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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Alanhosa - Chaves - Portugal

15.11.08 | Fer.Ribeiro

 

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É sempre com agrado que volto às aldeias, onde tudo é mais puro e simples, onde existe o verdadeiro espírito de comunidade e inter ajuda , onde as pessoas e as famílias se conhecem de geração em geração que passa e herda valores, onde as leis existem como nas cidades, mas que sempre se regem pelo que é e esta bem feito, ou não se faz, por não está correcto e, principalmente onde as pessoas são verdadeiras, simpáticas e hospitaleiras, desde (claro) que se vá por bem e sobretudo, porque há palavras que desconhecem porque nunca por lá se usaram ou viveram, tal como a palavra hipocrisia que alguns dos da cidade gostam de vestir e que todos conhecem.

 

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Gente que pode não ter grandes estudos, ou apenas saber ler e escrever ou até nem isso, mas que tem formação e é muito mais (bem) formada que muitos dos “doutores” das cidades que, por terem sentado o cú nas universidades (públicas ou não), pensam que o mundo roda em redor das suas cabeças e nada mais vêem para além do seu umbigo e que como valores, apenas transportam consigo a ambição, as influências e o poder, seja qual seja a forma e o meio.

 

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Assim é sempre com agrado que regresso às aldeias, como também é com agrado que hoje vamos até Alanhosa, bem lá no alto da montanha, onde ela se desfaz para dar lugar ao planalto onde até os rigores dos dias, doem, mas são bem vindos e aproveitados nas suas lides da vida.

 

Alanhosa é mais uma das onze aldeias de Nogueira da Montanha, fica a 14 quilómetros de Chaves, tendo como mais próximas as aldeias de Gondar, Capeludos e Santiago do Monte.

 

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Quanto aos acessos à aldeia já sabem, já sabem que para a maioria, desde Chaves, há que tomar a Nacional 2, a Nacional 103 ou a Nacional 314, ou (para quem não gosta de números) a Estrada de Braga-Bragança, de Vila Real ou de Carrazedo de Montenegro.

 

Para a Alanhosa há que seguir pela 314 acima, passagem obrigatória pelo Peto de Lagarelhos e a partir de aí, os próximos três desvios para estradas municipais, vão todos dar a Alanhosa. Para os distraídos para quem os desvios lhes passa à margem, tenham France como referência, pois a partir de aí, ou entraram para terras da freguesia de Nogueira da Montanha, ou então seguem alegremente enganados e pasmados com a paisagem.

 

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Quem é apreciador do nosso concelho rural, ou seja, das nossas aldeias, não chega passar por lá, mesmo porque (geralmente) junto à estrada de passagem, não é onde se encontra a aldeia no seu melhor. Há que apear-se, sentir os cheiros, falar com as pessoas, principalmente as mais idosas pois têm sempre qualquer coisa para nos ensinar, apreciar as aquitecturas e soluções que os antigos “engenheiros” sempre encontraram para os seus problemas estruturais e até, porque não, apreciar as inúmeras aplicações do fio azul, o melhor, mesmo que o laranja às vezes, também lhe queira fazer frente.

 

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Há por aí quem visite este blog e descubra coisas, que eu mesmo como autor, não as consigo descortinar. Assim, aquilo que aqui se escreve é aquilo que aqui se escreve e quando falo em fios azuis e laranjas, estou mesmo a falar de fios e de cores. Apenas um aparte para alguns da cidade que não sabem ler.

 

E quanto a povoamento, quando anda Alanhosa!?

 

Para povoamentos e despovoamentos temos que nos valer dos números que existem, que sendo uma aldeia de montanha, são mais que sabidos. Mas há aldeias e aldeias, mesmo sendo da montanha, e se algumas estão à beira do despovoamento total, noutras ainda vai havendo alguma esperança, pelo menos ainda vai havendo vida e mais ou menos resistentes.

 

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Mas vamos aos números, com que os políticos tanto gostam de brincar e justificar as suas incompetências e com os quais tanto gostam de nos aldrabar. Pena é que não olhem para eles com a realidade que eles transmitem e que tirem deles o que eles verdadeiramente dizem, em vez de serem arranjados e contabilidades enganadores com os malabarismos que as matemáticas lhes permitem. Assim, diz-me a experiência de vida e a minha maturidade política, que cada vez que um político agarra em gráficos e nos fala ou mostra os números, é porque já nos aldrabou tanto que já não encontra mais palavras para continuar a aldrabar e, agarra-se ao malabarismo e jogo dos números para se justificar e continuar a iludir que se deixa iludir.

 

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Os números por aqui são reais, ou talvez até nem tanto. São pelo menos os números oficiais que existem, próximos da realidade, contando sempre que a realidade é bem pior que os números, e, o próximo Censos de 2011 (suponho) concerteza que confirmarão as minhas palavras. Nem há como dar uma volta pelas nossas aldeias para ver que a realidade de hoje é bem diferente da realidade de há 20 anos atrás, e já nem sequer a comparo com a de há 40 anos atrás, que conheço só dos números e não a conheci pessoalmente, mas conheci a de há 20 anos atrás.

 

Dizem os números que Alanhosa tinha em 2001, segundo o Censos,  76 habitantes residentes, dos quais 5 tinham menos de 10 anos e 15 habitantes mais de 65 anos, ou seja, contando que as 11 aldeias da freguesia somavam na altura um total de 693 habitantes, a Alanhosa é uma das aldeias que na freguesia não é das que mais sofreu esse fenómeno do despovoamento, o mesmo que os senhores de Lisboa e os imitadores locais,  teimam em querer ignorar e a fazer todos os convites para que as aldeias fiquem totalmente despovoadas.

 

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Na realidade, e dando uma volta rápida pela freguesia de Nogueira da Montanha, nota-se que na Alanhosa ainda há muitos resistentes e que quanto a povoamente sai um bocadinho fora da regra, mas sofre na mesma do mal. Só em termos comparativos, o Censos de 1991 atribuíam à aldeia 102 habitantes residentes.

 

Quanto ao casario, também é o costume, com o seu núcleo, bem interessante e bonito, das construções tradicionais do granito maioritariamente abandonado e em ruínas. Algumas casas mais recentes ou arranjadas, abrigam as vinte e poucas famílias que por lá ainda resistem.

 

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E números aparte, vamos até mais um pouco de aldeia, como o seu topónimo.

 

Claro que todos os topónimos têm uma razão de ser e existir e alguns ao longo dos tempos até sofrem algumas alterações. Temos como um bom exemplo o nome da nossa cidade, a qual em 2000 anos passou de Aquae Flaviae para Chaves, onde aparentemente não há qualquer relação nos dois topónimos, mas que todos sabemos que Chaves resulta da evolução ao longo dos tempos e do latim para a nossa língua actual.

 

O topónimo Alanhosa também teve a sua evolução ao longo dos últimos séculos, pois  o nome desta aldeia, como referem documentos escritos, antigamente era Lenhosa. Supõe-se que o topónimo estará relacionado com a produção de lenhas, que concerteza eram de carvalho dados os seus 840 metros de altitude e que ainda hoje é abundante por lá e quase única, mas tudo isto são suposições dada a semelhança dos termos Lenhosa e lenha. Até melhor explicação do topónimo este serve.

 

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Carvalhos, mas também alguns castanheiros e campos de boa terra para batata de qualidade fazem com que estas terras e aldeias de montanha tenham também uma paisagem única, aliada ao planalto, onde nos “entardeceres” de quase a totalidade do ano fazem subir o encanto, não só no espectáculo que é ver o pôr-do-sol lá de cima a esconder-se entre as montanhas distantes, mas também pelas colunas de fumo das chaminés que aqui e ali se repetem nalgumas aldeias vizinhas, pois por aqui, tal como já referi no blog, é comum avistar-se o aglomerado da aldeia vizinha.

 

Quando a condições climáticas, a localização e altitude, fazem com que a aldeia conheça bem o que é o rigor dos Invernos, ainda para mais, que por aqui, os Invernos costumam ser de nove meses, só interrompidos por três meses de inferno. Rigor e Invernos que fica bem marcado nos seus rostos.

 

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E para terminar só falta mesmo referir a capela da aldeia, com um pequeno e bonito campanário, capela de Santa Catarina, é este o seu nome, onde o campanário se faz ver acima dos telhados do velhinho núcleo de habitações e que não fica alheia a qualquer passante, pois está situada num pequeno largo à beira da estrada. A capela foi construído em 1888 a expensas de J. L. F. da Costa, nome que consta em placa na frontaria. Ainda perguntei na aldeia que era J.L.F. Costa, mas os presentes não me souberam dizer. Concerteza que alguém saberá. Seja como for deixou à aldeia uma pequena mas bela capela, com padroeira que festejam em 25 de Novembro, e que segundo apurei, ainda é uma festa que se faz anualmente e que até junta muita gente e concerteza também muito frio.

 

Até amanhã pelo nosso concelho rural.