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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Cimo de Vila da Castanheira - Chaves - Portugal

02.08.08 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje vamos até terras da Castanheira, mais precisamente para Cimo de Vila da Castanheira.

 

É uma daquelas aldeias pelas quais temos tendência a passar (ao lado) sem reparar nela como é devido, começando pela Igreja Românica de São João Batista, a primeira a ser avistada e para a qual reservamos uma visita para mais tarde. Depois, descendo já para a aldeia, atalhamos logo à direita, para as restantes terras da Castanheira, pois é por Cimo de Vila que se tem de passar para Sanfins, Mosteiro, Polide, Santa Cruz da Castanheira ou Parada. Se descermos mais um pouco, à esquerda, vamos a caminho de Roriz.

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São assim as aldeias de passagem, toda a gente as conhece, mas pouco se repara nelas, principalmente se, como no caso de Cimo de Vila, houver variantes à rua central e principal de aldeia.

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Mas nem toda a gente é assim, pois da minha parte faço sempre questão de parar e mostrar a quem me acompanha a Igreja Românica, sem que seja só para verificar se tudo está no sítio e depois, não atalho, vou sempre pelo centro da aldeia e muitas das vezes, paro, mesmo que o meu destino seja muito mais além, principalmente quando o destino é São Gonçalo, e o mais além, não é propriamente pela distância, mas mais pela “aventura” de se entrar em terras de todo-o-terreno.

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Pois se um dia o seu destino for uma das aldeias além de Cimo de Vila, perca 5 minutos e visite a Igreja Românica, mas só por fora, pois como ponto de visita obrigatório do românico que se preze, está sempre fechada. (não resisti….), mas está melhor assim fechadinha e preservadinha do que como estava há uns 15 anos atrás em que só existiam as paredes exteriores. Aplausos tardios, mas são merecidos para quem mandou recuperar a Igreja e também aplausos para o recente arranjo da envolvente e o acesso a partir da aldeia.

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Mas vamos até Cimo de Vila da Castanheira, a sua geografia, história e tudo que sei a respeito da aldeia.

 

Cimo de Vila é sede de freguesia, à qual pertence a aldeia de Dadim. Fica a 24 quilómetros de Chaves e localiza-se ainda no grande planalto da montanha. Tem por vizinhas e faz fronteira com as freguesias de S.Vicente da Raia, Roriz,  Travancas, Paradela, Águas frias, Tronco, Lebução (concelho de Valpaços) e Sanfins. Com esta última (aldeia) é tão vizinha dela, que não se percebe onde termina Cimo de Vila e começa Sanfins, e isto graças a construções mais recente (não muito) que unem as duas aldeias.

 

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Em termos de área, a freguesia tem 15.96 Km2, com terras maioritariamente agrícolas, pois a população concentra-se nas duas aldeias da freguesia, possuindo em 2001 (Censos) 605 habitantes residentes, dos quais 479 são habitantes de Cimo de Vila. Contrastando com os Censos de 1981, em que a freguesia possuía 1.027 habitantes, facilmente se pode observar que é mais uma freguesia que também sofreu a sua dose de despovoamento, embora, a maioria desta diferença se possa atribuir a Dadim.

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Aparentemente, Cimo de Vila até cresceu, pelo menos em construções na periferia da aldeia, junto às estradas, com sacrifício do seu núcleo histórico, que esse, como todos, sofre dos abandonos e de algumas casas à beira da ruína. Mas é uma aldeia com vida, ainda com muitas crianças e onde ainda se joga futebol, ou seja com gente jovem, que afinal é a que dá vida às aldeias.

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Quanto à vida, o seu modo de vida, a aldeia é agricolamente rica em batata (da boa), aliás toda a batata das montanhas do concelho de Chaves, é boa. Dizem-me que em algumas  frutarias (tradicionais) da área do Porto se vende batata  onde fazem questão de junto ao preço, escreverem “batata de Chaves”. É mais um dos nossos (bons) produtos, que a par do presunto, também da castanha e porque não das couves, dos grelos, da cereja, do vinho, dos pimentos do Cambedo, das Cebolas de Loivos, do cebolo de Stº Estêvão, do centeio, do trigo e do milho e,  outros tantos produtos da terra ou aliados a ela. Também da vitela e do leite, o cabrito, o cordeiro, o porco e o fumeiro e, já agora, convém não esquecer aquilo que a cidade tem para dar – o pastel de Chaves. Temos tudo e do bom, do melhor, mas neste mundo actual em que todos pensam em estratégias e há estratégias e planos para tudo, ainda não houve um iluminado pensante dos “responsáveis” que fazem planos e definem estratégias que visse, que  a estratégia e o futuro do concelho está na terra, nas aldeias, na agricultura de qualidade, tudo isto aliado à gastronomia, ao turismo e tradição e também à água e termalismo (tudo junto). Talvez quando se aperceberem disso, já seja tarde demais. Até lá, a batata continuará a apodrecer nos armazéns, o presunto continuará a vir de Espanha, as vinhas ficam de poulo, e o mato aproxima-se das aldeias. Posso estar enganado, mas é assim que penso e também seria assim que se combateria o despovoamento das aldeias. Esqueci a floresta (que também poderia ser de qualidade).

 

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Mas vamos a um pouco da história de Cimo de Vila e deixemos os problemas da região para os “iluminados pensantes”. Dizem alguns escritos que esta é a freguesia mais antiga da região. O topónimo significa "villa do cume" e na realidade é aqui que o planalto tem um dos pontos mais altos e que também se começa a desfazer e a descer para terras de Valpaços e Vinhais.

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A Igreja Matriz é um templo românico possivelmente do século XIII, de muros feitos de silhares simétricos com siglas, rematados pela cornija em que ressaltam os cachorros ou modilhões. Interiormente era revestida de pinturas a fresco que com a exposição às intempéries enquanto pertenceu ao reina das ruínas, se foram degradando. Tem por orago São João Baptista. Junto da igreja eleva-se uma torre quadrangular, que serve de sineira e que, em tempos passados, por ocasião de guerras e lutas, foi sem dúvida usada como local de vigia, refúgio e defesa. Aliás as suas características são mais militares do que religiosas, mas isto é apenas uma observação pessoal que não sei se os eruditos na matéria aceitarão.

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A aldeia constituiu no passado um centro de extrema importância pois foi Comenda da Ordem Militar de Cristo. Quando o Município de Monforte gozava da sua autonomia, era nesta igreja de S. João da Castanheira que se celebrava a solenidade do Corpo de Deus, pegando então às varas do pálio os vereadores de Monforte de Rio Livre.

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Também acompanhavam o préstito de honra o alcaide, capitão mor, sargento mor e capitães de Ordenança. Num morro, em posição oposta a esta igreja, no local onde existiu um castro, assenta a capela barroca da devoção a S. Sebastião.

 

Bem perto, no local denominado de Fonte da Moura, a servir de bebedouro para animais, está uma sepultura antropomórfica, de forma trapezoidal, cavada na rocha.

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Associada a esta região conta-se a lenda do Carvalho da Missa.
Diz ela que quem cortasse um ramo desse secular carvalho, seria atingido pelas "maleitas", como castigo. O carvalho desapareceu mas a lenda ainda perdura e algumas maleitas também, nem que seja a de ver partir alguns dos seus filhos para outras paragens onde possam ter e dar uma vida mais digna aos seus.

 

Até amanhã., com outra aldeia, que fartos da cidade andamos nós a semana toda. Fartos, mas gostamos dela!

 

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