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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Casas de Monforte - Chaves - Portugal

14.09.08 | Fer.Ribeiro

 

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Em Julho de 2007 fiz este blog fez uma passagem breve por Casas de Monforte. Publiquei então uma fotografia da aldeia acompanhada de um pequeno texto onde num dos parágrafos afirmava:

 

“Casas de Monforte é um bom exemplo da aldeia típica de montanha em que os seus filhos partiram, uns para o estrangeiro e que, quando regressam, preferem a comodidade da cidade à da aldeia e outros porque estudaram, é nas cidades que têm os seus empregos. Filhos da terra que voltam sempre à terra quando podem, mas só de passagem, num ou outro fim-de-semana, nas férias ou no dia de festa ou de festas.”

 

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Pelos comentários que esse post recebeu, estas breves palavras não foram muito bem aceites por alguma juventude de Casas de Monforte. Prometi então regressar à aldeia com olhos de ver e repor a verdade das minhas palavras, caso a verdade estivesse do seu lado.

 

Pois ontem andei pela aldeia mais de uma hora com olhos de ver, desci aos campos, fotografei, recolhi informações, consultei alguma documentação e relendo o que disse em Julho de 2007 reconheço que Casas de Monforte afinal, em termos de despovoamento,  não é “um bom exemplo da aldeia típica de montanha”. Retiro assim estas palavras ao parágrafo de 2007 e peço desculpas aos jovens ofendidos. Há sempre que ouvir a voz do povo e de facto, as aparências iludem.

 

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Casas de Monforte engana, principalmente a que entra na aldeia com um olhar breve e percorre as suas ruas sem olhar para o movimento dos campos das redondezas da aldeia.

 

Segundo o Censos de 2001 e no universo das cerca de 140 aldeias do concelho, ocupa o 18º lugar no ranking das aldeias com mais população, sendo mesmo a aldeia com mais população da sua freguesia. Pois segundo o Censos em 2001 tinha 276 residentes, dos quais 83 tinha menos de 20 anos e 33 menos de 10 anos, ou sejam números invejáveis para a maioria das aldeias do concelho, principalmente em termos de população jovem. Mesmo assim, também não deixa de ser verdade o que disse em 2007 em relação os seus filhos que partiram e que tem emigrados ou a viver na(s) cidade(s), uns na procura de oportunidades que a aldeia não lhes oferece e outros, porque tiveram oportunidade de estudaram, se formaram,  e na aldeia não encontram trabalho compatível com a sua formação, embora isto, não seja de modo algum um desprestígio para a aldeia, antes pelo contrário, pois pela certa que a aldeia e os residentes se sentem orgulhosos pelos filhos que têm fora a lutar e fazer pela vida, que sem dúvida alguma, terão muitas mais oportunidades de uma vida melhor que aquela que conseguiriam na aldeia. Mas o que interessa mesmo é que esses filhos ausentes tenham a aldeia no coração, reconheçam as suas origens e se sintam orgulhosos delas. Tanto quanto sei, por alguns amigos e conhecidos naturais da aldeia, é essa a terrinha que guardam no coração.

 

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Também fisicamente Casas de Monforte não é um exemplo de aldeia de montanha, principalmente no que diz respeito ao seu casario típico e tradicional do granito, pois poucas são as casas que podem chamar a si a traça tradicional da arquitectura das aldeias típicas transmontanas, embora ainda haja por lá alguns exemplares no seu núcleo, mas (estes sim seguem o exemplo das restantes aldeias) abandonadas ou em ruínas (embora poucas) pois a maioria das suas construções são novas, recentes e construídas fora do seu núcleo histórico e as que são habitadas (no seu núcleo), sofreram obras de restauro, reconstrução ou ampliações,  onde foram introduzidos novos materiais ou novas técnicas construtivas divergentes da arquitectura tradicional transmontana onde a pedra (na nossa região o granito) e a madeira eram elementos estruturais.

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Embora em 2007 tivesse conseguido em Casas de Monforte a minha foto mais popular no flickr e no mundo da INERNET, continuo a dizer que a aldeia (para mim) é difícil de fotografar, precisamente pela ausência dos tais motivos tradicionais das construções de granito que mais me atraem, pois na aldeia sobressaem as construções novas ou recentes. Mesmo assim há motivos de interesse e pormenores que são dignos de boas fotos.

 

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Deixando de parte as minhas observações e olhares pessoais da aldeia passemos a um pouco da sua história a àquilo que encontrei em alguns escritos sobre a aldeia.

 

Tudo indica ser uma aldeia de povoamento antigo. Na entrada da aldeia situa-se uma pequena mas bonita capela do Santo Cristo, onde se situa um nicho das Almas do Purgatório, uma sineta datada de 1607 e um artístico cruzeiro abrigado pela galilé da capela que estaria associada a um imponente edifício denominado Casa do Mosteiro. Reza a tradição que todo este património teria sido construído por dois frades em observância das regras de uma ordem. Teriam realizado uma peregrinação, a pé, até Roma donde foram portadores, no regresso, de muitas indulgências para a sua capelinha do Santo Cristo.

 

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A aldeia desenvolve-se ao longo de uma comprida rua, elevando-se no cimo dela, a igreja de Santa Marinha, padroeira da igreja. Acima da aldeia está a capela do Senhor dos Aflitos.

 

Na envolvente da aldeia existem várias memórias arqueológicas entre as quais se destaca um lagar cavado na rocha, um menir com cruciformes insculpidos e uma rocha nas Meias, que ostenta diversos motivos da arte rupestre, tão abundante na região.

 

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Contam as muitas lendas que debaixo dessas belas pedras existiriam tesouros de ouro enterrados e, por isso, os "caça tesouros" profanaram esses locais à procura das riquezas que aí estariam escondidas. Outra lenda refere que antigamente as raparigas iam a esse local, lançar pedrinhas ao menir na persuasão de que tantos anos estariam solteiras quantas tivessem que atirar, antes de em cima, ficar uma.

 

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Quanto à vida da aldeia, embora junto a ela exista uma importante exploração de granito, está ligada essencialmente à agricultura tradicional da região, ou seja a batata, o centeio e o milho. Na proximidade da aldeia também o tradicional em termos de cultivo mais ligados à horta e aos legumes, com couves, pimentos, tomates, beterraba e culturas da época, … o tradicional da horta onde as árvores de fruto também tradicionais e de proximidade das habitações marcam presença (macieiras, pereiras, cerejeiras, pessegueiros, marmeleiros e alguns castanheiros…) tudo em pequena escala e isoladas.

 

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É também uma aldeia onde na sua envolvente a floresta existente é predominantemente autóctone, com o carvalho a marcar presença importante e quase única, no entanto não são consideráveis as manchas verdes que apenas se desenvolvem entre a aldeia e os domínios do Castelo de Monforte e entre esta aldeia e a sede de freguesia Aguas Frias e/ou Paradela de Monforte. .

 

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Para quem não conhece, falta localizar Casas de Monforte. Como já entenderam pelo topónimo, são casas de Monforte, ou seja da região de Monforte onde o Castelo marca no alto da serra a sua presença e o centro desta região. Pertence à freguesia de Águas Frias e fica a 15 quilómetros de Chaves. O acesso à aldeia, a partir de Chaves, faz-se via Nacional 103 em direcção a Vinhais ou Bragança. Em alternativa, por estradas municipais, poder-se-á ir pela nacional 103-5 até Vila Verde da Raia, daí virar em direcção a Curral de Vacas e antes de Mairos toma-se a estrada para Paradela de Monforte e desta a Casas de Monforte é um pulinho, tudo e sempre por estradas asfaltadas. Para passeio, recomendo mesmo este circuito que dá para uma tarde de Domingo por terras que se desenham entre o grande vale de Chaves e o grande planalto da montanha.

 

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E para terminar resta mesmo dizer que Casas de Monforte já marca presença na NET e na blogosfera em http://casasdemonforte.blogs.sapo.pt/ , um blog ainda a dar os seus primeiros passos feito a três mãos (Tó, Manel e Hugo) onde tal como o blog de Castelões, uma das contribuições é feita do estrangeiro, mais propriamente desde França. Mais um bom exemplo para engrandecer e marcar a presença de Chaves e do concelho na NET, mais um blog ao qual damos os parabéns e desejamos felicidades, além de a partir de hoje fazer parte dos links neste blog na secção das aldeias.

 

Até amanhã, de regresso à cidade.

 

 

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