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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Quilómetro Zero

12.09.06 | Fer.Ribeiro
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Chegados aqui, não há senão e apenas duas opções: ou entramos em Chaves ou viramos-lhe as costas. É o quilómetro zero onde se pode permanecer ou partir para Portugal ou então, mundo fora.

Já uma vez o disse aqui que esta é com certeza a imagem mais vista da cidade de Chaves. Penso mesmo que serve de referência a quem utiliza Chaves como itinerário de viagens. Por aqui passam diariamente milhares de pessoas com destinos longínquos – Espanha, França, Suiça, Alemanha, Luxemburgo, Itália… é, enfim, uma porta aberta para toda a Europa e para o mundo e vice-versa, porta de entrada de todo o mundo para todo o nosso Portugal.

Estamos no quilómetro zero da estrada mais longa de Portugal – A Estrada Nacional nº2, que começa precisamente neste local e termina em terras algarvias, mais propriamente em Faro.

Independentemente do que disse até aqui, este local é muito mais do que o quilómetro zero. Para o pessoal da minha geração e anterior à minha, este quilómetro zero era rico em pormenores e com muita vida. Aqui existiu um posto da Ex- Polícia de Viação e Trânsito, cujos agentes (lembro dois, o agente Ribeiro e Andrade) montados em imponentes motos (BMW – acho eu) faziam a fiscalização de todo o trânsito das Estradas Nacionais do concelho. Ao lado havia o Lar das Freiras instaladas no Palacete de Sotto Mayor, que alojavam “estudantas” do Liceu e da Escola Industrial e Comercial de Chaves, e ao que consta, à noite (à socapa) eram brindadas com serenatas de estudantes rapazes que às vezes terminavam a cantar na polícia… do outro lado da rua, o Jardim Público das verbenas de verão e dos namoros de então, com banda no coreto e conjunto no ringue, em frente havia a Guarda Fiscal, o latoeiro do Sr. Rodrigues sempre com braseiras e alambiques reluzentes à porta, as bombas da Móbil e a garagem da Volkswagen, de onde saiam os carochas da moda de então e, mais um bocadinho ao lado havia o famoso café piolho.

Tudo isto faz parte do imaginário da minha meninice, do tempo em que a caminho da escola (hoje confesso) ia “roubar” uns diospiros às Freiras (que me deixavam sempre a língua grossa), do tempo em que só me era permitido espreitar por entre os gradeamentos do jardim público para as verbenas da noite, ou do tempo em que, em casa, eu era o voluntário para levar a comida ao meu pai nos dias em que ele estava de plantão.

Desculpem hoje ter-me dado para um regresso à minha meninice da “rua das amoreiras”, mas é sempre bom regressarmos ao passado e fazer este exercício de memória e de regresso aos bons tempos que são (sempre) os da nossa infância…

Amanhã, como sempre, estarei por aí, num outro lugar da cidade. Até lá!!

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