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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pereira de Veiga - Chaves - Portugal

13.07.08 | Fer.Ribeiro

 

 

Estamos habituados a olhar ou pensar como veiga de Chaves o espaço plano que se desenvolve da margem esquerda do Rio Tâmega desde Vila Verde da Raia até à Madalena, ou seja o espaço que se desenvolve de um e outro lado da EN 103-5. Mas é puro engano, pois a veiga de Chaves vai muito mais além. Eu diria mesmo que ela começa em Verin e termina precisamente na nossa aldeia de hoje – Pereira de Veiga.

 


Não sei qual a origem do nome desta aldeia. Penso (dedução minha) que Pereira se deverá à árvore de fruto, que por sinal ainda hoje abunda por lá, e Veiga, por se situar em plena veiga de Chaves. Quanto à origem do Veiga, não tenho dúvidas, quanto ao Pereira, também poderá ter origem no apelido Pereira e aquelas terras terem sido em tempos remotos propriedade de um senhor com esse apelido. Tudo isto é pura especulação minha, pois não tenho qualquer dado em que me possa basear para o afirmar. Assim, se o entenderem, esqueçam este parágrafo e fiquem só com a certeza de que Pereira de Veiga fica na veiga de Chaves, precisamente no seu termo, a Sul da mesma.



Sobre a aldeia, por mais documentação que procurasse, não encontrei qualquer dado para além de uma pequena referência à sua Capela Barroca, e apenas isto. Uma referência de que a Capela é Barroca.

 

Assim tudo o que eu verter aqui hoje é da minha responsabilidade, aliás como o é todos os dias, mas hoje são palavras apoiadas apenas na observação e na dedução.

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Se por um lado levantei a hipótese de as terras terem sido de um Senhor de apelido Pereira, o seu casario contradiz em tudo tal existência, e está longe de ser ou ter sido ou mesmo ter tido, casario senhorial ou solarengo.

 

Penso que a construção mais antiga da aldeia será a Capela, também ela pequena e humilde, mas com um lindíssimo interior onde se realça o altar. As restantes construções da aldeia são mais recentes que a capela e penso que as construções mais antigas remontam aos inícios e meados do Século IXX, pelo menos a julgar por algumas inscrições nas padieiras de algumas portas onde consta o anos de mil oitocentos e …

 


No conjunto do seu casario não há nenhuma construção que se realce pelas suas características senhoriais e, mais parece ter sido (em tempos) um pequeno núcleo habitacional de agricultores que trabalhavam as terras  das casas senhoriais das redondezas e que eram (estas sim) conhecidas em Sesmil, Izei e Samaiões. Claro que continuo a especular.

 

À margem da aldeia há hoje uma casa que se destaca e que foi aproveitada para Turismo Rural – A Quinta da Lúcia. Também desconheço a origem desta casa e embora hoje se destaque pelos arranjos e pelos novos espaços de apoio ou de lazer ao turismo rural, parece-me também nunca ter sido uma casa solarenga ou senhorial, estando mais próxima de uma casa de quinta abastada.

 


Há no entanto por Pereira de Veiga alguns exemplares interessantes da arquitectura tradicional rural do granito, pelo menos naquelas que julgo terem sido as ruas principais da aldeia, mas também e tal como na maior parte das nossas aldeias, estão (a maioria) abandonadas ou em ruínas. É o velho problema de ser mais fácil construir casa nova nas redondezas da aldeia do que reconstruir o que existe e pelas mais variadas razões, que passam pela falta de condições e espaço para as exigências actuais e por serem casas pertença de vários herdeiros em que a casa inicia a sua decadência e a caminhar para a ruína, com a morte do casal que a deixou como herança, mesmo porque os filhos e os mais novos, como a grande maioria, foram obrigados a partir a procura de novas oportunidades e de uma vida mais digna que a aldeia não lhes oferecia, embora nesta aldeia até possa parecer estranho, mas não é.

 


De facto Pereira de Veiga, que pertence à freguesia de São Pedro de Agostém, fica a apenas 4 quilómetros do centro da cidade, mas nem por isso, deixou de ter a sua ruralidade, e graças às terras férteis da veiga, que lá vão continuando tratadas, mas que não dá para todos. Também, e devido à maioria dos seus terrenos se localizarem na veiga, as novas construções são aí interditas, embora haja novas construções mas na periferia imediata ao núcleo antigo. Assim a aldeia, ou melhor a sua população, também sofre do envelhecimento e divide-se entre o cultivo dos campos e os que trabalham na cidade, principalmente os mais novos, das tais casas novas da periferia da aldeia, e (claro) também tem os seus emigrantes, principalmente na França e nos Estados Unidos, que como todos, por lá foram constituindo família, e se voltam à terrinha, é porque os pais ainda estão vivos e fazem-no apenas num curto período de férias de verão e, raro é o que (agora) regressa de vez para se instalar na sua aldeia. O “fenómeno” é conhecido por todos e mesmo os que regressam, podem ficar com um olho na aldeia, mas preferem a cidade para viver.

 


Quanto a riquezas da aldeia, já o disse, tem a veiga ainda fértil, onde se cultivam todos os produtos característicos da veiga, como a batata, o milho, o centeio nas culturas de verão, ou as couves, o naval e outras culturas de Inverno. Mas ainda é fértil noutro aspecto, embora alheio (suponho) à vontade da aldeia, pois também é rica em electricidade que (suponho também), é por onde passa toda a energia eléctrica da cidade de Chaves, a partir da estação ou sub-estação da EDP aí instalada. Um complexo que em termos de paisagem rural ou em termos de paisagem da veiga em nada contribui.

 


Mas enfim, é um mal necessário que, penso eu, não haveria outro local para o instalar, pelo menos a jeito. Aliás a veiga é rica em tudo, não só nos seus terrenos férteis, pois todos sabemos que as casas sempre cresceram nela bem e depressa e agora, nos últimos dias ou tempos, têm nascido muitos postes de madeira com fios ou cabos pendurados, à moda antiga, daqueles postes que eu pensava que já nem se “fabricavam”, mas o mais castiço da coisa, é que esses cabos transportam alta tecnologia, como a TV digital, a Internet e muitos dados, gigas de dados, e estas gigas, não são daquelas que os cesteiros antigamente fabricavam, mas são gigas de bytes, megas e megas deles. Como vêem a veiga não dá só batatas, couves e milho, agora também distribui bytes agarrados e conduzidos pelos velhos postes ainda em uso no terceiro mundo. Contrastes! Mas com muitos interesses…

 

E por hoje é tudo. Amanhã teremos de novo a cidade, quanto às aldeias, no próximo fim-de-semana cá teremos mais duas aldeias.

 

Até amanhã!

 

 

 

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