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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

De volta à terrinha - Bem vindos!

04.08.08 | Fer.Ribeiro

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Pois é, estamos em Agosto, mês em que todos os flavienses ausentes aproveitam para vir matar saudades à terrinha e encher as nossas aldeias com a alegria que lhes falta durante todo o ano. No Sábado, foi assim durante todo o dia na fronteira de Vila Verde da Raia (vídeo). Carro após carro, uns bons milhares durante todo o dia, adivinhava-se que no seu interior, ao verem a placa a anunciar a entrada em Portugal , acordava-se do sono de longas horas de viagem e a pele de galinha invadia todo o corpo. Se é assim que me fica a pele quando regresso dos meus 15 dias de férias anuais, imagino que aos nossos emigrantes a pele lhes deve picar todo o corpo.

 

É sem dúvida alguma a festa do regresso a casa, que merecia uma recepção digna para quem andou lá fora a lutar pela vida durante um ano inteiro sempre com a terrinha e Portugal no coração. São estes os que conhecem verdadeiramente o significado da palavra saudade e são estes que Portugal recebe com a indiferença de um viajante qualquer.

 

Temos o bom hábito de bem receber quem não é de cá. Derretemo-nos todos para receber um qualquer turista ou falante de língua estrangeira que nem sequer se esforçam por perceber ou falar a nossa língua, e que muitas vezes, mesmo gratos pela hospitalidade, olham para ela como um acto terceiromundista. Fazemos isto para quem não conhecemos, mas não temos nenhum acto de carinho para com os nossos. É a verdade pura, simples e também cruel para quem regressa, embora a alegria de regressar, não dê para se aperceberem disso.

 

Todos os anos se repete este fim-de-semana em que os nossos emigrantes regressam à terra e na nossa fronteira não há qualquer manifestação de recepção ou boas vindas, de um ponto de apoio a tão longa viagem, um gesto de carinho que seja, nem que fosse de oferta de uma água fresca a quem vem sedento de beber da nossa boa água, mas, antes pelo contrário, são recebidos com o nervosismo dos residentes em que se enervam só por verem uma matrícula de carro com cor amarela e que até mudam de comportamento ao as avistarem. É uma realidade da/na qual todos deveriam reflectir ao receber aqueles que um dia ousaram ou foram obrigados a partir e que regressam à terrinha por nós, pela terrinha e por Portugal.

 

Somos da terra do fado e da saudade, é certo, terra de poetas também, saibamos com sentimentos tão profundos e tão nobres receber aqueles que também com sentimentos profundos transportam Portugal no coração durante todo um ano e que apenas têm uns dias para matar saudades onde cabe também uma boa dose de tolerância para desculpar alguns excessos de alegria por estarem na terrinha.

 

Da minha parte também estranho este agitar dos dias, do excesso de trânsito, dos problemas de estacionamento, dos restaurantes cheios, das bichas no supermercado e do movimento anormal, mas que raio, não é disso que ansiamos durante um ano inteiro quando dizemos e nos queixamos da pacatez de Chaves em que nela nada acontece!?

 

Sejam bem vindos os que regressam de férias à terrinha.

 

Até amanhã, com Chaves!

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