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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vila Nova de Monforte - Chaves - Portugal

19.10.08 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje vamos de excursão até Vila Nova de Monforte, que tal como o topónimo indica, vamos até terras de Monforte, ou seja, aquelas que vivem nas redondezas do Castelo de Monforte.

 

Partimos de Chaves cidade por uma das nossas famosas estradas nacionais que atravessam o concelho de lés-a-lés, a nacional 103, e vamos por ela acima até às Assureiras do Meio ou a Vila do Meio. Aí viramos à direita, como quem vai para Sobreira, Avelelas ou Oucidres. Já estamos em terras de Monforte, aliás o Castelo já desde Chaves que marca presença e no subir da nacional 103 cada vez está mais próximo.

 

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A partir das Assureiras do Meio temos estrada municipal, cuidado com ela. Não pelo piso, que está bom e até se recomenda, mas pelas curvas e contra curvas, além da largura do pavimento que não recomenda grandes devaneios em termos de condução de viaturas, mas permitirá alguns em termos de apreciação da envolvência, da paisagem e onde a floresta faz jus daquilo que  é natural da terrinha, ou seja a nossa floresta autóctone, com predominância do carvalho e onde as resinosas como o pinheiro não entram.

 

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Passada a placa de Sobreira (à direita) temos logo a seguir as Avelelas (que brevemente passará aqui no blog), claro que devemos deitar um olho à aldeia, mas só um olho, pois o mais interessante está mesmo no seu miolo e não à beira da estrada.

 

A partir das Avelas fiquem de olho no próximo desvio, não se fiem nas placas, pois lá no alto a ferrugem e suponho que o rigor dos invernos, tomou de assalto as letras das placas indicativas, além das abreviaturas também não ajudarem muito. Guiem-se pela primeira foto que hoje vos deixo, é aí que devem virar em direcção a Vila Nova de Monforte.

 

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A partir do cruzamento entramos em paisagem já conhecida, paisagem do planalto de Monforte com vistas para o concelho de Valpaços. A mesma paisagem que presenciamos desde Bobadela, Oucidres e Vilar de Izeu, todas elas terras de Monforte e quase pertencentes à mesmas freguesia de Oucidres, tal como acontece com a nossa aldeia de hoje.

 

Chegados a Vila Nova de Monforte, por ironia do seu topónimo, damos conta que é mesmo nova, pois a maioria das suas construções são recentes e é a primeira aldeia que se vê – a nova. Mas seu gostam das construções tradicionais onde o granito é rei e senhor, não se desiludam com a aparência. Entranhem-se na aldeia, vão descendo as ruas e quando parece não haver mais nada, surge o núcleo da aldeia antiga, onde se podem apreciar ainda alguns exemplares das antigas aldeias de granito, que tal como em todas as outras, estão abandonadas, onde se contam também algumas ruínas, mas ainda é um pequeno núcleo, de uma aldeia que foi pequena e simpática, a julgar pelo casario.

 

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Quanto à aldeia nova, é o típico das construções dos últimos 30 anos, onde o betão entrou em força e onde se adivinha muita casa de emigrantes.

 

Já que na nossa excursão chegamos à nossa aldeia de hoje, vamos a um pouco da sua história e estórias, que também as tem.

 

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Comecemos pelas estórias de algumas dezenas de anos atrás, não muitas, apenas três ou quatro dezenas. Pois em conversa no largo principal da antiga aldeia encontro velhas conhecidas, tão velhos são os conhecimentos que até nem nos reconhecemos, mas pela certa que os nossos passos se cruzaram lá nos idos anos 60. No trocar de palavras nas aldeias, a identificação e origens é quase obrigatória. Vai daí que palavra puxa palavra e lá chegamos aos conhecimentos, de alguns bem próximos e familiares ligados à aldeia e dos distantes de quando as senhoras com quem conversava me passavam à porta de casa quando eu era ainda um puto e vivia ainda na Casa Azul, mesmo em frente àquele caminho de terra batida que pela certa foi calçada romana e de onde vinham desde aldeias da montanha, a pé, acompanhados de burros carregados com coisas para a cidade. Lavadeiras de São Lourenço, eram as mais próximas, mas também desde S.Julião, Limãos, Cela, Vilarandelo e terras de Monforte, entre outras. Passavam-me à porta, mas desconhecia as origens. Sei que vinha lá da montanha, das entranhas do Brunheiro, mas desconhecia os quilómetros que já traziam nas pernas para trazer coisas à cidade.

 

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Pois as senhoras que me calharam em conversa até conheciam os meus pais das passagens que faziam à minha porta, com burros carregados de palha para fazerem as cortes da cidade, onde os recos cresciam e se faziam cevas para ir à faca em Dezembro. Palha que contribuía também para o tal, bom e afamado presunto de Chaves, que hoje é iguaria só para alguns.

 

Tempos difíceis, pois embora hoje Vila Nova de Monforte fique a apenas 15 quilómetros de Chaves e a viagem até à aldeia se faça nuns minutos de carro, com todas as comodidades de aquecimentos, ar condicionado, música de companhia e 90 ou mais cavalos a subir a montanha, há coisa de 40 anos atrás, as pessoas desta e outras aldeias, desciam à cidade a pé, guiando um burro carregado com coisas da aldeia para a cidade. Palha, carqueja, batatas, roupa, lenha, tudo servia desde que a cidade o necessitasse e rendessem uns tostões ou uns poucos escudos para fazer a vida da aldeia. Tempos difíceis de imaginar para quem já não faz quinhentos metros a pé, ou nem sequer sabe o que é verdadeiramente andar a pé, mas que foram bem reais e ainda bem recordados pelos resistentes ainda vivos das nossas aldeias, os mesmos que hoje vão conversando connosco e que nos contam estas preciosidades de uma vida difícil, que “Graças a Deus” já passou.

 

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Quanto à história de Vila Nova de Monforte, infelizmente, nada encontrei. Todos indicam ou aponta ser uma vila nova em terras de Monforte, ou seja uma antiga villa agrícola de algum senhor que teria nascido nas redondezas e ao abrigo do Castelo de Monforte e das aldeias mais próximas e antigas. Talvez Oucidres a quem agora pertence ou talvez Avelelas, pela proximidade. Não o sei e também não existem escritos (pelo menos que eu conheça) onde esta aldeia seja referenciada. Poderá e será certamente uma aldeia que nasceu após a construção do Castelo de Monforte, não o sei e apenas suponho, mas que o topónimo condiz bem com a aldeia, lá isso condiz, pois a maioria do seu casario é recente e a tal villa agrícola, ainda hoje existe e ao que parece até é fértil em culturas de montanha (batata, centeio, milho e também alguma castanha), que se estendem por um planalto que quase desconhece o acidentado das montanhas, embora conheça as suas alturas e o rigor dos invernos, frios, bem frios pela certa.

 

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Um nome sobressai na aldeia, um antepassado ao que sei ainda recente, mas ao qual os resistentes da aldeia também não me souberam dizer lá muito bem quem ele era, mas a quem a população dedicou uma placa colocada na antiga escola primária (actual bar da associação da aldeia) onde reza: “Dr. Henrique António Pereira em homenagem justa embora tardia àquele que foi o homem mais ilustre de Vila Nova de Monforte – 10-08-2005” . Alguns sempre me foram dizendo que parece que foi quem mandou construir a escola. Com referencia a este nome, também conhecido em Chaves, só conheço um, formado em filosofia e que viveu quase toda a sua vida em Angola, mas terminando os seus dias na nossa cidade, mas cujo nascimento lhe é atribuído a terras de Monforte (sim) mas a Stº António de Monforte. Não sei se será o mesmo ilustre de Vila Nova de Monforte e qual a sua ligação a aldeia. Talvez alguém aí desse lado possa ajudar.

 

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E de Vila Nova de Monforte só falta mesmo abordar um tema que me é tão querido aqui no blog, mas que infelizmente até nem é nada agradável, ou seja (vamos lá bater mais uma vez no ceguinho) o tema da população, do seu envelhecimento e do despovoamento.

 

Aparentemente Vila Nova de Monforte pela quantidade de casario novo, é uma aldeia cheia de gente e com muita vida. Vida ainda a tem, mas pelo que se vê numa visita a aldeia a sua população também é feita de resistentes e gente envelhecida. Em idade escolar no último ano havia 3 alunos transportados para Chaves e para Casas de Monforte, mas os números dos Censos 2001 dizem o resto, pois nessa data havia 80 habitantes residentes, dos quais apenas 2 tinham menos de 10 anos e 5 menos de 20 anos. Os restantes, 46 habitantes tinham entre 20 e 64 anos e, 30 mais de 64 anos.

 

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Segundo constatei na aldeia e também me informaram, o grande número de construção nova deve-se aos emigrantes, pois como me diziam – “ aqui na aldeia os emigrantes quase todos vieram cá fazer casa”. Esperemos que ao menos estes venham a desfrutar das suas casas.

 

Vila Nova de Monforte, a dois passos das Avelelas e de Oucidres, mas também do concelho de Valpaços com quem confronta, pertence à freguesia de Oucidres e fica a 15 quilómetros de Chaves e, embora não se aviste da aldeia, está ali mesmo ao lado do Castelo de Monforte, do qual tudo indica que herda parte da origem do seu topónimo.

 

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Resta agradecer a simpatia das pessoas da aldeia, da conversa com o humorado grupo sentado à porta do adro da igreja e do cafezinho tomado na associação.

 

Ah! Faltava referir o jardim público, mas vedado, junto à igreja, com cordeiro a pastar e até com placa de inauguração de Presidente da Câmara.

 

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E pela freguesia de Oucidres as visitas estão concluídas, sendo assim mais uma aldeia com direito a um futuro mosaico fotográfico.

 

Até amanhã, de volta à cidade onde darei a conhecer aqui mais um ilustre flaviense.

 

Até amanhã!

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