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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Set08

Moreiras - Chaves - Portugal

 

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Moreiras, Almorfe, France e Torre, já demos a volta a todas as aldeias da freguesia, ou seja mais uma freguesia com direito a mosaico neste blogue, mas antes, vamos até à sede de freguesia, Moreiras, que embora já não seja a primeira vez que passa no blog, hoje terá o seu post alargado.

 

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Moreiras é mais uma das nossas aldeias de montanha, ali para os lados onde a Serra da Padrela se começa a diluir na Serra do Brunheiro, mas bem lá no cimo, onde o frio de inverno corta e o verão se agradece.

 

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Moreiras é sede de freguesia, fica a 16 quilómetros de Chaves, o acesso é feito pela famosa Nacional 314 (a que passa no Peto de Lagarelhos) e faz fronteira com a freguesias de S.Pedro de Agostém, Nogueira da Montanha, beija suavemente o concelho de Valpaços, alarga-se ao longo da freguesia de Stª Leocádia e começa a descer para o vale da freguesia de Loivos.

 

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Como aldeia de montanha, sofre dos mesmos males das suas vizinhas com a mesma condição, ou seja o despovoamento, embora não pareça e até em termos de construções novas de moradias, Moreiras, continue a crescer na sua periferia, principalmente na estrada municipal que liga à Nacional 314. Mas os números não enganam e se nos seus 11.61 Km2 da freguesia distribuídos pelas suas 4 aldeias em 1981 (Censos) tinha 544 habitantes em 2001 (Censos) a freguesia possuía apenas 308 . Emigração e deslocação de famílias para a(s) cidades, o costume nas aldeias de montanha que embora ricas em tradições, religião, usos e costumes e,  em sabedoria no sacar da terra o melhor que ela dá, não têm condições nem políticas para os proteger, defender e prender à terrinha que os viu nascer e mais grave ainda, é que aquilo que era um dos principais meios de subsistência destas populações de montanha, em vez de ser protegido e preservado como uma riqueza tradicional e local destas populações, passo-a-passo, dia-a-dia, Lei-a-Lei, é  ou começa a ser proibido e faz deles uns vulgares criminosos se quiserem a continuar a produzir  aquilo que de melhor sabem fazer.

 

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Estou a falar dos presuntos curados em casa, das alheiras, das linguiças, dos salpicões, dos cabritos e cordeiros, da aguardente e outras coisas que fazem a delícia de qualquer um. Qualquer dia até as couves e os grelos só podem ser consumidos se forem de estufa e o vinho de lavrador, daquele que se bebe e se faz haaaaa! no final de um copo, só pode ser bebido se for pisado com as mãos devidamente protegidas com luvas, fermentado em lagares higienizados de inox em compartimentos estanques onde só se entra de mascara na cara e com estágio em cubas também de inox, com temperatura constante e no final, mesmo que seja uma morraça, não faltarão enólogos e outros tais de bata branca para lhes acrescentar uns pozinhos milagrosos para fazer o gosto do gosto comum e da moda, com sabor a banana, maça, etc.

 

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Pela minha parte contem comigo para contribuir com o crime e em ser criminoso também, para comer uma boa alheira ou linguiça feita à lareira com a massa empurrada com as mãos ou ajuda de um pau e sem luvas, fumadas com o fumo da lareira, contem comigo também para beber o vinho pisado com os pés descalços, provado na adega pelo copo de sempre que repousa em cima da pipa, acompanhado com um naco de presunto do reco que foi cevado em “casa” e morto no quintal, para comer o cabrito que foi morto à porta da corte, para comer as azeitonas da talha de barro, o pão centeio amassado com as mãos e cozinho no forno da casa, e por aí fora. Os de Lisboa e pior ainda os da Europa, querem fazer de nós uns criminosos e pior ainda “porcos”, mas babam-se e alambazam-se todos, quando comem do nosso presunto, das nossas linguiças e alheiras mesmo que seja com um pedaço do nosso pão caseiro, e acompanham deliciosamente as refeições com das nossas couves e grelos, a nossa batata e abafam tudo com um bagaço caseiro.

 

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O que mais me irrita no meio destas Leis higiénicas é que acabam com as nossas tradições e com aquilo que temos de melhor e não há que levante a voz contra as actuações dos senhores de Lisboa. Como pobres e humildes, somos obrigados a acatar a sorte que nos dita a Lei e os de cá, imitadores ou candidatos a senhores de Lisboa, dizem ámen!

 

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Mais uma vez uma aldeia me serve de pretexto para um desabafo, mas não é por mero acaso, pois Moreiras era conhecida por ter bom presunto e bom fumeiro, onde não faltava também o tal cabrito e cordeiro e até as vitelas, era tudo do bom e ainda é, mas clandestino.

 

A coisa está tão séria com estúpida. Há dias tive necessidade de comprar um garrafão de aguardente e, para o conseguir tive que murmurar ao ouvido de alguns amigos, que me indicaram um conhecido, que mo vendeu porque me conhecia, que o trouxe do esconderijo, camuflado como um vinho branco de marca e rotulado, tudo feito à margem da Lei, o que faz de mim e do amigo vendedor, dois criminosos…mas valeu a pena, pois ao que dizem os entendidos é da boa e até parece que é das Eiras!

 

Entramos na época dos enlatados, das conservas e do higienicamente artificial e vai sendo assim que acabam com as nossas tradições, usos e costumes e com as nossas aldeias.

 

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Moreiras situa-se em plena serra do Brunheiro (ali como quem vai para a serra da Padrela), a cerca de  800 metros de altitude, produz essencialmente centeio, batata e castanha.

 

Em termos de história e dizem os escritos que na aldeia há monumentos muito reveladores da sua antiguidade onde se destaca a bela a igreja e casario anexo de Santa Maria. Tem como orago a Senhora dos Favores, cuja festa se realiza a 15 de Agosto e conta-se em tradição, que a igreja foi mandada construir por um dos filhos da lendária Maria Mantela. Pertenceu inicialmente à Ordem Militar de S. João de Jerusalém ou do Hospital e, mais tarde, foi Comenda da Ordem de Cristo". Provavelmente do século XIV, as suas características são predominantemente românicas, visível na cachorrada e vãos laterais, sobretudo na porta que se encontra voltada a norte, cujo tímpano é vazado por uma cruz característica da Ordem dos Templários. A fachada principal sofreu assinaláveis transformações, presumivelmente após uma derrocada que se julga associada ao terramoto de 1755. O pórtico sul, durante muitos anos encoberto, foi desobstruído no âmbito do trabalho de restauro que ocorreu entre 1982 e 1994, sob a orientação do pároco Padre António Joaquim Mateus, em que também foram, interiormente, descobertas umas pinturas a fresco. Lá permanecem duas aras romanas, vestígios desses antepassados que ocuparam toda esta região durante largos anos. Encostada ao adro desta igreja está a residência paroquial. Em frente ergue-se um artístico cruzeiro barroco. E logo de imediato pode admirar se uma casa com uma grandiosa chaminé, muito ornamentada e sem dúvida alguma um dos exemplares mais belos de todo o concelho, e uma pátio à boa maneira de um proprietário rural abastado, verdadeira preciosidade da arquitectura rural.

 

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Ainda permanece de pé a frontaria do solar dos Falcões, com a pedra de armas e também alguns crimes praticados recentemente com novas construções que põem em causa toda a beleza de uma construção nobre.

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No centro da aldeia, no largo principal logo a seguir à igreja, situa-se um interessante conjunto arquitectónico constituído por um tanque, uma fonte coberta, um artístico cruzeiro e uma sepultura antropomórfica utilizada como bebedouro de animais.

 

E por hoje é tudo, estamos de volta com as aldeias que ainda faltam passar neste blog. Amanhã cá teremos mais uma.

 

Até amanhã!

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