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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vila Meã - Chaves - Portugal

09.11.08 | Fer.Ribeiro

 

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E na ronda alargada das aldeias, hoje vamos passar por Vila Meã.

 

Recapitulando alguma coisa que já foi dita aqui no blog em breves passagens por Vila Meã, dizia que entre Chaves e esta aldeia apenas existia Outeiro Seco), mesmo assim, Vila Meã fica a 10 quilómetros, distância que hoje em dia é insignificante, mas que há umas dezenas de anos atrás, tinha que se passar por muitos e demorados campos de cultivo para chegar até Vila Meã, porque isto de andar de popó ou de carreira, são coisas da modernidade e bem recente até.

 

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Geograficamente, Vila Meã localiza-se a Norte da cidade de Chaves, na margem direita do Tâmega, ali mesmo à beirinha, onde o Tâmega faz fronteira com a Galiza. Tâmega que desde sempre esteve muito ligado à aldeia, não só como um auxiliar na vida do campo, mas também no aspecto balnear e recreativo que tão bons momentos proporcionou à juventude da aldeia e não só, pois a praia fluvial de Vila Meã era uma das que estava na rota das praias fluviais do concelho e do pessoal da cidade, a par do açude de Vila Verde, ou da Galinheira e Praia de Vidago, isto no tempo, claro, em que o rio ainda conduzia águas puras e cristalinas. A €poca do b€tão e as extracções de areia desde finais dos anos 70 até há bem pouco tempo atrás, encarregou-se de transformar o rio numa indústria agressiva e poluidora que transformaram para sempre o Tâmega. Ainda hoje o Tâmega está doente e logo ali bem pertinho da sua nascente em terras galegas.

 

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Há pouco tempo atrás neste blog fiz uma abordagem às antigas praia fluviais do Tâmega, que eram um sonho dos verões quentes e que agora já fazem parte do passado, pois nessa abordagem, num fim-de-semana dos mais quentes de verão, nem uma única pessoa desfrutava dos prazeres do rio. Modernidades que a pouco-a-pouco vão acabando com aquilo que temos de melhor. A Praia fluvial de Vila Meã também não foge à regra e também já faz parte do passado.

 

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Vila Meã pertence à freguesia de Vilarelho da Raia ou seja a uma freguesia de terras da raia, terras com muitas histórias para contar do contrabando e dos espanhóis fugidos da guerra civil, terras da raia onde o vale de Chaves e o vale de Monterrei se encontram e misturam, que abolindo nomes de vales e fronteiras, são apenas o vale natural do Rio Tâmega, onde este dá os seu primeiros passos, pois é ali mesmo ao lado, a poucos quilómetros de distância que ele nasce, mais propriamente de Laza, terra de grandes tradições carnavalescas.

 

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Segundo dizem os entendidos, Vila Meã foi um curato no princípio do século XVIII e paróquia, ou seja era onde um cura tinha a sua casa e as suas terras, casa que ainda hoje existe. É uma casa senhorial, sem pedra de armas, mas com um belo relógio de sol, o mesmo que hoje trazemos em fotografia (e com ponteiro) .

 

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A Igreja, que foi matriz, é da devoção a Santa Comba de Bande. A concha que a ornamenta sugere que este seria mais um dos pontos de passagem dos peregrinos de Santiago de Compostela, ou seja um dos caminhos de Santiago, mais que provável dada a geografia do terreno por estas terras planas.

 

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Quanto ao topónimo de Vila Meã, nas minhas pesquisas não encontrei nada. Mas seguindo o que o topónimo sugere Vila da antiga Villa (casa de campo) e Meã (que ocupa o meio), tudo indica (e sou eu a supor) que será essa mesma a origem do seu topónimo, ou seja uma das Villas situada no meio de outras Vilhas no grande vale do Tâmega, o que aliás é reforçado pelos topónimos das aldeias mais próximas onde o termo “vila” se repete. Vila(relho) da Raia, Vila(rinho) da Raia, Vila Verde da Raia, e até Vil(ela), situando-se Vila Meã no centro de todas estas “Vilas”.  Pura dedução minha, que poderá ou não ter fundamento, pois não sou especialista na matéria. Seja como for é Vila Meã.

 

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E quanto a números como vai Vila Meã!? – Digamos que é mais uma aldeia que não foge à regra do despovoamento e envelhecimento da população, pese e embora até seja uma aldeia do vale. Os dados como sempre são os dos Censos, neste caso dos Censos de 1991 e 2001 em que em apenas 10 anos perde 30 habitantes o que até nem é um número grande, mas estamos a falar numa população total de 110 habitantes em 1991 e 80 habitantes em 2001, onde em ambos os anos eram menos de 5 os habitantes com menos de 10 anos. Dados que se forem comparados com os de há 30 ou 40 anos atrás terão pela certa diferenças muito maiores.

 

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No caso destas aldeias da raia o despovoamento é agravado também com a abolição das fronteiras. Aqui não são só as políticas agrícolas e as suas associadas que falham, mas também o negócio do contrabando e a desmobilização da guarda-fiscal e contrabandistas roubou muita população.

 

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Hoje Vila Meã, embora tenha gente, é também uma aldeia envelhecida em que o modo de vida se reparte um pouco e ainda pelos campos do vale, mas também pelo trabalho na cidade que fica a apenas a 10 quilómetros e com acessos facilitados. É também terra de emigrantes. Aliás todas as nossas aldeias são terras de emigrantes, de gente que há muito partiu e que ainda vai partindo à procura daquilo que não encontram na terrinha e de uma vida melhor, ou pelo menos recompensada pelo seu trabalho, porque trabalho, é coisa que não assusta o povo das nossas aldeias.

 

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E por hoje é tudo, amanhã estou de volta com mais um Ilustre Flaviense.

 

Até amanhã!

 

 

 

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