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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

FESTIMAGE - Sem imagens de Chaves

09.07.08 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje deveria falar-vos das Festas da Cidade, pois ontem foi dia 8 de Julho, feriado municipal e dia da cidade. Deveria, mas há tão pouco a dizer para além das bandas no coreto e do fogo de artifício na noite de ontem (único cheiro a festa tradicional), que prefiro falar-vos do FESTIMAGE.

 

No ano passado, mais precisamente em 30 de Agosto de 2007 eu escrevia aqui no blog, a respeito do FESTIMAGE, o seguinte:

 

“Como amante de fotografia só me posso congratular com a iniciativa da Câmara Municipal na realização do FESTIMAGE – Festival Internacional de Fotografia. Do formato do festival,  também nada tenho a dizer. Aliás as fotos de grandes dimensões colocadas nas ruas da cidade, nalguns casos, até dão jeito para tapar algumas misérias. Pela minha parte, nesses casos, até podiam lá ficar durante todo o ano. Quanto ao valor monetário dos prémios, também nada há a dizer… no entanto, como flaviense e cidadão deste concelho, há um pequeno apontamento que eu gostaria de fazer a este festival.

 

Ainda não entendi muito bem qual a finalidade do festival. Segundo o regulamento do festival, nos pontos 1 e 2, diz o seguinte:

 

  1. A Câmara Municipal de Chaves, Portugal, com o objectivo de dar a conhecer aos cidadãos residentes na sua cidade, e a todos que a visitam durante o Verão, trabalhos de fotógrafos e criadores de arte digital de todo o mundo, instituiu o Festimage - Festival Internacional da Imagem.

 

  1. Com esta manifestação artística e cultural, a Câmara Municipal de Chaves pretendeu, também, contribuir para a aproximação de diferentes povos, culturas e civilizações, aproveitando as actuais tecnologias de comunicação e a forma como estas tão facilmente esbatem fronteiras, aproximam continentes e nos incluem a todos na mesma “rede” global;

 

Quanto ao primeiro ponto, nada há a dizer. Quanto ao 2º ponto, aqui a porca já torce o rabo. Todos os amantes de fotografia sabem que existem e proliferam na net sítios de excelente qualidade onde podem ser apreciadas milhões de fotografias de fotógrafos de todo o mundo e quase todas de excelente qualidade. Deixando de parte os sites pessoais de fotógrafos, sítios há como o olhares.com, o reflexosonline.com, o 35mm.org ou flickr.com (entre muitos outros) onde aí sim, se faz a aproximação de diferentes povos, culturas e civilizações. Sítios onde diariamente há centenas de milhares de novas fotografias e que são visitados também diariamente por outras tantas centenas de milhares de pessoas. Não sei qual é a visibilidade que o festimagem.org tem na net, alguma terá e é aqui que eu queria chegar.

 

Porque não aproveitar o festival e o site para divulgar Chaves e o Concelho e o melhor que temos em imagem e, a par, de recebermos fotos interessantes de todo o mundo, porque não darmos fotos de Chaves a conhecer a todo o mundo, alargando o regulamento do festival para ter além do tema livre, o tema Chaves, com valor monetário de prémio igual ou superior ao do 1º prémio do tema livre. Aí sim a cidade ficava realmente a ganhar, ao atrair a Chaves (estou certo disso) bons fotógrafos portugueses e até estrangeiros, pelo menos de Espanha. Ganhávamos em fotografia e ganhávamos em turismo ao trazermos cá bons fotógrafos e no divulgar das suas (pela certa) belas fotos da cidade e do concelho e aí sim fazermos a festa e imagem de Chaves.

 

Talvez esteja enganado e não tivesse percebido muito bem o âmbito do festival e a sua “globalização”. Talvez eu esteja tão agarrado à terrinha que a minha tacanhez não me permita abrir os olhos para estas coisas da globalização, mas é assim que eu penso e é esta a minha opinião, e já não é pouco.”

 

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Decorrido quase um ano desde que este texto foi publicado, não lhe retiro uma única palavra, nem virgula, aliás vou acrescentar algumas palavras.

 

Tive alguma esperança que o regulamento do concurso fosse alterado, e se virasse um pouquinho que fosse para a cidade e para o concelho, onde houvesse um prémio para uma foto sobre a terrinha. Tal não aconteceu e lamento-o, pois embora continue a concordar com a forma do FESTIMAGE, também continuo a pensar que a cidade e o concelho nada ganha com este festival de fotografia, pois não há divulgação (em imagem) de Chaves além de (penso eu que),  meia dúzia de fotografias penduradas nas fachadas dos prédios da cidade (as únicas que têm visibilidade) não justificarem (para a cidade) todo o investimento (que desconheço) que deve estar envolvido neste festival da imagem, pelo menos a julgar pelo valor dos prémios (10.000 Euros), mais custos do sítio na net, de publicidade, de gráficas com reprodução de fotografias, de itinerância da exposição (Vila Real e Espanha) além de honorários com a realização do evento, de montagem das exposições, etc.  pois todos sabemos que embora seja a Câmara Municipal a promover o festival, ou seja a pagar o festival, há júris internacionais e o Jornal Transmontano e o seu proprietário (J.B.Cezar) a realizar o evento. Suponho que tudo isto terá custos, para além do valor do prémio.

 

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Mas a minha palavra até nem vai para os custos, pois já sabemos que um evento destes, da forma que está montado, tem de ter os seus custos, a minha palavra vai para os benefícios, sejam eles de que ordem forem (culturais, artísticos, turísticos, etc) que a cidade tira deste FESTIMAGE, pois percorrendo e visualizando todas as fotos admitidas a concurso, não há uma única foto de Chaves, nem do concelho ou da região, exceptua-se  uma única, com uma referência da região, mais propriamente a um ilustre de Montalegre com uma foto de autoria de Gaspar Jesus, onde é fotografado do Padre Fontes, mas também e só para quem conhece o padre.

 

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Foto de Gaspar Jesus - Concorrente Festimage

 

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Para terminar, penso também que os objectivos do FESTIMAGE (objectivos de regulamento, claro) não são alcançados, ou sejam os “de dar a conhecer aos cidadãos residentes na sua cidade, e a todos que a visitam durante o Verão, trabalhos de fotógrafos e criadores de arte digital de todo o mundo, (…)” além de “ contribuir para a aproximação de diferentes povos, culturas e civilizações, aproveitando as actuais tecnologias de comunicação e a forma como estas tão facilmente esbatem fronteiras, aproximam continentes e nos incluem a todos na mesma “rede” global.

 

Sinceramente, penso que Chaves tem muito mais para dar em imagem do que receber, ou então será nóia minha, esta, a de querer levar Chaves por esse mundo fora...

 

É esta a minha mágoa para com o FESTIMAGE e para o ano, se até lá nada for alterado,  cá estarei de novo com o mesmo texto e com a mesma mágoa.

 

Até amanhã, com o coleccionismo de temática flaviense.

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