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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Argemil da Raia - Chaves - Portugal

27.09.08 | Fer.Ribeiro

 

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Já passamos por Travancas e  São Cornélio. Para a freguesia ficar completa só faltava mesmo ir a Argemil da Raia, não por nunca lá ter ido, pois Argemil é terra e aldeia de passagem obrigatória para as terras da raia da freguesia de S.Vicente da Raia, aliás, é desde Argemil que as terras e freguesia de S.Vicente começam a ganhar o seu encanto e desde onde melhor se avista o tal mar de montanhas ao qual eu tantas vezes por aqui refiro.

 

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Então vamos lá até Argemil da Raia que como o próprio topónimo indica, é também ela uma aldeia da raia, de fronteira com a Galiza, Espanha, onde pela certa também haverá muitas estórias passadas de contrabando e clandestinidades, negócios de “peles” ou pelo menos a sua passagem.

 

Um pequeno aparte para explicar (a quem não sabe) o que são as “peles” as quais já não é a primeira vez a que me refiro por aqui. Pois as “peles”  entre aspas, pois havia então o negócio verdadeiro de peles,  era o nome dado em código por alguns passadores aos que clandestinamente tinha que atravessar a fronteira, ou seja, aqueles que foram os nossos emigrantes dos anos 60 e que a “pulo” partiram por essa Europa fora.

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Como já devem ter percebido esta terra da raia, pertence à freguesia de Travancas, fica a 21 quilómetros de Chaves e para variar, em termos de população, é uma das poucas aldeias de montanha ou fora da periferia da cidade, que ainda tem muita população residente. Aliás os números demonstram isso mesmo e é a aldeia mais populosa da freguesia com os seus 225 habitantes residentes (Censos 2001) contra os 166 habitantes da sede de freguesia (Travancas), ou seja, só Argemil tem tantos habitantes como o somatório das outras duas aldeias da freguesia, pois dos 520 habitantes da totalidade da freguesia, 225 são seus. Mas os números não ficam por aqui, pois poderiam ter muita gente e a sua população ser envelhecida, mas não, esse envelhecimento é contrariado pelos 54 residentes com menos de 20 anos dos quais 12 tinham menos de 4 anos (tudo números do Censos de 2001).

 

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Claro que Argemil também tem os seus emigrantes, os seus abandonos e filhos que partiram para a(s) cidade(s), mas mesmo assim, é uma aldeia resistente.

 

Hoje estou em dia de apartes, pois vamos até mais um. Geralmente quando vou para as aldeias da Serra do Brunheiro o da Padrela falo-vos da famosa Estrada Nacional 314 que nos leva a todas aquelas aldeias. Pois esqueço sempre referir a Estrada Nacional 103 e a importância que ela tem para mais de metade das aldeias e população do nosso concelho e que é a única que atravessa de lés a lés o nosso concelho. Pois é precisamente a Nacional 103 que temos de seguir, em direcção a Bragança para chegarmos a Argemil da Raia e a todas as aldeias do grande planalto. Claro que em alternativa podemos apanhar a Nacional 103-5, via Vila Verde da Raia, Mairos e a partir de aqui, seguimos a famosa estrada municipal do Padre Delmino, que liga Mairos a S. Cornélio. Logo a seguir (optando pela orientação Norte) temos Travancas (Capital da Batata) e juntinho a ela está Argemil.

 

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Argemil da Raia, situa-se também na serra de Mairos fazendo parte do extenso planalto que abrange as terras da Castanheira e a pedra Bolideira, a uma altitude média de 850 metros. Pertence a terras do planalto, mas é precisamente lá que o mesmo termina.

 

 Tem uma pequena capela cujo orago é São Miguel Arcanjo que se festeja a 8 de Maio de cada ano.

 

É aldeia muito antiga que e que já possuiu casas rústicas muito interessantes. Mas como aldeia resistente, com vida e população que foi mantendo, as características de ruralidade das construções de granito a transitar para o xisto foi-se perdendo nas últimas dezenas de anos onde as novas construções e os actuais materiais utilizados na construção começaram a aparecer. Ou seja, Argemil em termos de casario, não é um bom exemplo da aldeia típica das construções de granito, mas antes de uma aldeia nova que nasceu de uma antiga aldeia.

 

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Quanto à sua antiguidade e ao que consta, o povoamento reporta-se à permanência dos suevos e o seu topónimo terá origem em Algemir ou Algennirus. Do casario tradicional que existiu, salienta-se, entre todas, a casa pertencente aos herdeiros de Ângelo Tenreiro, professor em Mairos nos finais do Sec. XIX. Ao que tudo aponta, deveria ter sido mandada construir pelo seu pai, o vigário da Paróquia de Travancas, Padre Domingos Manuel Alves da Rocha Raposo Tenreiro, nos finais do século XVIII ou princípios do Século XIX.

 

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E sobre Argemil da Raia nada mais digo, porque também não o sei, mas sei que vai tratando de manter as novidades de Argemil sempre actuais e onde há mais sobre esta aldeia, pois já há muito que Argemil marca presença na NET, actualmente neste sítio:

argemildaraia

 

Quanto às fotografias, foram as possíveis tomadas numa tarde a caminho de Segirei, mas mesmo assim deu para perceber que Argemil da Raia não é excepção quanto aos fios azuis e a sua importância no mundo rural, não fossem eles os melhores. Este é outro aparte e pormenor curioso, pois não há uma única aldeia do concelho onde os fios azuis não marquem presença, quer em portas, portões, cancelas e outras vedações ou amarrações. São os melhores e baratos. Fica aqui o meu elogio tardio ao fio azul.

 

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E por terras de Argemil e Travancas é tudo. Mais uma freguesia à qual concluí as minhas visitas em termos de reportagem fotográfica e onde as três aldeias já tiveram aqui o seu post alargado. Têm assim direito em termos de fotografia ao mosaico da freguesia. Um destes dias (fim-de-semana) por aqui passará.

 

Até amanhã, com mais uma das nossas aldeias.

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