Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves Rural - Castelões

02.09.06 | Fer.Ribeiro
forno-bl.jpg

Ainda há dias referia aqui, que na montanha, dizem que para lá do rio (estando nós na margem esquerda – do lado da Madalena), são todos barrosões. Sem qualquer ofensa para os que vivem do lado de lá do rio, pois sou um orgulhoso flaviense que tem uma costela barrosã, da qual me orgulho também.

Mas se para lá do rio são todos barrosões, Castelões é uma dessas aldeias que dá força ao ditado, quer pela sua localização, pela sua altitude, pelo rigor dos Invernos e até por usos e costumes do barroso, tendo como melhor exemplo, o forno comunitário.

Pois na foto de hoje podemos ver precisamente o forno comunitário (construção de fundo na foto).

Um forno que está considerado pelo IPA como monumento. A sua construção remonta ao Sec. XVIII, acreditando-se ser o ano de 1755 o da sua construção, pelo menos é a data que está inscrita numa pedra colocada na fachada posterior do forno, existindo ainda outra data inscrita, a de 1883, assinalando possivelmente uma posterior beneficiação do forno.

Como forno comunitário, foi usado pelo povo da aldeia, durante mais de 200 anos, para cozer pão ou fazer assados, e pelo que consta, só há cerca de 15 anos (1990) é que deixou de ser utilizado pelo povo de Castelões.

Hoje, pela sua antiguidade e pelo serviço que prestou ao povo, é orgulho da população de Castelões, que mantém as suas portas abertas para delícia dos visitantes e também dos seus residentes, pois os bancos colocados sob o alpendre do forno, servem de assento, à sombra, fazendo do local, um local de convívio e sala de estar da população de Castelões.

Mas em Castelões há muito mais. Além da sua gente, que pela certa merecia um post, há ainda a realçar a Igreja Matriz (Sec. XVII) e o Cruzeiro do Senhor da Piedade (construído em 1879) que curiosamente assume o nome do Padroeiro de Montalegre e cujas características se assemelham aos cruzeiros galegos com figuras esculpidas nas duas faces da cruz, o único que conheço com estas características no concelho (curiosidades).

Quer a Igreja Matriz, quer o Cruzeiro, estão referenciados como monumentos pelo IPA.

Mas além dos monumentos, há ainda a considerar a riqueza em arquitectura típica das aldeias transmontanas, onde o granito à vista envelhecido pelo tempo é rei e senhor.

Castelões pertence à freguesia de Calvão e fica a 15 quilómetros de Chaves e, escusado será dizer, faz fronteira com terras de Barroso e os concelhos barrosões de Boticas e Montalegre (qual deles o mais barrosão).

E este post é dedicado às gentes de Castelões, residentes e principalmente aos ausentes, e em especial ao José Gonçalves, amigo e comentador deste blog, que desde a “América” vem beber a este blog para matar saudades. Um abraço flaviense, hoje desde a "terrinha" - Castelões.

E por hoje é tudo. Amanhã estarei noutra aldeia, na montanha ou planalto do concelho de Chaves. Quanto a Castelões, com certeza que tornará a passar por aqui. Pois, pelo menos, a sua igreja e o cruzeiro, merecem um post.

Até amanhã!

2 comentários

Comentar post