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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves florida a preto e branco

13.08.08 | Fer.Ribeiro

 

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Vazio, sem qualquer palavra para deitar fora. É assim que me sinto, pelo menos palavras daquelas que todos gostam e que fazem da nossa cidade a mais bonita e bela de todas, a maior, que temos tudo de bom, presunto, batata, água, pasteis, serras e montes, vales, história, monumentos, ar puro, natureza, qualidade de vida, gente boa e hospitaleira, as águas termais mais quentes da Europa, a única cidade transmontana que já teve um clube na 1ª divisão do futebol e até um Primeiro Ministro e um Presidente da República,  uma boa localização (estratégica até), que espantou definitivamente a monarquia, que tem um valioso centro histórico, três castelos, dois fortes, muralhas medievais e seiscentistas, uma ponte romana como há poucas, termas actuais e romanas, da melhor e abastada gastronomia e até se descobrem bons vinhos e boas regiões vinhateiras, etc, coisa e tal – Somos os maiores!... mas hoje não estou para aí virado!

 

É assim que nos vamos iludindo e, sem ser mentira tudo o que atrás disse, a realidade de Chaves é bem diferente, porque Chaves não é terra de oportunidades nem de futuro para os seus filhos, e se alguém quiser ser algo na vida e reconhecido como tal, que trate de fazer as malinhas e partir da terrinha, porque Chaves cada vez mais tem menos para dar aos seus e, pelo andamento da carruagem, assim continuará a ser, mas com tendência a agravar-se.

 

Sinceramente que lamento hoje estar para aqui virado, para a realidade de Chaves, mas de vez em quando há que vir à tona respirar um pouco de realidade, e depois não tarda e vêm aí mais nove meses de inverno em que não me faltará tempo para mergulhar de novo nos meus discursos sobre a cidade, nos meus devaneios, no provincianismo dos iludidos resistentes que por teimosia e outros valores não abandonaram a terrinha e que para se sentirem melhor a elogiam por tudo e por nada.

 

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Foto retirada do blog Espacilimite de Nadir Afonso

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Parte deste meu “devaneio” real de hoje deve-se ao Mestre Nadir Afonso, sem dúvida alguma um dos nossos mais ilustres flavienses, um dos tais que teve de abandonar Chaves porque a sua obra não “cabia” na cidade, porque era universal em demasia para estar por cá amordaçada. Nadir Afonso tem demonstrado ao longo da sua vida artística ser um verdadeiro flaviense que nunca escondeu a sua origem e que (estou em crer) até se orgulha dela. São assim os simples, são grandes e por isso são mestres e por isso são simples.

 

O Mestre Nadir tem levado e a sua arte ao mundo e com ela leva também o nome da cidade de Chaves. No entanto todos os flavienses sabem que Nadir Afonso não perde uma oportunidade de vir a Chaves e de regressar à terrinha, tal como nunca perdeu uma oportunidade de nos dar a conhecer a sua obra e os seus ensinamentos. Conhecemos e sabemos isso de Nadir. E Chaves como é que o tem recebido e dá em troca ao Mestre!?

 

Lembro nos anos 80 o mestre ter oferecido mais de uma dezena de obras suas à Câmara Municipal. Pois durante muitos anos vi essa mesma obra abandonada num sótão, sem qualquer protecção, ao toa, onde se ia acumulando lixo e onde dia-a-dia se iam deteriorando. Graças a Deus que apareceu alguém de bom censo e reuniu todas as suas obras numa sala anexa ao museu municipal, que embora sem a visibilidade que merecem e sem a nobreza de um espaço nobre, sempre estão expostas e guardadas com as condições mínimas.

 

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Já mais recentemente, com a criação da Fundação Nadir Afonso, falou-se na sede da Fundação em Chaves, num espaço nobre com vistas nobres para o rio, foi convidado um outro Mestre, este da Arquitectura portuguesa para elaborar o projecto, o Mestre Sisa Vieira. Lançou-se a maqueta, as intenções, assinou-se o protocolo entre os Mestres e as partes envolvidas, houve fotografias,  notícias de primeira página nos jornais, grande alarido, mas de edifício e de Fundação em Chaves, até hoje - nada, nem notícias dela… entretanto aqui ao lado, em Boticas, é anunciada a construção de um Centro de Artes a abrir em 2009 onde irá albergar a maioria do espólio do Mestre Nadir Afonso, com cerca de 80 obras (dizem as notícias dos jornais).

 

Penso que o Mestre Nadir Afonso merecia muito mais da terra que o viu nascer e que ele divulga através da sua obra. Chaves deve-lhe isso, deve-o ao Mestre e também a todos os flavienses que um dia foram obrigados a partir para serem alguém, isto se quisermos continuar a merecer as suas visitas e o regresso à terrinha sempre que podem e que sempre tiveram no coração.

 

Há obras que sempre tardam e que têm de passar além das maquetas e boas intenções.

 

 

Alguns sítios na NET onde pode encontrar o flaviense Nadir Afonso:

 

 

http://espacillimite.blogs.sapo.pt/

http://www.nadirafonso.pt/

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

http://www.nadirafonso.com/