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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Jul08

Soutelo - Chaves - Portugal

 

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E como hoje é Sábado, vamos até mais uma das aldeias de Chaves, mais uma daquelas que pertence ao vale alto e que começa em terras de Ervededo, passa por Bustelo e termina em terras de Curalha e Pastoria. Vamos ficar pelo meio, precisamente em Soutelo.

 

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Embora entre Chaves e Soutelo ainda haja a freguesia de Valdanta, Soutelo não deixa de ser uma aldeia e freguesia periférica de Chaves, mais um dos seus dormitórios, mas que no entanto mantém toda a sua ruralidade e singularidade de aldeia.

 

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Fica a apenas 7 quilómetros de Chaves. À freguesia pertence ainda Noval, uma outra aldeia que dada a proximidade à sede de freguesia,  a apenas 1 quilómetro, mais parece um dos seus bairros. Parece mas não é, pois também Noval tem a sua identidade como aldeia e, bem mais rural que Valdanta.

 

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Soutelo (freguesia) tem 9 Km2 de área e localiza-se entre as freguesias de Calvão, Sanjurge, Valdanta, Curalha, Redondelo e Seara Velha e como a grande maioria, desenvolve-se na encosta da montanha, deixando os terrenos mais planos disponíveis para a agricultura.

 

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Em termos de população a freguesia em 1981 tinha 554 habitantes residentes. Em 2001 tinha 384, dos quais 170 residentes em Soutelo e os restantes em Noval. São dados curiosos para uma freguesia que está tão próxima de Chaves e que embora esteja longe de ser uma freguesia despovoada, também sentiu o abandono de alguma das suas gentes, principalmente para a emigração, para a cidade e para as grandes cidades.  Mas ós 34 habitantes (só para Soutelo) com menos de 20 anos (em 2001), são um dado importante e que demonstram que esta aldeia  está longe do despovoamento das aldeias de montanha.

 

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Curioso e aparentemente contraditório,  é o facto de Soutelo (como aliás em todas as aldeias), haver mais eleitores que habitantes, quando todos sabemos que só se pode ser eleitor com mais de 18 anos. Pois os dados a que tive acesso da freguesia com 384 habitantes, tinha 442 eleitores. Disse aparentemente contraditório e é-o, só aparente, pois de facto podemos partir de ambos os números como verdadeiros, ou pelo menos muito próximo da verdade e traduz o fenómeno de muitos dos eleitores não serem residentes na freguesia. “Fenómeno” que aliás é conhecido de todos os políticos mas que nada fazem para o contrariar, e se há freguesias que são beneficiadas com este “fenómeno”, outras há que poderão ser prejudicadas. Mas também isto é teórico, pois se acontecer o mesmo em todas as freguesias, fica tudo na mesma. Pelo menos fica aqui a explicação para o facto de todas as freguesias terem mais eleitores que habitantes.

 

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Em termos de casario, tem um importante núcleo de casario tradicional, com algumas casas em ruínas e outras abandonadas, mas na sua maioria estão em bom estado e notam-se algumas recuperações de construções, a maioria feita com gosto ou pelo menos, sem destoar muito do conjunto.

 

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Claro que em termos de casario, é mais fácil e infelizmente até compreensível, construir de novo nos terrenos da periferia do núcleo, principalmente junto à estrada municipal do que restaurar ou reconstruir as velhas construções, e digo compreensível, porque muitas das construções antigas, abandonadas e em ruínas, são geralmente propriedade de vários herdeiros e também construções pequenas que muitas delas não oferecem as condições suficientes para uma habitação com as exigências dos tempos de hoje. Curiosa também esta situação, pois hoje em dia os casais mais jovens ficam-se (na grande maioria)  por um ou dois filhos e, antigamente, a grande maioria dos casais começava a contar filhos a partir (pelo menos) do número três, indo por aí fora até aos 7, 8, 9 … e os mais exagerados, exageravam mesmo no número. A curiosidade está em que as casas, na generalidade, eram mais pequenas e com menos condições que as de hoje em dia, mas tinham muito mais gente. E ainda bem que assim é, pois é sinal que as condições habitacionais das casas de hoje, estão a léguas de distância das casas de há 50 anos atrás, quanto mais não seja por hoje já todas terem acesso a electricidade, água canalizada e a grande maioria a saneamento, para não falar do telefone e dados, Internet, com a qual ficamos todos à distância de um click.

 

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Podemos ser pobrezinhos, estarmos na cauda da Europa, toda a gente a protestar e com razão, mas uma coisa é certa, os tempos de hoje, não têm comparação com os de há 50 anos atrás.

 

Mas tudo isto são situações gerais e hoje o que temos por cá é mesmo Soutelo.

 

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Pois Soutelo é uma aldeia essencialmente agrícola, com a agricultura do costume em terras férteis, ou seja a batata, o centeio, o milho e toda a variedade hortícola, das hortas mais próximas das casas e para consumo próprio. Também é rica em árvores de fruto, as mais características da região, como as macieiras, cerejeiras, pereiras, pessegueiros, algumas oliveiras e também alguma vinha. Tudo isto em pequena escala e dispersas pelos terrenos circundantes da aldeia, pois também os terrenos de Soutelo, como é habitual na maioria do concelho, estão repartidos e vedados, não havendo grandes extensões de terreno para uma só cultura.

 

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Mas Soutelo, como disse no início, é também uma aldeia dormitório de Chaves, e embora agrícola, há muita da sua gente a trabalhar na cidade, embora a sua maioria continue a tratar dos campos, nos fins de tarde de verão ou nos fins de semana. Sempre é uma ajuda para os dias de hoje, que não estão para brincadeiras.

 

Em termos históricos podemos realçar algumas riquezas arqueológicas e de arte rupestre no Penedo da Cobra, possível memória do culto ofiolatra, culto ou adoração das serpentes. Perto da aldeia passava uma calçada romana. Entre o casario, muito pouco evidente, encontra se uma casa que denominam de Paço. Seria igual a muitas outras não fora o facto de, embutido numa das paredes, exibir o brasão das Cinco Chaves que, pelo menos na tradição e em alguns escritos, está ligado à história de Chaves e que poderia remontar à fundação da nacionalidade.

 

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Foi uma aldeia também famosa pelo artesanato de cobertores e mantas de lã que produzia. Artesanato que bem poderia ter sido acarinhado pelas entidades responsáveis pelo turismo e pelo concelho, que poderia ser uma mais valias para a aldeia e para um roteiro turístico, mas que como de costume, vamos perdendo, e perdemos aquilo que de melhor sempre tivemos. Agora o que está a dar é artesanato made in China, e todos assistem impávidos e serenos aos acontecimentos…são os tais interesses do dinheiro que mandam na política e se não é assim, parece.

 

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Com certeza que ficará muito por dizer de Soutelo e das suas gentes, mas só posso falar daquilo que sei ou da informação a que tive acesso. Quanto às gentes, poderei dizer alguma coisa, pelo menos daqueles que são também meus colegas de trabalho e posso-o dizer, porque a opinião é unânime, que é do melhor que há, pena que nas minhas visitas à aldeia nunca estejam em casa para lhes visitarmos a adega…mas já lhes conhecemos o vinho, pois está sempre presente nas festas da “companhia” e é do “bô”, como estou em crer que toda a aldeia também o é.

 

Até amanhã, por aí noutra aldeia do concelho.

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