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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

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06.09.06 | Fer.Ribeiro
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Isto de vir aqui diariamente publicar uma fotografia e um texto, embora aparentemente fácil, tem que se lhe diga. Nem todos os dias estamos em dia sim para publicar e geralmente a publicação do dia reflecte um pouco do tempo que tenho disponível e também um pouco daquilo que me vai na alma no momento da publicação ou, para ser mais alargado, reflecte o dia que ficou para trás.

Ontem, foi um dos dias em que a falta de tempo me levou a publicar um post com pouco apoio documental, mas mesmo assim e, em tom de provocação, segui com a publicação do post. A provocação teve resposta e, além de serem feitas as devidas correcções, o blog ficou a ganhar 3 varandas e um portão, além de ficar a saber que há sempre alguém atento para repor a verdade. Obrigado ao Sr. Também pelo comentário do último post, pela sua atenção e por corrigir os meus “disparates”, coisa que já não é de hoje. Um abraço daqui, desde a terrinha a mais um flaviense ausente.

Se ontem andei à volta do gradeamento de ferro de Art Nouveau que afinal embora feito com arte não é nova, hoje vou entrar no campo das certezas, devidamente documentado e até com conhecimento pessoal do autor da obra (também de arte) do portão da entrada principal da Câmara Municipal.

O portão (cujo pormenor ilustra o post de hoje) começou a ser executado em 1938 por solicitação do então engenheiro da Câmara, o Engº Sá Fernandes. Demorou 2 anos a ser executado, e custou 5.000$00 (25€), importância que foi paga às prestações. As peças do portão foram cravadas, medronhadas e limadas, tudo trabalho manual que, simplificando, e após a obtenção das várias peças, consistia em fura-las com uma manivela, nos quais eram introduzidos cravos e posteriormente limados, peça a peça (como se dum puzzle se tratasse) até se chegar ao portão final. Depois de pronto na oficina, foi contratada a diligência do correio do Porto para fazer o transporte até à Câmara Municipal, ao que consta, era o único veículo com capacidade para o poder transportar.

Nas “Incursões Autárquicas” de Firmino Aires há uma referência a este mesmo portão: “30-12-1938 – Câmara Municipal – Pagamento à firma Carlos Rodrigues & Filhos, desta cidade, a quantia de 2.000$00, por conta do custo de um portão de ferro para a porta principal dos Paços do Concelho”.

No reflexo dos “portões” de vidro colocados no interior, pode-se observar a silhueta do Sr. Duque (colocado na praça de Camões nos inícios dos anos 70) e ao Fundo a Igreja Matriz, tudo debaixo de um céu azul e de um calor impróprio para consumo que hoje em Chaves atingiu os 41º à sombra.

Até amanhã, com mais ferro ou sem ferro e com a esperança que este blog seja publicado debaixo de uma temperatura com os valores normais para a época (como diz o pessoal do “tempo”).