepujado por cruz latina, com hastes terminadas em trevo (faltando um dos trevos). Portal em arco de volta perfeita, moldurado, com motivo vegetalista na pedra de fecho, com porta de metal. O pano de muro superior é vazado por óculo circular. O interior é rebocado e pintado de branco com pavimento em lajes de pedra e tecto em falsa abóbada de berço, de madeira envernizada. Mesa de altar na parede testeira, de madeira.

Ao que rezam os documentos a sua utilização inicial destinava-se ao cultual e devocional e passo da Via Sacra.

A capela é propriedade da Misericórdia e a sua construção remonta ao Século XVII.

A capela está referenciada pelo IPA como monumento.

E por hoje é tudo, amanhã cá estarei de novo, num qualquer sítio da cidade.

Até amanhã!

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