Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Coleccionismo de Temática Flaviense – Galhardetes, Medalhas e Bombeiros

24.07.08 | Fer.Ribeiro

 

.

 

 

Não há associação que se preze que não tenha os seus símbolos e também os seus galhardetes. No caso da associação de hoje, vais muito além de símbolos, galhardetes, bandeiras e medalhas, pois trata-se de uma associação humanitária e voluntária que nos merece todo o respeito, pois é de Bombeiros Voluntários que se trata e que merecem aqui, embora breves, algumas palavras de apreço, que pode passar pelo seu historial, também (para já) resumido e breve.

 

Mas, e ainda antes de passarmos à sua história, fica o galhardete e a medalha comemorativa do I Centenário, medalha cunhada em Oura, Prata e Bronze.

.

 

.

 

 

A Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários, (ou Bombeiros Voluntários Flavienses, como vulgarmente são conhecidos)  foi fundada em 3 Fevereiro

 

de 1889, pelo então tenente Augusto César Ribeiro de Carvalho (que terminaria a sua carreira militar como general e também como um ilustre flaviense a quem se deve muita da história escrita desta cidade)

 

 

Após a fundação da Associação, e ainda sem quartel, os bombeiros constituíram quatro secções, distribuídas pela então vila de Chaves todas elas dispostas a uma acção rápida e eficiente em caso de incêndio, que seria anunciado por toques de sinos das igrejas, variáveis em número de badaladas conforme a Zona.

 

.

 

.

 

 

Instalados inicialmente em muito precárias condições, no próprio edifício da Câmara Municipal e depois num barracão da Rua do Olival, foi intenção de uma das direcções da corporação (Fevereiro de 1906), construir o seu quartel num dos fossos da muralha da Madalena. A Câmara Municipal porém, veio contrariar essa ideia, pois tinha intenções de construir ali o campo da feira do gado, em substituição do campo então existente Tabolado.

 

 

Aproveitando na altura encontrar-se desocupada a Escola Conde Ferreira, por incapacidade de receber todos os alunos do ensino primário, ali se instalaram os Bombeiros por largos anos, ao que consta, com muita contrariedade da Câmara Municipal que desejava retomar o edifício para outros fins.

 

.

 

.

 

 

Finalmente, em 1930, começaram a construir um quartel amplo e digno nuns terrenos fronteiros ao Convento das Freiras (actual Escola Secundária Fernão de

 

Magalhães) cedidos pelo banqueiro Cândido Sotto Maior. Instalações onde actualmente funciona a Biblioteca Municipal, e que ocuparam até há poucos anos atrás, antes de ocuparem o actual espaço a funcionar em modernas instalações no Bairro do Campo da Fonte, na freguesia da Madalena.

 

Actualmente a corporação conta com 112 bombeiros no activo, 14 no quadro de reserva e 13 no quadro de honra. Entre os bombeiros no activo, 15 estão na secção avançada localizada na aldeia de Cimo de Vila da Castanheira. No seu activo, conta com 3 médicos, 1 psicólogo,  15 enfermeiros e 1 mecânico.

 

A corporação conta actualmente com 25 viaturas, das quais 15 se destinam ao combate a incêndios, 7 a ambulâncias e 3 são já relíquias de museu, sendo o seu perímetro ou raio de acção distribuído por toda a margem esquerda do Rio Tâmega, sendo a cidade (freguesias da Madalena, Stª Maria Maior e Stª Cruz Trindade) da responsabilidade das duas corporações de Bombeiros existentes na cidade, (BVF + BVSP). De realçar ainda a existência de uma terceira corporação de bombeiros no concelho, a corporação de Bombeiros de Vidago.

 

.

 

.

 

Nas suas instalações possui um pequeno museu dividido em duas secções: o de viaturas e outro, anexo ao Salão Nobre, onde reúnem fotografias de todos os comandantes desde a fundação, fotografias das primeiras secções de bombeiros e viaturas, fardamento antigo, bandeiras, condecorações, medalhas e todo um espólio histórico da corporação, que embora guardado e reunido com carinho, mereceriam algum trabalho de especialista na organização e catalogação de documentos e de todo o seu espólio. É caso para dizer que voluntários precisam-se para fazer a merecida história desta secular associação de voluntários, que conta já com 118 anos de existência.

 

E este é um breve (brevíssimo mesmo) resumo da história da Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários ou dos Bombeiros Voluntários Flavienses, também comummente conhecidos pelos Bombeiros de Baixo, para os distinguir dos Bombeiros de Cima (os Bombeiros Voluntários de Salvação Pública), cuja formação mais recente, resultou da cisão de bombeiros no seio da Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários. Uma história também por apurar e que muitas vezes traz a debate a razão ou justificação da existência de duas corporações de bombeiros na cidade de Chaves e da rivalidade, quanto a mim salutar, entre as duas corporações. Uma “guerra” na qual não me quero meter, tanto mais que ambas me merecem todo o carinho e respeito, sendo inclusive, associado de ambas as associações. É o meu pequeno, simples e até insignificante contributo para com os soldados da paz da nossa cidade e daqueles dos quais muitas vezes só são lembrados em horas de aflição, quando voluntariamente e diariamente põem em risco as suas vidas em prol da população, como é o caso dos nossos bombeiros convidados de hoje que contam já na sua corporação com bombeiros que morreram em serviço.

 

.

 

.

 

 

E por hoje fico-me por aqui, a pretexto do coleccionismo de temática flaviense, mas com a promessa de um dia fazer uma reportagem mais alargada e merecida dos seus 118 anos de história.

 

E quanto às duas restantes corporações de bombeiros do concelho, o BVSP e os Bombeiros Voluntários de Vidago, também um dia passarão por aqui, mas como compreenderão e como se costuma dizer – a velhice é um posto -  e tinha que começar pelos Bombeiros Voluntários Flavienses, os Bombeiro de baixo.