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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Flavienses Ilustres - Nadir Afonso Rodrigues - 2ª Parte

13.10.08 | Fer.Ribeiro

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E sobre o Mestre Nadir Afonso, teria aqui tema para encher páginas e páginas deste blog, mas vamos em jeito de resumo deixar por aqui o essencial sobre o Mestre:

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O Essencial sobre o Mestre Nadir Afonso

 

Uma vivência cosmopolita associada a uma grande capacidade de reflexão levou Nadir Afonso a encontrar, através da geometria, o caminho que o conduziu à compreensão da obra de Arte. Segundo a estética de Nadir, são as leis da natureza que, na sua essência, informam a obra de Arte: leis de perfeição, evocação, originalidade e harmonia.

 

        A obra pictórica de Nadir Afonso prima pela pessoalidade: a obra identifica o artista. A sua produção teórica comporta temas tratados de forma inédita, que visam elevar a arte ao nível do raciocínio. Na prática, a obra estética poderá lançar as bases que conduzam ao melhor entendimento e à racionalização da obra de arte.

 

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Após a conclusão dos estudos no Porto, a ânsia de mais conhecimento levou Nadir a partir para Paris. Aí, no pós-guerra, viveu um ambiente de euforia, tendo colaborado com o arquitecto Le Corbusier, frequentado a École des Beaux-Arts, o atelier de Fernand Léger e estabelecido amizade com os pintores Herbin e Vasarely. A colaboração com o arquitecto Óscar Niemeyer verificou-se durante a estadia no Rio de Janeiro e S. Paulo, onde participou na execução do projecto do IV Centenário da Cidade de S. Paulo.

 

Regressado a Paris, alternou períodos de trabalho de arquitectura, com períodos dedicados à investigação estética, estando a pintura sempre presente. A sua primeira grande exposição realizou-se na Maison des Beaux-Arts,  em Paris. 

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Uma situação económica menos adversa trouxe-lhe então a estabilidade necessária para se dedicar completamente à obra. No isolamento, longe das convenções sociais, Nadir Afonso leva uma vida simples, desenvolvendo nesse recolhimento o seu trabalho com apaixonada dedicação, o que lhe proporcionou a formulação de uma teoria estético-filosófica muito própria. O filósofo e professor Nassin Nicholas Taleb afirma que, actualmente, o homem não tem tempo para pensar. Ora, a fim de ter tempo para pensar, Nadir enveredou pelo isolamento. Como diria Henry Ford, pensar é o trabalho mais difícil que existe.

               

Nadir, apesar de não se sentir arquitecto, não renega nem tão pouco se envergonha da sua obra de arquitecto. A tese de Nadir, intitulada «A Arquitectura não é uma Arte», foi realizada a partir do projecto de uma indústria têxtil, em Saint-Dié, França, elaborado no atelier de Le Corbusier. A necessidade de a arquitectura responder a uma função, aliada à necessidade de trabalhar em equipa, não se coadunou com o seu temperamento de artista solitário. A consciência da sua incapacidade de lidar com organismos oficiais, clientes, engenheiros, construtores e outras restrições, a insatisfação criativa que a arquitectura exige, levaram-no a abandonar uma actividade que funcionou como meio de sustentação económica até 1965.

 

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Nadir Afonso encara a pintura como uma necessidade interior de criação, sendo todos os seus esforços direccionados para a compreensão e explicação racional da arte dos mecanismos da criação artística. O longo caminho estético percorrido desde a sua infância e juventude, onde predominava a representação do real, passando pelo surrealismo, geometrismo e pelos diversos períodos que atravessou até à actualidade, conduziu o artista à convicção da existência de uma lei na arte, a que deu o nome de morfometria.  

               

Ao procurar a compreensão da criação artística, Nadir Afonso definiu as qualidades que o conduziram ao princípio de que a obra de arte é regida por leis de natureza geométrica. Partindo de exemplos palpáveis, foi progressivamente elaborando uma filosofia estética. Ao seu primeiro estudo, La Sensibilité Plastique, outros mais elaborados se seguiram.

 

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Em Les Mécanismes de la Création Artístique, Nadir alicerçou os fundamentos teóricos da sua estética. Em O Sentido da Arte estabeleceu a preexistência das leis através das condições de existência, analisando nesse estudo os erros da percepção e tratando o objecto geométrico como fonte de harmonia que concede especificidade à obra de Arte. 

               

Considerando que as leis da geometria estão presentes em todo o Universo e partindo do princípio que as leis que regem a obra de arte são as mesmas que regem o Universo, Nadir deu corpo à concretização desta teoria, expressa nos livros Universo e o Pensamento e Nadir Face a Face com Einstein. Por outro lado, contestou normas da física relativista, como a velocidade da luz, propondo o entendimento do tempo como uma relação matemática entre espaço e movimento.

 

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 No ensaio Sobre a Vida e sobre a Obra de Van Gogh, Nadir analisa a obra de Van Gogh, apontando a sua condição de artista com carências económicas e a indiferença do público como factores condicionantes da sua obra.

        

Para Nadir Afonso, a realização da obra de Arte não é encarada como fruto de um rasgo espontâneo de génio criador, nem como expressão da alma do artista, sendo vista como consequência de um trabalho árduo e perseverante em que só a contemplação aturada da obra é indiciadora da natureza geométrica da Arte e reveladora de possíveis erros de composição.

               

A originalidade da obra pictórica de Nadir, as suas composições inconfundíveis, a forma reflectida como as suas ideias são expostas e a independência de espírito são as características mais marcantes do trabalho de Nadir Afonso, às quais se aliam uma grande capacidade de pensar e desenvolver raciocínios.  Com Nadir Afonso estamos perante uma teoria estética que refuta a subjectividade, a linguagem da alma, e proclama a racionalização da Arte, pretendendo demonstrar que atributos como o conceito de "belo" e "beleza" são vagos e nada definem.

         

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Nadir Afonso - Logótipo da Cidade de Chaves

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A investigação estética de Nadir Afonso mostra-nos como, a partir de composições simples com formas elementares da geometria, se criam tensões matemáticas que chamam a si outras formas, as quais funcionam por sua vez como pedra de fecho da composição.

       

Aos 87 anos, apesar de o seu estado de saúde estar debilitado, Nadir Afonso continua a trabalhar com perseverança.

 

Não há qualquer dúvida que o Mestre Nadir Afonso é um dos maiores ilustres flavienses de todos os tempos da nossa milenar história flaviense. Um nome maior no campo da arte nacional e internacional.

 

Nacionalmente a sua arte já desde há muito é reconhecida e prova disso mesmo é uma recente edição de selos com algumas das suas obras, os murais em estações do metropolitano e as inúmeras e importantes exposições nacionais e internacionais para que é convidado.

 

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Nadir Afonso - Metropolitano

 

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Também a cidade de Chaves lhe dedicado algumas homenagens de reconhecimento quer com o nome de uma rua, o nome de um agrupamento de escolas e de uma escola, com uma sala com o seu nome no Museu da Região Flaviense onde estão expostas permanentemente algumas das suas obras.

 

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Também Boticas recentemente se associou a esta homenagem, com uma exposição de telas suas em grande formato e com o anúncio de um Centro de Artes com o nome do Mestre onde suponho também constará alguma da sua obra e da sua história, mas falta fazer-lhe a homenagem maior, que este nome maior merece: A construção da Fundação Nadir Afonso em Chaves. Já existe o local, a maqueta já é conhecida de todos, falta mesmo é a sua construção e esse local de reunião de toda a arte e história do Mestre, a sua abertura à cidade de Chaves e a quem nos visita. A cidade de Chaves deve isso ao Mestre Nadir Afonso.

 

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Nadir Afonso - Com a cidade de Chaves aos seus pés

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Páginas e blogues de visita obrigatória do Mestre Nadir Afonso:

http://espacillimite.blogs.sapo.pt

http://nadirdechaves.blogs.sapo.pt/

http://www.nadirafonso.com/

http://www.nadirafonso.pt/

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso_artworks

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

 

entre muitos outros…

Até amanhã!

 

 

 

 

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