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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Polis Chaves - A cidade reconciliou-se com o Rio

19.11.08 | Fer.Ribeiro

 

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Tal como ontem ficou mais ou menos prometido, hoje vamos até ao Polis Chaves.

 

Há coisa de 10 anos atrás (não sei precisar a data) mais ou menos por todo o país foram lançados os programas Polis, que tinha como principal objectivo a requalificação urbana e valorização ambiental das cidades.

 

Chaves foi uma das cidades concorrentes a esse programa e numa segunda fase foi contemplada com ajudas e financiamentos para as obras que se propôs levar a efeito. Tenho pena que também a nossa candidatura tenha sido apresentada em duas fases, ou seja, que da primeira para a segunda proposta de obras tivesse saído dos interesses do município uma obra que a todos agradaria – a recuperação do antigo Cine-teatro de Chaves e assim colmatar uma área em que Chaves ainda está deficitária:  a de ter uma sala de espectáculos digna para poder receber qualquer tipo de espectáculos com condições mínimas, pois auditórios e a sala de espectáculos do casino, não convencem ninguém. Mas o que interessa agora, deixando de parte os lamentos, é mesmo aquilo que se fez com o Polis.

 

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Digamos desde já que maioritariamente o Polis foi e é positivo para a cidade. Um grande investimento e também esforço do município que é visível e que sem dúvida alguma contribui para a requalificação urbana de Chaves e também, em muito, para a valorização e qualidade ambiental da cidade, principalmente no que diz respeito às margens do rio Tâmega, onde finalmente o rio começa a fazer parte integrante da cidade e das nossas horas de estar e lazer em que o rio já não é um elemento alheio à cidade mas antes um parceiro com o qual gostamos de conviver.

 

Mas vamos indo por partes e vamos deixar por aqui um pouco do que foi o Polis na cidade, uma vez que todas as obras estão praticamente concluídas, e tomar também conhecimento dos seus números.

 

Fizeram parte do programa de obras 9 empreitadas, mas em termos de obras perfeitamente diferenciadas, eu resumia-as a 7, uma vez que 3 das empreitadas, a meu ver, dizem respeito ao mesmo espaço, ou seja às margens do rio.

 

Assim fizeram parte do programa polis as seguinte obras:

 

- Requalificação do Jardim do Tabolado;

- Requalificação e recuperação da envolvente do Forte de S. Francisco;

- Requalificação e recuperação do Forte de S.Neutel e envolvente;

- Requalificação do Jardim Público;

- Requalificação das Margens do Rio Tâmega (com 3 empreitadas distintas);

- Parque Multiusos de Stª Cruz;

- Ponte pedonal sobre o Rio Tâmega.

 

Sobre estas obras já fui deixando por aqui, em tempo, mais ou menos a minha opinião, mas em termos de resumo, agora que é oportuno e ttodas as obras estão concluídas, vou fazer a síntese daquilo que penso sobre cada uma delas. Claro que é a minha opinião, enquanto tiver direito a ela.

 

Requalificação do Tabolado

 

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O que foi feito, não está mal, principalmente no que diz respeito ao parque infantil. Penso no entanto que para o Tabolado bastava (além do parque infantil) recuperar aquilo que já existia. Mas congratulo-me que as obras tivessem ficado pela primeira fase, embora seja necessário fazer ainda os devido remates, principalmente no tratamento dos espaços que não entraram em obra, ou sejam, entre o parque infantil e a avenida de trânsito automóvel, coisa que se poderá resolver com uma limpeza e  um pouco de relva.

 

No geral, penso terem sido desnecessárias algumas das obras, mas a minha avaliação é positiva.

 

Forte de S.Francisco

 

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Nada a dizer contra o que por lá foi feito, aliás penso mesmo que aquela obra só pecou por tão tardia. Poderia ter um projecto que aproveitasse melhor aquele espaço, mas também poderia ter sido pior. Nada a dizer e ainda por cima, na sequência das obras ganharam-se alguns lugares de estacionamento automóvel, perfeitamente integrados na envolvente, ou seja um pequeno alívio para o velho cancro da cidade – os estacioamentos.

 

Forte de S.Neutel

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Também aqui considero positivo tudo o que se fez, mesmo considerando que se andaram a fazer filhos em mulher alheia, pelo menos a julgar pelas notícias em que o nosso governo (Ministério da Defesa)  pretende vender todo aquele espaço. Estupidez de todo o tamanho que não cabe na sensatez de um comum cidadão. Espero bem que tivesse sido um devaneio não inspirado do ministro, mas já estou numa fase em que acredito em tudo, principalmente deste governo. Espero que o ministro caia em si e que considere que o Forte de S.Neutel é património de todos e não um qualquer edifício que se possa trocar por uns trocados.

 

De negativo no forte só encontro mesmo o seu desaproveitamento em termos do anfiteatro existente, pois aquele espaço merecia muitos e bons espectáculos e o teimar em estar sempre de portas fechadas à comunidade e ao turismo. Ou seja, é um belo espaço e exemplar, bonito e arranjadinho mas que de nada serve para além da sua beleza.

 

Mas em termos de obras Polis, tem a minha avaliação positiva, pelo menos no que é visível, pois o que é menos visível, não foi tão bem tratado assim.

 

Requalificação do Jardim Público

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Para fazer mal feito, mais valia não fazer nada. Está tudo dito. Pessoalmente gostava mais do Jardim Público antigo, mesmo desprezado que estava,  do que do actual espaço.

 

Mas um jardim que já nasceu mal, pois destruíram-se grande parte das muralhas seiscentistas para se ter um jardim, nunca mais endireita.

 

Nota negativa para o Jardim Público e bem baixa. Se ao menos tivesse um parque infantil, ainda ponderava em subir a nota negativa, assim sem parque, não mudo a minha opinião. Sim, sim, já sei que há por lá um escorrega e um baloiço, mas está muito longe de ser uma parque infantil, e não sou eu que o digo, são as crianças.

 

Isto do parque infantil do Jardim Público pode parecer coisa pouca, mas não o é, pois no Jardim Público existiu o primeiro parque infantil da cidade, pago, com porteiro ou guarda. Um belo espaço onde o pessoal da minha geração por lá passou bons momentos. Mas claro que isto do passado e do seu significado sentimental só os verdadeiros flavienses é que o sentem.

 

Parque Multiusos de Stª Cruz

 

Digamos que para a primeira experiência de colocar lá os divertimentos da Feira dos Santos a coisa não correu lá muito bem, principalmente para os proprietários dos carrosséis e outros divertimentos. De futuro vamos ver para que serve aquele espaço,. Para o que existe, reservo sérias dúvidas da sua utilidade. Claro, dizem, que falta o resto. Vamos esperar então pelo resto e daqui a alguns anos então falamos da utilidade daquele espaço. Para já, sem actividade, é um espaço arranjado e até interessante, mas morto. Vamos acreditar no futuro e assim a minha consideração fica dependente desse mesmo futuro que sinceramente espero que seja promissor.

 

Para os divertimentos da feira dos Santos, tal como a feira se desenvolve, não merece nota positiva, ainda para mais quando peca pela falta de estacionamentos no local, uma vez que os mesmos, são ocupados pelas caravanas dos proprietários dos carrosséis. Mas isto até nem foi problema, pois a maioria das vezes que lá fui os carrosséis estavam às moscas.

 

Ponte Pedonal sobre o Rio Tâmega

 

A ponte pedonal merece um post alargado neste blog. Até lá, não teço qualquer comentário a seu respeito, mas adianto que os meus sentimentos para com a ponte são contraditórios, ou seja uma bela ponte, mas com alguns mas…que não têm a ver com a ponte. Fica agendado um post para a ponte.

 

Requalificação das Margens do Rio Tâmega

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Digamos que se o programa Polis se tivesse resumido à requalificação das margens do Tâmega, já era positivo. Finalmente o Tâmega começa a mostrar o ar da sua graça e começa a fazer parte integrante da cidade. Tudo que há a dizer sobre as obras na margem do Tâmega é positivo. Claro que o tempo ditará que ainda há coisas por fazer neste espaço agora aberto à comunidade flaviense e a todos quantos nos visitam e que o projecto peca por algumas ausências que poderiam melhor o espaço, mas também poderão ser feitas a qualquer momento conforme as necessidades e o espaço o venha a solicitar.

 

A minha primeira avaliação é positiva e com nota alta e, é também uma obra que só peca por tardia.

 

Sem dúvida um belo espaço para que todos possam desfrutar dele e, os considerandos começam aqui mesmo. Infelizmente já sabemos daquilo que a nossa cidade é feita, e embora o vandalismo até ainda nem seja preocupante, incomoda. Até nem é propriamente vandalismo o que por cá se passa, mas antes falta de formação que faz com que não se respeitem os espaços públicos.

 

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O espaço das margens do Tâmega oficialmente ainda está em obras e ainda não abriu ao público, pelo menos ainda não foi inaugurado. Mas já todos sabemos que o espaço está aberto e não tardarão os primeiros atentados a este parque, tal como aconteceu e acontece no Tabolado. No parque infantil., por exemplo, na hora de almoço de há dois dias passei por lá para tomar algumas das fotos de hoje e, o parque  infantil, estava povoado de adolescentes bem acima dos 14 anos e que faziam uso do parque como se de crianças se tratassem, pois andavam por conta própria e davam asas às suas fantasias de “criança”. E embora não fosse grave o que faziam, os aparelhos lá colocados não foram desenhados estruturalmente para aguentarem com o peso de adolescentes com idade de criança. Mas tudo por lá é possível e vai ser possível se o espaço na for policiado. Com algum espaço público e equipamento à disposição da comunidade e com a falta de formação de alguns que já é conhecida, talvez fosse altura também de o Município pensar na guarda e policiamento destes espaços, quer com policia municipal (que não existe) ou mesmo entregue ao policiamento de privados. Todos queremos que estes espaços sejam de todos e queremos usufruir deles no seu melhor, mas conhecendo a cidade, também há que preservar e manter, pois não basta fazer e pôr ao dispor para o destruir de alguns com pena de muitos. É um sério problema que o Municipio terá que equacionar se quiser manter estes espaços apetecíveis e abertos à cidade, nem que para isso tenham que retomar os antigos zeladores de espaços públicos que nem um pé deixavam pisar a relva dos poucos jardins que existiam. Claro que nem oito nem oitenta, talvez quarenta, estivesse bem. Pensem nisso!

 

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Embora ainda não tivesse oportunidade de percorrer todo o percurso das margens do Tâmega, mesmo porque ainda não está concluído, e embora também considere que tudo que se fez é positivo e finalmente abrem o convívio do rio à cidade, tenho alguns considerandos a fazer, e o primeiro passa logo por não se entender as margens do rio (no espaço agora aberto ao público) como um conjunto e sem interligação entre eles, começando por diferentes projectistas e diferentes empreitadas onde ainda ficam rabos de fora sem um circuito completo. Claro que talvez a breve prazo todos este circuito esteja aberto (entre a azenha dos Agapitos até à central de Águas), mas nota-se no seu percurso algumas incongruências e falta de ligação coerente entre um espaço que se quer pedonal e aberto para o rio. Não se compreende por exemplo que no meio de tanto espaço aberto no Jardim Público tivessem sido projectados portões para fechar o espaço e cortar o circuito, como não se entende que a zona mais nobre e próxima da cidade, na margem direita do rio, não tenha ainda continuidade neste circuito e não tenha sido inserida neste pacote de obras do polis. Refiro-me mais precisamente ao espaço entre o Tabolado e a Ponte de S.Roque, uma mancha negra em todo este espaço que agora se criou. É aqui que digo que este tipo de intervenção deveria ser considerada em conjunto e não às prestações como está a ser feito e com soluções que se inventam para interligar toda esta zona ribeirinha que se queria única, mesmo que muitas vezes custe e se tenha de fazer ouvidos moucos a algumas pressões. Afinal é do bem da comunidade que se está a tratar e não do bem de alguns, que, infelizmente, como sempre têm o seu peso.

 

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Outro dos considerandos que esta recente intervenção vem a por a descoberto e aos olhares de todos, com muitas opiniões de todos que por lá passam, é a azenha dos Agapitos. Um lugar histórico da cidade referenciado em tudo que é história e imagens antigas da cidade. Era uma boa oportunidade para aquele espaço ser recuperado e ser devolvido também à cidade, fazer dele talvez um museu vivo dos moinhos ao longo do Tâmega e até (imaginação precisa-se) de o tornar útil no seu aproveitamento com a produção de energia para toda esta zona ribeirinha agora criada. É talvez um investimento extra e não previsto, mas que em poucos anos seria pago com os benefícios que dele se tiraria, além de historicamente se fazer justiça àquele espaço, mesmo e também na referida produção de energia. Nestas intervenções há que conhecer também um bocadinho da história da cidade e com ela contribuir para a história de sempre. e futura Concerteza que ninguém reprovará a recuperação da azenha dos Agapitos, ainda para mais agora que está ali ao dispor da crítica de todo o povo.

 

E finalmente vamos aos números e ao Polis propriamente dito.

 

Como devem saber e já o referi atrás,  o Polis foi um programa lançado a nível nacional para a requalificação urbana e valorização ambiental das cidades. Foi um programa que contemplou várias cidades, entre as quais Chaves. Tem atrás do nome toda uma estrutura para levar a bom porto todas as obras que se propuseram levar a efeito as várias cidades e os vários projectos. Estrutura que foi constituída para a execução dos projectos em sociedades anónimas de empresas públicas onde está presente o estado com 60% de participação e a autarquia com 40%. Todas as obras polis são financiadas, ou melhor co-financiadas pelo estado, pela autarquia e por fundos comunitários.

 

Só para termos uma ideia do empreendimento Polis em Chaves, no total das obras levadas a efeito e que inclui os projectos, as expropriações a fiscalização e a obra em si, foram investidos 15.349.911 Euros, nos quais por ordem decrescente a Câmara Municipal comparticipou com quase 6.000.000 de Euros, o Estado com pouco mais de 4.700.000 euros e os fundos Comunitários também com cerca de 4.700.000, cabendo a maior fatia à Câmara Municipal por razões de expropriações, que não são comparticipadas. Só para ter uma ideia do custo das expropriações, na margem esquerda do rio entre o Jardim Público e a Azenha dos Agapitos o valor das expropriações é semelhante ao valor do custo das obras.

 

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Em termos de estrutura que está por detrás das obras, na tal Sociedade Anónima da Empresa Pública crida para o efeito, é constituída por três órgãos: A Assembleia Geral, o Conselho de Administração e a Direcção Executiva. Aparentemente uma pesada estrutura e burocrática que concerteza terá custos e que a meu ver se poderia resumir à Direcção Executiva, que na realidade é a que leva a bom porto todas as obras. Mas enfim, nisto não sou entendido e talvez seja uma forma de desburocratizar burocratizando a coisa, mas o que interessa mesmo é que funcionam e as obras foram levadas a efeito, muito fora de prazo ( a julgar pelo placar colocado no Tabolado e que já há muito parou na contagem do tempo), mas foram feitas.

 

Para concluir o que já vai longo, Viva o Polis, principalmente e naquilo que é fundamental, ter feito do Tâmega um parceiro agradável da cidade. Um espaço que a todos recomendo e que sem dúvida alguma vem contribuir para a nossa qualidade de vida. Nem que seja e só por isso, perdoam-se alguns pecados cometidos, embora não devam ser esquecidos, mas antes tê-los em conta para futuras intervenções.

 

Quanto à ponte Pedonal, também polis, tenho rasgados elogios a fazer-lhe, mas também muitos mas e considerandos que ficarão para uma próxima oportunidade.

 

E já que falo em ponte, só a título de curiosidade, nesta intervenção Polis, entre pontes a sério, pontinhas, e pontões, foram construídas num total 13 passagens, a saber: 2 pontes sobre o Tâmega, 2 pontões sobre a Ribeira do Caneiro, 1 ponte sobre o Ribelas, 1 ponte(ão) de ligação ao Jardim Público, 3 pontões dentro do Jardim Público (um novo e dois arranjados) e 4 pontões sobre linhas de água.
 

E por hoje é tudo. Faltam mesmo e só, os créditos deste post, que vão para a Direcção Executiva do Polis com os elementos e números que gentilmente me dispensou, mais propriamente para o Director Executivo do Polis Chaves, o Engº João Geraldes.

 

Até amanhã, com coleccionismo de temática flaviense.

 

Só mais um aparte ao post e para fazaer alguma justiça aos obreiros dos últimos 20 anos da nossa cidade, ficamos com uma foto do passado ainda recente:

 

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E post off, é só para demonstrar como estamos agradecidos naquilo que tem feito pelo nosso rio, a imagem de há cerca de 20 anos atrás de autoria de F.R.Alves e que eu sempre intitulei graciosamente “Tucows Tâmega”, demonstra bem que o rio é cada vez mais nosso, como deve ser, agora só falta ir rio acima e castigar que continua a poluí-lo, um trabalho também que o Município deve considerar como urgente e prioritário, embora o reconheça difícil, mas vai valer a pena, porque todos queremos ter um rio saudável, puro e limpo.

 

 

 

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